O casamento é uma instituição divina, mas a forma como é feita a escolha dos cônjuges e a celebração da cerimónia nupcial não foi determinada na instituição. E, por isso, varia de um povo para outro, de uma época para outra.
O primeiro processo de escolha de cônjuge registrado no Antigo Testamento resultou no casamento de Isaque e Rebeca.
A história pode ser sintetizada assim: Abraão, já idoso, encarregou seu mais antigo servo da escolha de uma esposa para Isaque. "E o servo tomou dez camelos, dos camelos do seu senhor... levantou-se e partiu para a Mesopotâmia, para a cidade de Naor" (Gênesis 24.10).
A verdade é que ele foi parar na casa de Betuel, onde expôs o motivo da viagem, e conseguiu atrair Rebeca, com o consentimento do pai e do irmão, para dirigir-se a Canaã e ser a esposa de Isaque.
® Os dois nunca tinham se encontrado antes.
® Talvez Isaque nem soubesse da existência de Rebeca.
® Não foi feita nenhuma cerimônia nupcial.
® Simplesmente foram viver juntos...
® Mas estavam casados, segundo os costumes da época.
Esse tipo de casamento tinha tudo para ser um grande fracasso... mas funcionava. E funcionava bem porque era protegido por um compromisso. O amor que unia os cônjuges era fruto desse compromisso.
O casamento de nossos dias é bem diferente. Os pretendentes têm amplas oportunidades de se conhecer antes da decisão final.
Teoricamente suas possibilidades de fazer um bom casamento, de estabelecer uma união harmônica e duradoura são bem maiores.
Todavia isso não tem acontecido porque eles têm feito deste sentimento emocional subjetivo, denominado amor, a base do seu casamento.
E um sentimento, sujeito a muitas tribulações, não pode garantir o êxito de uma instituição tão importante.
Para transformar o casamento que você tem no casamento que você quer, o ponto de partida é a conscientização de que o verdadeiro fundamento do matrimônio é o compromisso.
O amor é importante, mas até ele deve estar baseado no compromisso. Caso contrário, as pessoas se apaixonam, se casam, deixam de amar e pedem divórcio.
Em primeiro lugar queremos destacar o Compromisso como a base do Casamento porque ele:
I - Estabelece Alvos a Serem Alcançados
Ao fazermos os votos conjugais, assumimos o compromisso de amar, honrar, cuidar e defender o nosso cônjuge e ser-lhe fiel, na saúde e na doença, na prosperidade e na adversidade, na alegria e na dor.
Comprometemo-nos também a viver ao seu lado até que a morte nos separe. E estes compromissos se tornam a nossa meta, o nosso alvo.
A experiência demonstrara que é muito mais fácil fazer uma coisa quando se tem um objetivo em vista. Quanto mais você se aproxima de uma meta, maior é a força que esta meta exerce sobre você.
Todo casamento está sujeito a enfrentar problemas, lutas e dificuldades. Mas quando o casal leva a sério o compromisso e o seu alvo é viver juntos até que a morte os separe, torna-se muito mais fácil superar as crises.
Em segundo lugar destacamos o Compromisso como a base do Casamento porque ele:
II - Produz Segurança
O amor é algo sublime, mas só o compromisso produz segurança.
Creio que todos os empresários gostam de ter empregados que amam o que fazem, que amam a empresa onde trabalham.
Contudo, é provável que eles não queiram ter como empregado uma pessoa que condicione o desempenho de suas funções ao seu amor por aquele trabalho. Pois tal pessoa não daria segurança à empresa.
O amor é um sentimento emocional subjetivo, que está sujeito às nossas condições físicas, mentais e psíquicas.
Ele poderá ser afetado por uma dor de cabeça, por uma discussão com alguém ou simplesmente por uma interpretação incorreta de algum fato.
O empregado que trabalha só por amor pode abandonar o trabalho a qualquer momento ou simplesmente se negar a executar alguma tarefa. Ele não daria segurança ao empregador.
O mesmo pode ser dito em relação ao casamento.
Todos os que estão casados, pelo menos há alguns anos, sabem que nenhuma união significativa ou duradoura pode ser construída sobre a filosofia do “Viver juntos enquanto o amor durar”. Ao contrário, o casamento só irá durar sob o compromisso de amar um ao outro enquanto viver.
Precisamos de segurança no casamento. E só o compromisso pode dar essa segurança.
Em terceiro lugar destacamos o Compromisso como a base do Casamento porque:
III - Compromisso é Compromisso
Voltemos à história do casamento de Isaque e Rebeca. Os anos se passaram. Nasceram-lhes dois filhos: Esaú e Jacó. Isaque, velho e cego, chamou Esaú para lhe dar a bênção reservada ao primogénito (Gênesis 27.2-10).
Porém Jacó, o mais novo, seguiu as instruções da mãe, enganou o pai e recebeu a bênção. Quando Esaú tomou conhecimento do que se havia passado, implorou ao pai dizendo: “... Abençoa-me também a mim, meu pai! Respondeu-lhe o pai: Veio teu irmão astuciosamente e tomou a tua bênção. (Gênesis 27.34-35).
Observe que mesmo tendo sido enganado, Isaque entendeu que a sua palavra não podia voltar atrás. Assim também é o nosso compromisso conjugal: ele é muito sério e não deve ser revogado, mesmo que o tenhamos feito sem tomar as devidas precauções. Compromisso é compromisso!
Ninguém tem o direito de fugir ao compromisso assumido no casamento. O argumento de que o amor morreu não justifica a separação de um casal.
Não é o seu amor que susterá o casamento, mas, doravante, é o casamento que susterá o seu amor” (Dietrich Bonhoeffer).
Conclusão
A base sobre a qual deve ser edificado o matrimónio é o compromisso. O amor é muito importante, mas ele também só subsistirá se estiver edificado sobre o compromisso.
O compromisso assumido diante do altar deve ser levado até as últimas consequências. Pois com Deus não se brinca. É melhor não assumir compromisso, do que, assumindo-o, não o cumprir.
"Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mateus 19.6).
Para Refletir:
"O cônjuge mais feliz não é aquele que se casou com a melhor pessoa, mas aquele que consegue extrair o que há de melhor na pessoa com quem se casou".
Por Rev. Gilvan de Oliveira Silva – IPBEC, 07/01/11.