quarta-feira, 20 de maio de 2026

Os Projetos Humanos


OS Projetos Humanos 

Está se aproximando o último dia do ano.
Em algumas horas começaremos um novo ano nas nossas vidas.
Temos planos? Quais são? É legítimo fazê-los?
Nós temos conhecimento dos Planos Eternos de Deus por meio da Bíblia. Mas o que a mesma nos dizem sobre os planos humanos?
O livro de Provérbios que pode ser definido como sabedoria concentrada é especialmente útil neste sentido, o capítulo 16, por exemplo, resume ensinos necessários à vida humana.
Observemos rapidamente estes textos que falam de planos, projetos ou caminhos humanos, em busca de orientação para as nossas vidas.
O que eles nos ensinam? Primeiramente o texto nos fala sobre:
I - A Legitimidade dos Planos Humanos (16.1,9)
Os animais são direcionados pelo instinto, eles não têm planos, são movidos pela satisfação das suas necessidades físicas.
Mas não pode ser assim com os seres humanos racionais. Compete-nos fazer planos, traçar caminhos, estabelecer propósitos e metas na vida.
Jesus ilustra a legitimidade dos projetos humanos com a seguinte pergunta:
"Pois, qual de vós, pretendendo construir uma torre não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançados os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele dizendo: este homem começou a construir e não pode acabar" (Lc 14.28-30.)
»      Por outro lado, a preocupação excessiva pela vida não é lícita.
»      Temos que confiar na fidelidade de Deus.
»      Mas a negligência e ociosidade são igualmente ilícitas.
Ao mesmo tempo em que as Escrituras condenam a preocupação pela vida, nos apresentam a formiga como modelo de prudência, por armazenar no verão o alimento para comer no inverno. (Pv 6.6-11; 30.25).
Tendo em vista a legitimidade e a necessidade de se planejar, as Escrituras nos chama atenção para:
II - O Perigo dos Planos Humanos (16.25)
>     O coração do homem é enganoso e precisamos reconhecer isso.
>     A nossa capacidade de avaliar a retidão e a pureza dos nossos projetos é muito falha.
>     Nós somos tentados a considerar os nossos caminhos sempre retos aos nossos próprios olhos.
>     Entretanto, caminhos que nos parecem retos, são estradas perigosas que levam a abismos mortais.
Portanto, ao planejarmos, devemos levar em consideração alguns perigos:
1 - A avareza
A avareza está intimamente ligada ao desejo de riqueza. Neste sentido o apóstolo Paulo adverte Timóteo dizendo assim:
“Ora, os que querem ficar ricos caem em tentações e ciladas, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nesta cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (I Tm 6.9-10).
Nossos planos de riqueza podem esconder perigosas ciladas para nossa alma. Tenhamos cuidado.
Jesus mesmo advertiu os seus discípulos contra o perigo da avareza dizendo: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância de bens que possui” (Lc 12.15).
Outro perigo que pode estar por trás dos nossos planos é:
2 - A auto-suficiência
Se os nossos planos são absolutos, se eles não dependem da vontade de Deus, é bem provável que se constituam em caminho de morte.
Muitas pessoas administram suas vidas como se tudo dependesse apenas delas, como se fossem senhores absolutos de suas vidas.
Mas nós não podemos contar com o futuro. Nós desconhecemos completamente o que ele nos trará. Agir como se fôssemos senhores de nosso futuro é pecado. Melhor é fazermos bom uso do presente.
Com relação ao perigo da auto-suficiência, o apóstolo Tiago nos adverte:
“Atendei agora voz que dizeis: hoje ou amanhã iremos para cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos e teremos lucro. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: se o Senhor quiser, não só viveremos como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna” (Tg 4.13-16).
O homem não pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida. Ele está inteiramente nas mãos do Todo-Poderoso, e deve reconhecer sua incapacidade para dirigir sua vida à parte de Deus; quanto mais o futuro! Nós não temos nenhum controle sobre ele, e temos de depender inteiramente de Deus.
Por isso, nossos lábios devem aprender a pronunciar com mais freqüência esta pequena frase: “Se o Senhor quiser”.
Mais importante ainda, nossas mentes, vontades, desejos, planos e projetos para o futuro devem estar impregnados desta atitude. Não como nota de rodapé, mas como conteúdo.
Os planos são legítimos, mas cuidado com a avareza e com a arrogância; cuidado com o amor ao dinheiro e com a auto-suficiência.
Em terceiro lugar provérbios nos fala sobre:
III - A Atitude Sábia com Relação aos Planos Humanos (16.3)
Qual então é a atitude sábia com relação ao assunto? Como podemos agir com sabedoria, ao traçarmos nossos planos para o futuro?
1- Confiando nossos planos ao Senhor
Se desejarmos que nossos projetos sejam caminhos de vida, devemos colocá-los diante do Senhor e suplicar que Ele dirija nossos passos.
“Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento, reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas” (Pv 3.5-6).
Nossos planos devem ser traçados com humildade, na dependência de Deus. Não como se fôssemos senhores do nosso futuro, mas como alguém que reconhece que depende inteiramente da vontade de Deus.
Uma segunda atitude sábia com relação aos planos humanos é percebida quando nós estamos:
2- Crendo na soberania absoluta de Deus sobre o universo
  Isto implica em reconhecermos a soberania de Deus sobre as nossas próprias vidas.
  Implica em reconhecermos que o Senhor tem um plano eterno, perfeito e imutável.
  E que Ele faz todas as coisas de acordo com o conselho da Sua própria vontade.
Uma terceira atitude sábia com relação aos planos humanos é constatada quando nós estamos:
3- Planejando de conformidade com a vontade revelada de Deus
Objetivamente falando, este é o pré-requisito fundamental para o sucesso dos nossos planos. Que eles devem ser traçados à luz da revelação bíblica como um todo.
As Escrituras estão repletas de princípios gerais que devem nortear nossas vidas. Se nossos projetos contrariam estes princípios gerais, não podemos esperar a bênção de Deus sobre eles.
E consequentemente eles não serão caminhos de vida e sim de morte. Portanto, precisamos conhecer os princípios bíblicos para sermos bem sucedidos em nossos planos.
Uma quarta atitude sábia com relação aos planos humanos é averiguada quando nós:
4- Não dispensando os conselheiros
Além do que já foi dito, as Escrituras nos ensinam que não podemos dispensar os conselheiros: “Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros, há bom êxito” (Pv 15.22).
  Há pessoas mais idosas com as quais podemos nos aconselhar.
  Os filhos devem recorrer aos pais.
  Em algumas ocasiões os pais também devem recorrer aos filhos.
  O conselho de irmãos em Cristo mais experientes, e de pastores, podem determinar o bom êxito dos nossos projetos.
É espantoso ver como determinadas pessoas nunca solicitam conselhos!
CONCLUSÃO
F  Neste final ano faremos bem em considerar nossas vidas;
F  Devemos fazer um balanço em todas as áreas;
F  Em que temos errado?
F  Do que temos que nos arrepender?
F  Como viver de modo que agrade mais ao nosso Senhor?
F  Como servi-lO melhor?
Neste final de ano devemos também fazer planos para o futuro relacionados aos nossos estudos, profissão, relacionamentos e, especialmente, planos espirituais.
Planejar é lícito, mas temos que estar alertas contra os perigos de nos concentrarmos nas riquezas e da não dependência de Deus.
Ambas as atitudes são tremendamente perigosas e antecedem a queda, a ruína e a perdição.
Nossos planos para o futuro têm que ser feitos no Senhor; temos que reconhecer que Ele é o Senhor absoluto da nossa vida e do nosso futuro.
Temos que pacientemente aguardar que Ele nos dirija os passos, e traçar nossos planos à luz da revelação especial das Escrituras.

Adaptado de Paulo R. B. Anglada
Por Rev. Gilvan de Oliveira Silva – IPBEC, 30/12/07.



sábado, 27 de maio de 2017

COMO GUARDAR PURO O CAMINHO? – Salmos 119.9


Todo terceiro domingo de maio nas igrejas presbiterianas de nosso país comemora-se o Dia Nacional do Jovem Presbiteriano. Assim, hoje temos uma grande oportunidade para homenagear em Cristo essa força de integração na IPB que celebra seus 81 anos de existência. E eu quero fazer isso expondo-lhes as Escrituras.

Nós vivemos uma época extremamente globalizada.  A informação é quase que instantânea. Todos, sem exceção, possuem acesso às fontes de informações e sabem como passá-la adiante.

Ø  A Televisão invadiu definitivamente as casas.
Ø  A Internet está cada vez mais acessível.
Ø  No Google se encontra de tudo.
Ø  E, quando se quer assistir a alguma coisa, se busca imediatamente no YouTube.
Ø  O mundo invadiu as nossas casas e a igreja.
Ø  Ler a Bíblia, meditar na Palavra de Deus tem se tornado uma coisa arcaica.
Ø  Tudo é muito rápido e o imediatismo impera.

Como ser puro e santo em um mundo onde o sexo, a mentira, o adultério, o homossexualismo e tantas outras coisas que repudiadas por Deus, são passadas de forma tão natural e aceitas inclusive no meio do povo evangélico? Como ser puro num mundo impuro?

Meus irmãos, o Salmo 119 é o maior capítulo da Bíblia com cento e setenta e seis versículos dedicados a exaltar as Escrituras. Dentre essas pérolas preciosas, vamos destacar o versículo 9 que pergunta assim: “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? A resposta vem com veemência e graça: Observando-o segundo a tua palavra” (Salmo 119:9).

Vejam que para guardar puro o seu caminho, o jovem precisa se interagir com a Palavra de Deus. Todavia, a interação com a Palavra de Deus exige Novo Nascimento.

Assim, veremos em primeiro lugar que para o jovem guardar puro o caminho, faz se necessário:

I – NASCER NOVAMENTE

Inicialmente, iremos considerar as seguintes verdades: Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. 
  •  Disto, entendemos que Deus criou o homem com:
  • Justiça, retidão, verdade, livre arbítrio...
  • Cheio de amor, tanto nos pensamentos como em palavras e atitudes...
  •  Puro de toda mancha pecaminosa, alegre, feliz...
  •  Com paz no coração, harmonia, comunhão com Deus.
  •  Segurança, vida abundante e verdadeira.


Apesar de Deus ter criado assim, por um ato voluntário de desobediência ao Criador, o homem declarou que não queria que Deus o governasse. O homem não quis que sua felicidade estivesse em Deus, e sim no mundo, e Deus consequentemente disse: “certamente morrerás”. E naquele dia houve morte, a mais terrível de todas as mortes – a morte de espírito. É certo que o corpo morre quando lhe sai o espírito, e o espírito morre quando se separa de Deus.

Assim, a Bíblia declara que espiritualmente o homem morreu por causas do seu pecado de desobediência. Pois bem, o homem morreu espiritualmente, ficou marcado para morrer fisicamente e morreu moralmente em virtude da desobediência.

Agora observe mais uma verdade:

Depois da morte espiritual, o que aconteceu foi desastroso. O homem tentou se esconder do Senhor (Gn 3.8). O homem revestiu-se de orgulho, obstinação, e desejos sensuais.

Os sentidos espirituais foram anulados, perdeu o contato com Deus, ficou separado de Deus e começou a alimentar uma tendência para o mal. Observe agora que em Adão, todos nós morremos espiritualmente. Eis aí, portanto, a necessidade de nascer novamente para poder guardar puro o caminho.

Agora que vimos estas três verdades, precisamos saber o que venha a ser novo nascimento.

  •  O novo nascimento é produzido pelo Espírito Santo.
  •  O Espírito Santo é o agente do novo nascimento.
  •  O Espírito Santo implanta no indivíduo o princípio da nova vida, e assim, ele é gerado de novo.
  •  Essa ação do Espírito Santo é invisível, porém perceptível.
  •  É como o vento que você não sabe donde vem nem para aonde vai, mas percebe seus efeitos (Jo 3.8).
  •  O Espírito é livre e soberano nessa ação vivificadora.
  •  Ele é como o vento. Ele sopra aonde quer.
  •  O novo nascimento é uma obra exclusiva e soberana de Deus.
  •  Ninguém pode determinar em que pessoa o Espírito vai implantar vida. Ele age aonde quer.


Novo nascimento, portanto, é mente mudada, valores mudados, coração transformado pelo Espírito Santo, é arrependimento dos pecados, é crer em Jesus de todo o coração, é entrega total a ele. Só assim o homem fica habilitado para guardar puro o seu caminho.

John Piper falando sobre o porquê de precisarmos nascer de novo, elenca dez respostas substanciais que nos ajudam a compreender melhor a condição humana. Ele diz:

1. Sem o Novo Nascimento, nós estamos mortos em delitos e pecados (Ef 2.1-2).
2. Sem o Novo Nascimento, nós somos, por natureza, filhos da ira (Ef 2.3).
3. Sem o Novo Nascimento, nós amamos as trevas e odiamos a luz (Jo 3.19-20).
4. Sem o Novo Nascimento, nossos corações são duros como pedra (Ez 36.26; Ef 4.18).
5. Sem o Novo Nascimento, nós somos incapazes de nos submeter a Deus ou de agradá-Lo (Rm 8.7-8).
6. Sem o Novo Nascimento, nós somos incapazes de aceitar o evangelho (Ef 4.18; I Co 2.14).
7. Sem o Novo Nascimento, nós somos incapazes de vir a Cristo ou recebê-lo como Senhor (Jo 6.44, 65; I Co 12.3).
8. Sem o Novo Nascimento, nós somos escravos do pecado (Rm 6.17).
9. Sem o Novo Nascimento, nós somos escravos de Satanás (Ef 2.1-2; II Tm 2.24-26).
10. Sem o Novo Nascimento, nenhum bem habita em nós (Rm 7.18).

Desta forma, fica evidente que o jovem precisa nascer de novo para guardar puro o seu caminho.

Veremos em segundo lugar que para o jovem guardar puro o caminho, faz se necessário:

II – CONHECER A PALAVRA DE DEUS

Escrevendo ao jovem pastor Timóteo, Paulo assegura que:

"Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (II Tm 3.16-17).  

Observemos que as Sagradas Escrituras não nos foram dadas a fim de satisfazer nossa curiosidade intelectual e nem nossas especulações carnais, e sim, (mediante o ensino, a reprovação e a correção), habilitar-nos para toda boa obra, obviamente, isso inclui o guardar puro o caminho.

Por que a Palavra nos capacita a guardar puro o caminho?

1. Primeiro porque ela convence de pecado.

Este é o seu primeiro préstimo: revelar a nossa depravação, desmascarar a nossa vileza, ofensa, tornar conhecida a nossa iniquidade.

Ø  A vida moral de um homem pode ser irrepreensível.
Ø  Seu trato com os seus semelhantes pode ser sem faltas.

Mas quando o Espírito Santo aplica a Palavra ao seu coração e à sua consciência, abrindo os seus olhos fechados pelo pecado para que perceba a sua relação e a sua atitude para com Deus, então ele exclama: "Ai de mim! Estou perdido!" (Is 6.5).

É desse modo que toda a alma verdadeiramente vivificada, regenerada é levada a perceber a necessidade que tem de Cristo, e como consequência reconhece a obrigação de guardar puro o seu caminho.

Não importa a que ponto está da caminhada, a cada vez que o jovem cristão medita na Palavra de Deus, ele é levado a sentir quão longe anda do padrão que a Escritura apresenta, a saber: "... tornai-vos santos também vós mesmos em todo vosso procedimento" (I Pe 1.15).

Aqui, por conseguinte, temos o primeiro teste a ser aplicado:
Quando lemos acerca das impurezas e dos tristes fracassos, de diferentes personagens das Escrituras, isso deve nos fazer perceber quão, infelizmente, parecidos com eles nós somos!

Quando lemos sobre a vida perfeita de Cristo, sobre sua pureza, isso deve nos fazer reconhecer quão terrivelmente diferente nós somos!

Vejamos em segundo lugar que a Palavra nos capacita a guardar puro o caminho:

2. Porque ala nos faz entristecer por causa do pecado.

Acerca daqueles que foram convencidos de pecado, diante da pregação de Pedro, está registrado que eles se sentiram compungidos em seus corações, isto é, se entristeceram por haver cometido pecado (At 2.37).

Quando a palavra é seriamente estudada e pregada, ela exerce pressão sabre o caráter e a conduta das pessoas, desvendando os tristes fracassos até mesmo dos melhores entre o povo de Deus.

E ainda que a multidão despreze o mensageiro, os indivíduos realmente regenerados, nascidos de novo, sentir-se-ão gratos pela mensagem que os leva a se lamentarem diante de Deus e a clamarem:

"Desventurado homem que sou!" (Rm 7.24). “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? E a resposta vem com vivacidade e graça: Observando-o segundo a tua palavra” (Sl119.9).

Assim sucede quando o Espírito Santo aplica a Palavra de Deus em nosso coração, somos levados a ver e a sentir nossa corrupção íntima, para que sejamos verdadeiramente abençoados.

Olhem para estas palavras em Jr 31.19 – "Na verdade, depois que me converti, arrependi-me; depois que fui instruído, bati no peito; fiquei envergonhado, confuso, porque levei o opróbrio da minha mocidade!"

Em outra tradução esta última parte diz assim: “Estou deveras envergonhado e humilhado porque trago sobre a minha pessoa a desgraça da minha inconsequência juvenil” (Bíblia King James Atualizada).

Vejamos em terceiro lugar que a Palavra nos capacita a guardar puro o caminho:

3. Porque ela nos conduz à confissão de pecado.

As Escrituras são proveitosas para a "repreensão" (II Tm 3.16); e a alma honesta está pronta a reconhecer as suas próprias faltas.

Mas acerca do indivíduo carnal é declarado: "Pois todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras" (Jo 3.20).

"O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Pv 28.13).

Jovens – enquanto ocultarmos em nosso seio as nossas culpas secretas, não haverá frutificação espiritual, nem haverá percepção da necessidade de se viver puro.

Enquanto aceitarmos as seduções da acessibilidade, do imediatismo das informações e permitirmos que nossas vidas sejam entupidas com o sentimento de naturalismo da mentira, do namoro promíscuo, do adultério, do homossexualismo, da corrupção e tantas outras desgraças, jamais buscaremos respostas para o questionamento do salmista.  

Somente quando confessamos nossas falhas perante Deus é que desfrutamos de Sua misericórdia. Não há paz real para a consciência e nem descanso para o coração, enquanto sepultarmos a carga do pecado não confessado. O alívio só nos é outorgado se confessarmos o pecado a Deus.

Notemos bem a experiência de Davi: "Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos, pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim; e o meu vigor se tornou em sequidão de estio." (Sl 32.3,4).

Jovem – o conhecimento da Palavra de Deus pode te conduzir à confissão de pecados e te fazer sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.

Davi foi agraciado com o conhecimento que tinha da lei do Senhor.
Primeiro, foi esclarecido sobre a realidade de seus pecados.
Segundo, fez confissão de suas transgressões e finalmente recebeu o perdão.

"Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado" (Sl 32.5).

A pessoa que estuda a Bíblia como Palavra de Deus não acrescentará uma vírgula sequer em suas promessas e também não subtrairá um acento gráfico dos mandamentos. Ele dirá:

  •  “O Deus que não pode mentir prometeu...”
  •   “O Deus que não pode mentir ordenou...”


E assim, não tentará fazer Deus de mentiroso, fazendo com que sua palavra signifique menos ou mais do que de fato está dizendo.

Aquele que estuda a Bíblia como a Palavra de Deus estar sempre observando o verdadeiro significado das suas promessas e apropriando-se delas e arriscando tudo por elas.

Aquele que estuda a Bíblia como a Palavra de Deus:

Ø  Se deixa ser advertido por cada ordem estabelecida nas Escrituras.
Ø  Aceita e ama a constituição da igreja da qual é membro.
Ø  É submisso às autoridades eclesiásticas.
Ø  Não estranha uma disciplina, quando necessário.
Ø  Não afasta da igreja por causa de uma disciplina.
Ø  Não se rebela e funda outra igreja por ter sido disciplinado.
Jovem, para você ter proveito no seu estudo da Bíblia, decida que de hoje em diante se apropriará de cada promessa das Escrituras, e que obedecerá a cada ordem estabelecida.

Obediência pode parecer algo duro e impossível; mas Deus a ordenou, e nada temos a fazer, senão obedecer e deixar os resultados com ele. Feliz é o homem que aprendeu a estudar a Bíblia de tal forma.

Conhecer a Bíblia é essencial para uma vida rica e plena de significado. Nas palavras deste Livro encontramos indicações de como poderá o jovem guardar puro o seu caminho.

Nas palavras da Bíblia Sagrada encontramos conselhos sugestivos de como consertar as coisas erradas. Na Palavra de Deus encontramos rumos para superarmos os problemas relativos à vida do jovem...

Nas Escrituras encontramos orientações para lidar com a ditadura do imediatismo globalizado. Na Santa Palavra de Deus enxergamos conselhos capazes de tornar as cores embaçadas de nossa vida, brilhantes como pedras preciosas.

Aprenda a considerar seus questionamentos à luz da Bíblia, porque, em suas páginas, você encontrará a resposta certa.



Rev. Gilvan de Oliveira Silva – IPBEC, 21\05\2017.

terça-feira, 2 de maio de 2017

O Último Sermão – I Tm 4.15


O nosso último dia irá chegar. Se você soubesse exatamente quando seria seu último dia como:

@ Avô... Pai... Filho... Marido... Amigo... Professor... Membro da igreja visível; Diácono; Presbítero; Pastor. O que você ensinaria? 
@ O que você ensinaria se soubesse que teria a última oportunidade? 

Em 24 de agosto de 1662, dois mil pregadores puritanos foram expulsos de seus púlpitos, e receberam a ordem de não mais pregarem em público. O Ato de Uniformidade, baixado pelo parlamento inglês, conhecido pelos evangélicos como a Grande Ejeção evacuação, pairava por sobre a Inglaterra como uma nuvem espessa.

Muitos líderes eclesiásticos da Igreja Anglicana, a religião oficial, estavam forçando os puritanos a cessarem suas pregações ou a se moldarem à adoração litúrgica decretada por lei.

®    Diante disso, muitos ministros preferiam o silêncio à transigência “desobediência”.
®    Optaram por parar de pregar a se submeteram às leis litúrgicas da Inglaterra.

Com olhos marejados de lágrimas, milhares de crentes humildes ouviram seu último sermão no domingo imediatamente anterior à data em que o Ato de Uniformidade se tornaria lei. E, naquele último domingo de liberdade, os ministros puritanos provavelmente pregaram os seus melhores sermões.

O estudo que passo a compartilhar com a igreja, de modo um tanto abreviado, foi proferido por Thomas Watson a seu pequeno rebanho. Assim, dizia ele – Antes que eu vá, devo oferecer alguns conselhos e orientações para vossas almas. Eis as vinte instruções que tenho a dar a cada um de vós, para as qua­­is desejo a mais especial atenção:

1) Antes de tudo, observa tuas horas constantes de oração a Deus, diaria­­mente.

O Salmo 4.3 diz assim: “Sabei, porém, que o SENHOR distingue para si o piedoso; o SENHOR me ouve quando eu clamo por ele”.
O homem piedoso é homem “separado” não apenas porque Deus o separou por eleição, mas também porque ele mesmo se separa por devoção. Ele inicia o dia com Deus, e pela manhã O visita antes de fazer qualquer outra coisa. Ele adentra ao céu diariamente, em oração. O homem piedoso lê as Escrituras, pois elas são, ao mesmo tempo, um espelho que mostra as nossas manchas e um lavatório onde podemos branquear essas máculas.

2) Colecione bons livros em casa.

Os livros de qualidade são como fontes que contêm a água da vida, com a qual poderás refrigerar-te.
Quando descobrires um arrepio de frio em tua alma, lê esses livros, onde poderás ficar familiarizado com aquelas verdades que aquecem e afetam o coração.

3) Tem cuidado com as más companhias.

Evita qualquer familiaridade desnecessária com os pecadores. Ninguém pode apanhar a saúde de outra pessoa; mas pode apanhar doenças. E a doença do pecado é altamente transmissível. Visto não podermos melhorar os outros, ao menos tenhamos o cuidado de que eles não nos façam piores. No Salmo (106.34-41), está escrito assim acerca do povo de Israel:

34  Não exterminaram os povos, como o SENHOR lhes ordenara.
35  Antes, se mesclaram com as nações e lhes aprenderam as obras;
36  deram culto a seus ídolos, os quais se lhes converteram em laço;
37  pois imolaram seus filhos e suas filhas aos demônios
38  e derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e filhas, que sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi contaminada com sangue.
39  Assim se contaminaram com as suas obras e se prostituíram nos seus feitos.
40  Acendeu-se, por isso, a ira do SENHOR contra o seu povo, e ele abominou a sua própria herança
41  e os entregou ao poder das nações; sobre eles dominaram os que os odiavam.

As más companhias são as redes de arrastão do diabo, com as quais arrasta milhões de pessoas para o inferno. Quantas famílias e quantas almas têm sido arruinadas pelas más companhias!

4) Cuidado com o que ouves.

Existem certas pessoas que, com seus modos sutis, aprendem a arte de misturar o erro com a verdade e de oferecer veneno em uma taça de ouro. Nosso Salvador, Jesus Cristo, acon­selhou-nos dizendo: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresen­tam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15). Sê como aqueles bereanos que examinavam as Escrituras, para verificar se, de fato, as coisas eram como lhes foram anunciadas (At 17.11). Aos crentes é necessário um ouvido discernidor e uma língua crítica, que possam distinguir entre a verdade e o erro e ver a diferença entre o banquete oferecido por Deus e a migalha colocada à sua frente pelo diabo.

5) Segue a sinceridade.

®    Seja o que você parece ser.
®     Não seja como os remadores, que olham para um lado e remam para outro.
®    Não olhe para o céu, com sua profissão de fé; para então, remar em direção ao inferno, com tuas práticas.
®    Não finja ter o amor de Deus, ao mesmo tempo em que ama o pecado.
®    A piedade fingida é uma dupla iniquidade.
®    Que seu coração seja reto perante Deus.

Quanto mais simples é o diamante, tanto mais precioso ele é; e quanto mais puro é o coração, maior é o valor que Deus dá à sua joia. No Salmo 51.6, aprendemos que o Senhor quer de cada um de nós um coração sincero.

6) Nunca esqueças da prática do auto-exame.

Estabeleça um tribunal em tua própria alma. Tenha receio tanto de uma santidade mascarada quan­to de ir para um céu pintado por ti mesmo. Deixa que a Palavra seja um espelho, diante do qual poderás julgar a aparência de tua alma. Por falta de autocrítica, muitos vivem conhecidos pelos outros, mas morrem desconhecidos por si mesmos. No Salmo 77.6 está escrito: “De noite indago o meu íntimo...” Veja que o salmista não perde tempo, ele gasta suas noites em pensamentos profundos, meditando e fazendo perguntas.

7) Mantém vigilância quanto à tua vida espiritual.

O coração é um instrumento sutil, que gosta de sorver a vaidade; e, se não usarmos de cautela, atrai-nos, como uma isca, para o pecado. Por isso, o crente precisa estar constantemente alerta. Nosso coração se assemelha a uma “pessoa suspeita”. Fica de olho nele, observa o teu coração continuamente, pois é um traidor em teu próprio peito. Todos os dias nós devemos montar guarda e vigiar. Se dormirmos tranquilamente, se vacilarmos, aí está a oportunidade para as tentações diabólicas.

8) O povo de Deus deve reunir-se com frequência.

As ovelhas de Cristo devem andar unidas. Assim, um crente ajudará a aquecer ao outro. Um conselho pode efetuar tanto bem quanto uma pregação. O apóstolo Paulo diz assim em Rm 15.1 – “Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos”.

Quando um crente profere a palavra certa no tempo oportuno, derrama sobre o outro o óleo santo que faz brilhar com maior fulgor a lâmpada do mais fraco. Os biólogos já notaram que há certa simpatia entre as plantas. Algumas produzem melhor quando crescem perto de outras plantas. Semelhantemente, esta é a verdade no terreno espiritual. Os santos são como árvores de santidade. Desenvolve melhor a piedade quando crescem juntos.

9) Que o teu coração seja elevado acima do mundo.

“Pensai nas coisas lá do alto” (Cl 3.2). Podemos ver o reflexo da lua na superfície da água, mas ela mesma está acima, no firmamento. Assim também, ainda que o crente ande aqui em baixo, o seu coração deve estar fixado nas glórias do alto. Aqueles cujos corações se elevam acima das coisas deste mundo não ficam aprisionados com os vexames e desassossegos que outros experimentam, mas, antes, vivem plenos de alegria e de contentamento.

10) Consola-te com as promessas de Deus.

®    As promessas são grandes suportes para a fé.
®    As promessas de Deus são quais balsas flutuantes que nos impedem de afundar, quando entramos nas águas da aflição.
®    As promessas são doces cachos de uvas produzidos por Cristo, a videira verdadeira.


11) Não seja ocioso, mas trabalha para ganhar o teu sustento.

Estou certo de que o mesmo Deus que disse: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar” (Êx 20.8), também disse: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra” (Êx 20.9). Deus jamais apoiou qualquer ociosidade.

Paulo observou: “Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma. Pois, de fato, estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranquilamente, comam o seu próprio pão” (II Ts 3.10-12).

12) Junte a primeira tábua da Lei à segunda, isto é, piedade para com Deus e honestidade para com o próximo.

O apóstolo Paulo reúne essas duas ideias, em um só versículo: “Vivamos, no presente século... justa e piedosamente” (Tt 2.12). A justiça se refere à moralidade; a piedade diz respeito à santidade.
®    Alguns simulam ter fé, mas não têm obras – Tg 2.14,26
®    Outros têm obras, mas não têm fé.
®    Alguns se consideram zelosos para com Deus, mas não são justos em seus tratos.
®    Outros são justos no que fazem, mas não têm a menor fagulha de zelo para com Deus.

13) Em teu andar perante os outros, junte a simplicidade à prudência.

“Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10.16).
®    Devemos incluir a simplicidade em nossa sabedoria, pois doutro modo tal sabedoria não passará de astúcia...
®   E precisamos incluir sabedoria em nossa simplicidade, pois do contrário nossa inocência será apenas fraqueza.

F Convém que sejamos tão inofensivos como as pombas, para que não causemos danos aos outros...
F E que tenhamos a prudência das serpentes, a fim de que os outros não abusem de nós, nem nos manipulem.

14) Tenha mais medo do pecado que dos sofrimentos.

@ Sob o sofrimento, a alma pode manter-se tranquila.
@  Porém, quando um homem peca voluntariamente, perde toda a sua paz.

Aquele que comete um pecado para evitar o sofrimento, assemelha-se ao indivíduo que permite sua cabeça ser ferida, para evitar danos ao seu escudo e capacete.

15) Fuja da idolatria.

“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (I Jo 5.21). A idolatria consiste numa imagem de ciúme que provoca a Deus. Guarda-te dos ídolos e tem cuidado com as superstições.

16) Não despreze a piedade por estar sendo ela perseguida.

Homens ímpios, quando instigados por Satanás, reprovam, maliciosamente, o caminho de Deus. A santidade é uma qualidade bela e gloriosa. Chegará o tempo quando os iníquos desejarão ver algo dessa santidade que agora desprezam, mas estarão tão removidos dela como agora estão longe de desejá-la.

17) Não dê valor ao pecado por estar atualmente na moda.

  Não julgue o pecado como coisa apreciável, só porque a maioria segue tal caminho.
  Será que consideramos a ofensividade de uma praga, só porque ela se torna tão generalizada e atinge a tantos?
   “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Ef 5.11).

18) No que diz respeito à vida cristã, sirva a Deus com todas as tuas forças.

Deveríamos fazer por nosso Deus tudo quanto está no nosso alcance. Deveríamos servi-Lo com toda a nossa energia, posto que a sepultura está tão perto, e ali ninguém ora nem se arrepende. Nosso tempo é curto demais, pelo que também o nosso zelo de Deus deveria ser intenso. “Sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11).

19) Enquanto você tiver vida, faça aos outros todo o bem que puder.

§  Labuta para ser útil às almas de teus semelhantes e para suprir as necessidades alheias.
§  Jesus Cristo foi uma bênção pública no mundo.
§  Ele saiu a fazer o bem.
Muitos vivem de modo tão infrutífero, que, na verdade, suas vidas dificilmente são dignas de uma oração, como também seu falecimento quase não merece uma lágrima.

20) Medite todos os dias sobre a eternidade.

Talvez em questão de poucos dias ou de poucas horas, haveremos de embarcar através do ocea­no da eternidade.

®     A eternidade é uma condição de desgraça eterna ou de felicidade eterna.
®    Separe um tempo a cada dia, para refletir a respeito da eternidade.

Os pensamentos profundos sobre a eterna condição da alma deveriam servir de meio capaz de promover a santidade.

Conclusão

Não devemos estimar os confortos deste mundo. Os prazeres oferecidos pelo mundo são muito agradáveis, porém passageiros, logo se dissipam. A ideia da eternidade deve ser o bastante para impedir-nos de ficar tristes em face das cruzes e sofrimentos neste mundo. Estando em Cristo aqui neste mundo, a aflição pode ser prolongada, mas não eterna. Nossos sofrimentos neste mundo não podem ser comparados com nosso eterno peso de glória.

Considerai o que vos tenho dito, e o Senhor vos dará entendimento acerca de tudo.
Autor: Thomas Watson

Por Rev. Gilvan de Oliveira Silva – IPBEC, 22/11/09.