domingo, 30 de outubro de 2011

PANORAMA HISTÓRICO DA IGREJA E A REFORMA – At 8.1

31 de outubro é uma data que se constitui de grande valor para o protestantismo mundial. Amanhã, estaremos comemorando 494 anos da Reforma Protestante.

Historicamente a igreja nasceu no dia de Pentecostes. A princípio, ela era apenas uma seita do judaísmo – At 24.14; 28.22. Mas com o passar do tempo adquiriu identidade própria.

Inicialmente, os cristãos foram violentamente perseguidos pelos judeus e pelos romanos.  A perseguição, contudo, ajudava a igreja, pois com isso os cristãos tornaram-se mais ousados, e os falsos crentes não suportavam a pressão e saiam.

Assim, a igreja ia ao mesmo tempo, se fortalecendo e si purificando. Porém, no século IV cessaram as perseguições.

No ano 313, Constantino e Licínio, concorrentes ao trono imperial, se encontraram e assinaram o Edito de Milão, concedendo plena liberdade ao Cristianismo.

Aparentemente, eles fizeram uma boa ação, mas finalmente tal liberdade gerou libertinagem.

Em 323, Constantino finalmente derrotou Licínio, tornando-se o único governante do mundo romano, que se estendia do Atlântico ao Eufrates, e do mar do norte ao deserto africano, com aproximadamente 120 milhões de habitantes.

Com seu tino político, Constantino, sentiu a necessidade de unificar o império.

“havia uma só lei, um só imperador e uma única cidadania para todos os homens livres – era necessário que houvesse também uma só religião”.

Com isso o Cristianismo passou a ter proteção do Império Romano. E a partir daí, a Igreja Cristã passou a receber um grande número de adesões.

Assim, a porta de entrada para a Igreja, já não era a conversão, e sim a conveniência, e muita pessoas, sem a verdadeira conversão entraram para a Igreja.

Entretanto, as atuações de tais pessoas e a influência do mundo pagão levaram a Igreja a adotar doutrinas e práticas que se chocaram brutalmente com os ensinos bíblicos.

Vejamos algumas destas inovações:

®    Em 320 adotaram o uso de velas;
®    Em 375 instituíram o culto aos santos;
®    Em 394 estabeleceram a missa;
®    Em 431 constituíram o culto à virgem Maria;
®    Em 503 abraçaram a doutrina do purgatório;
®    Em 606 idealizaram a universalidade do bispo de Roma;
®    Em 709 inventaram a obrigatoriedade do beijo nos pés do papa;
®    Em 873 passaram a adorar imagens e relíquias;
®    Em 850 inventaram o uso de água benta;
®    Em 993 conceberam a idéia de canonizar os santos;
®    Em 1090 inventou-se o rosário;
®    Em 1190 adotaram a venda de indulgencias;
®    Em 1229 proibiram a leitura da Bíblia.

Com tudo isso introduzido no seio e prática da Igreja, esta já não era mais a Igreja dos primeiros Cristãos.

Algumas pessoas afirmam que a Igreja organizada pelos apóstolos é a Igreja Católica Romana. Quanto a isto, devemos esclarecer o seguinte:

1.    A igreja dos apóstolos não adotou nenhum nome especifico. Ela é chamada no NT. Simplesmente de IGERJA. Historicamente ela é denominada de Igreja Primitiva por ter sido a primeira.

2.    O sistema de governo e a organização da Igreja Primitiva, suas doutrinas e sua liturgia eram bem diferentes do que é praticado pela Igreja Católica Romana.

3.    A verdade é que a I.C.R. surgiu das transformações ocorridas na Igreja Primitiva. Transformações que, lamentavelmente, só afastaram a igreja dos ensinos de Jesus Cristo.

As heresias que vimos, aliadas à corrupção e imoralidade do Clero, levaram a Igreja a perder suas principais características de Igreja Cristã.

Contudo, ainda existiam pessoas sinceras, tementes a Deus que clamavam por uma reforma.

A partir da Renascença – por volta de 1350 – o mundo ocidental experimentou um sentimentalismo crescente de nacionalismo.

Os povos não queriam submeter-se a Roma. E havia por toda parte intenso desejo naqueles que eram a Verdadeira Igreja, de se fazer voltar à Igreja Oficial, isto é, voltar aos princípios evangélicos.  

Dentre os que lutaram, e até deram a vida pela reforma da Igreja, temos:

Ø JOÃO WYCLIF (1328-1384) – nascido na Inglaterra. Este homem foi chamado “estrela da alva” da reforma.

Foi o mais culto e destacado professor da Universidade de Oxford, escreveu vários livros e traduziu a Bíblia do latim para o inglês, a fim de que seu povo pudesse ler a Palavra de Deus.

Escapando ileso de dois julgamentos, Wyclif morreu em paz, em 1384. Trinta e um anos após sua morte ele foi condenado, seu corpo queimado e suas cinzas lançadas no rio.

Outro precursor da reforma foi:

Ø  JOÃO HUSS – natural da boêmia, nascido em 1373, ocupou lugar de destaque na Universidade de Praga. Foi grande pregador e possuidor de uma eloqüência incomum.

Como pregador na capela de Belém, em Praga, começou a estudar as Escrituras e chegou à conclusão de que a Igreja estava divorciada da Bíblia – e assim, pregou contra os desvios da Igreja.
Logo suas idéias provocaram a inimizade do papa e ele recebeu a ordem de comparecer ao Concílio de Constança com um salvo-conduto do imperador.

O salvo-conduto, porém, não foi cumprido e suas idéias, como as de Wyclif foram condenadas. Como recusou a retratar-se, foi queimado na fogueira em 1415, por ordem do concílio.

A verdade é que os perseguidores podem destruir os corpos dos homens, mas não podem destruir idéias, e as idéias de Huss foram disseminadas por seus seguidores.

Outro pré-reformador que devemos fazer menção é:

Ø  G. SAVANAROLA (1452-1498) – ele procurou reformar o estado e a Igreja, porém sua pregação contra a vida desregrada do papa provocou sua morte.

Por ordem do papa Alexandre VI, Savanarola foi enforcado e queimado no ano de 1498, em Florença na Itália.

Aqui vale destacar que além dos movimentos liderados pelos precursores da reforma, ocorreram outras tentativas de reformar a Igreja, mas sem êxito.

No século XVI a situação era bastante própria a uma reforma da Igreja. A Europa estava no limiar de uma nova época política e social.

®    Gutenberg revolucionara o processo de impressão do livro.
®    Colombo descobria a América...
®    E o descontentamento com a Igreja persistia.

Tudo isso preparava o terreno para a reforma. E, portanto, Lutero, Zwínglio, G. Farel, Calvino e João Knox foram os homens que Deus levantou para desencadear a movimento que resultou na Reforma Religiosa do Século XVI.

Todavia, os dois expoentes da Reforma foram: Lutero e Calvino
Ø  MARTINHO LUTERO – nasceu no dia 10 de novembro de 1483. Sua família era pobre e ele lutou com muita dificuldade para estudar. Preparava-se para ingressar no curso de direito, quando resolveu tornar-se monge.

Lutero entrou para o mosteiro agostiniano de Erfurt antes de completar 22 anos de idade. Dois anos mais tarde foi ordenado sacerdote.

No ano seguinte foi para Wittenberg se preparar para ser professor na recém-criada Universidade daquela cidade. Foi lá que Lutero dedicou-se ao estudo das Escrituras.

E, ao estudar a epistola de Romanos, descobriu que “o justo viverá por fé” – Rm 1.17. Ele já havia feito tudo o que a igreja indicava para alcançar a paz com Deus, mas sua situação interior só piorava.
Ao descobrir a graça redentora, entregou-se a Jesus Cristo, pela fé, e encontrou a paz e a segurança da salvação.
Na véspera do dia de todos os santos, ou seja, 31 de outubro de 1517, dia em que todos os camponeses viriam a Wittenbeg para a missa, Lutero afixou as 95 teses contra as indulgencias, na porta da Igreja do Castelo Wittenbeg.
Era o início da Reforma.
A Reforma luterana se realizou firmada nos seguintes princípios:
1- Supremacia das Escrituras – isto é, toda autoridade da igreja, seja pelo bispo, seja pelo concílio, está sujeita à Bíblia.
2- Justificação pela fé – com isso Lutero cria que ninguém será justificado por obras. “pois o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”.
3- Sacerdócio universal dos crentes – para este reformador, o crente não precisa da virgem Maria como intercessora nem como intermediária. Em Cristo Jesus, pela fé, ele tem acesso à graça de Deus.
Na verdade Lutero tentou reformar a Igreja romana, mas esta não quis ser reformada, antes, o perseguiu violentamente.
Em 1521 ele foi excomungado e nesse mesmo ano Lutero teve que se esconder durante dez meses para não ser morto.
Depois voltou para Wittenbeg, onde comandou a expansão do movimento de Reforma. Finalmente, em 18 de fevereiro de 1546, Lutero partiu para a glória com 63 anos de idade.
Mas, o que dizer de João Calvino?
Calvino nasceu na França, no dia 10 de julho de 1509. Foi o homem responsável pela sistematização doutrinária e pela expansão do protestantismo reformado.
Com 27 anos, Calvino publicou a sua mais importante obra, conhecida ainda hoje como: Institutas de Calvino é a mais completa obra produzida no período da Reforma. Com isso ele se tornou um dos mais importantes líderes da Reforma na França.
A obra de Reforma para a fé cristã, bob a orientação de Calvino tem cinco pontos básico:
  1. Depravação total – aqui Calvino ressalta que o homem é inteiramente corrompido pelo pecado e incapaz de se salvar.
  2. Eleição incondicional – Assim, a escolha de alguns homens para a santidade e para a vida eterna não se baseia em nenhum mérito ou virtude humana, mas unicamente no amor e na misericórdia de Deus.
  3. Expiação limitada – sendo o sacrifício de Cristo suficiente para expiação de todo pecado, só é eficiente para expiação do pecado daquele que o recebe como Senhor e Salvador, pela fé.
  4. Graça irresistível – isto significa que a operação da graça de Deus é de tal maneira que, embora não haja violência, não poderá ser resistida.
  5. Perseverança dos santos – por fim, Calvino entende, por meio das Escrituras, que os salvos, são salvos para sempre.
Embora expressos de maneira diferente, os princípios reformadores em Lutero e Calvino são praticamente os mesmos.
O estabelecimento da Reforma se fez à custa de suor, sangue e lagrimas, e isto tanto da parte dos predecessores como da dos executores.
Somente de Deus poderia vir a força de Lutero, por exemplo – para dizer diante da dieta de Worms:
“Se não for convencido por argumentos da Sagrada Escritura ou por razões plausíveis... estará presa a minha consciência pela Palavra de Deus. Retratar-me não posso e não quero... que Deus me ajude. Amém”.
Hoje, nós estamos aqui para dizer que valeu a tenacidade, a constância e a coragem daqueles homens de Deus.
Com a Reforma os pecadores:
v  Foram conscientizados para o fato de que podiam encontrar graça e misericórdia em Deus por meio da fé.
v  Foram esclarecidos de que a salvação é de graça. Sendo assim, não teriam que fazer penitências intermináveis para conquistá-la.
v  Os pecadores tiveram seus ouvidos abertos para o fato de que a Igreja Católica Romana estava, na verdade ludibriando o povo quando designou João Tetzel para dramaticamente persuadir as pessoas a comprar as indulgências para libertar do “purgatório” as almas de seus parente, dizendo:
§  “... logo que uma moeda bater no fundo da caixa, a alma saltará do purgatório e dirigir-se-á em liberdade para o céu...”
v  Com a Reforma, os pecadores podiam encontrar na Bíblia que Lutero traduzira para o alemão, as verdades eternas da Palavra de Deus que estavam escondidas do povo.
Como fruto da Reforma, os muitos escritos de Lutero como de Calvino, eram orientações seguras para os crentes.
Com a Reforma Genebra se tornou um modelo de moralidade e de conhecimento, tornando-se também, centro de refúgio para os perseguidos par causa da fé.
Pois bem irmãos: os pré-reformadores – João Wyclif, João Huss e G. Savanarola, juntamente com os executores da reforma – Martinho Lutero, Zwínglio, Guilherme Farel, João Calvino e João Knox, foram instrumentos de Deus na Reforma Religiosa de século XVI.
E de acordo com as Escrituras a Reforma da Igreja é sempre incompleta na terra. O processo de Reforma deve ser contínuo até o fim do mundo.
Em nenhum ponto do presente a Igreja pode dizer: cheguei – ainda temos uma longa jornada até o céu.

Rev. Gilvan de Oliveira Silva – Igreja Presbiteriana do Brasil - Érico Cardoso - Ba, 30/10/11.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011


William O. Einwechter
O feminismo é um movimento radical. Como tal, ele atinge até as raízes do relacionamento entre homem e mulher, e busca alterar a estrutura social e institucional, que é percebida como conflitante com as ideais e objetivos do feminismo. Janet Richards declara que “O feminismo é em sua natureza radical… nós protestamos primeiramente contra as instituições sociais… se considerarmos o passado não há dúvida de que toda a estrutura social foi planejada para manter a mulher inteiramente sob a dominação do homem.”[1] Sendo uma ideologia radical, o objetivo do feminismo é a revolução. Gloria Steinem fala pelas feministas quando diz: “Pregamos uma revolução, não apenas uma reforma. É uma mudança mais profunda que qualquer outra.”[2] Feministas querem criar uma “nova sociedade” onde as condições restritivas sociais do passado sejam para sempre removidas.[3] Quão bem sucedidas feministas foram em promover sua agenda de revolução social? Davidson diz: “Hoje, o feminismo é a ideologia de gênero da nossa sociedade. Desde as universidades até as escolas públicas, da mídia até as Forças Armadas, o feminismo decide as questões, determina os termos do debate, e intimida oponentes em potencial ao ponto do silêncio absoluto.”[4]
A instituição social que o feminismo tem mirado como uma das mais opressivas a mulher é a família tradicional. Por “família tradicional” queremos dizer a estrutura familiar desenvolvida na sociedade Ocidental, sob a influência direta do Cristianismo e a Bíblia. Na família tradicional, o homem é o cabeça do lar e o responsável por prover as coisas necessárias para o sustento da vida. A mulher é a “mantenedora do lar”, e sua principal responsabilidade é o cuidado com as crianças. A família tradicional assim definida é de acordo com o plano bíblico para o lar. Feministas odeiam a família que é padronizada de acordo com a Palavra de Deus porque é contrária a tudo que aceitam como verdade. Portanto, seu objetivo é a destruição total da família tradicional. A feminista Roxanne Deunbar disse claramente: “Em última análise, queremos destruir os três pilares da sociedade de classes e castas – a família, a propriedade privada, e o estado.”[5] Feministas buscam subverter a família tradicional, e no seu lugar almejam uma instituição social radicalmente diferente que é moldada segundo o dogma feminista.
Quando consideramos a natureza radical do feminismo e da sua agenda para subverter a família que é estruturada segundo o modelo bíblico, seria sábio parar um pouco e refletir o quão bem sucedidas feministas tem sido em remodelar a família de acordo com o seu próprio desígnio. O fato é que na sociedade Ocidental o feminismo tem sido enormemente bem sucedido em destruir a família tradicional. A feminização da família já foi estabelecida! Por “feminização da família” queremos dizer o moldar da família de acordo com as crenças e objetivos do feminismo. Essa feminização ocorreu nos últimos trinta anos e com pouca oposição dos homens. Os homens sumiram amedrontados com as acusações feministas de sexismo, repressão, tirania e exploração, como um covarde fugiria diante de acusações de determinado inimigo em campo de batalha. Nada parece ter aterrorizado tanto os homens do que encaradas e palavras iradas de feministas.
Agora, quando dizemos que a feminização da família já foi estabelecida, não queremos dizer que as feministas alcançaram totalmente seus objetivos em relação à família. Queremos dizer, no entanto, que uma revolução na vida da família por influência feminista e de acordo com a ideologia feminista já foi estabelecida na sociedade ocidental. Hoje, a instituição social da família está mais alinhada com a visão de Betty Friedan do que com os ensinamentos do apóstolo Paulo. Isso representa um triunfo (pelo menos parcial) da visão radical feminista de revolução social.
A feminização da família é observada em pelo menos seis áreas:
1. O casamento foi desestabilizado, e o divórcio está numa crescente.
A “demonização” feminista do casamento fez do divórcio algo “socialmente e psicologicamente aceitável, através da ideia de que é uma possível solução para uma instituição defeituosa e já em seu leito de morte.”[6] O ensinamento bíblico que casamento é uma instituição divina e pactual que une homem e mulher para o resto da vida através de um voto sagrado (Gen. 2:18-24; Mat. 19:3-9) foi repudiado pela sociedade moderna. O conceito bíblico foi substituído pela noção de que casamento é uma mera instituição humana, e por isso imperfeita, e que o divórcio é uma forma aceitável de lidar com qualquer problema associado ao casamento.
2. A liderança masculina na família foi substituída por uma organização “igualitária” onde marido e esposa “compartilham” as responsabilidades da liderança na família.
A ideia bíblica de que o homem é o cabeça da família (1 Cor. 11:3-12; Ef. 5:22-23) e senhor do seu lar (1 Pe. 3:5-6) é considerada por feministas algo tirânico e bárbaro, um vestígio do homem primitivo e sua habilidade de dominar fisicamente sua parceira. Nos nossos dias, a esmagadora maioria de ambos homens e mulheres zombam da noção de que a esposa deve se submeter à autoridade do marido.
3. O homem como provedor foi rejeitado, e introduzido um novo modelo de responsabilidade econômica compartilhada.
A visão da nossa era é que o homem não é mais responsável do que a mulher por prover as necessidades financeiras da família. Feministas creem que o ensinamento bíblico que o homem é o provedor da família (1 Tim. 5:9) é parte de uma conspiração masculina para manter as mulheres sob seu domínio por fazerem delas economicamente dependentes dos homens.
4. A mulher como uma dona do lar de tempo integral é zombada, e a mulher que trabalha fora buscando realização e independência é agora a norma cultural.
O mandamento bíblico para que a mulher seja “dona do lar” (Tito 2:4-5) ou é desconhecido ou ignorado. Pessoas com a mentalidade feminista consideram algo indigno que uma mulher fique em casa e limite suas atividades à esfera do lar e da família. Uma carreira profissional é considerada mais conveniente e significante para as esposas e mães de hoje.
5. A norma bíblica da mulher como cuidadora de suas crianças foi substituída pelo ideal feminista de uma mãe que trabalha fora e deixa seus filhos na creche para que ela possa cuidar de outros assuntos importantes.
A responsabilidade da maternidade é vista em termos muito diferentes do que no passado. O chamado bíblico para a mãe de estar com suas crianças, amá-las, treiná-las, ensiná-las, e protegê-las (1 Tim. 2:15; 5:14) é rejeitado pela visão feminista de uma mulher que foi libertada de tais limitações sobre sua individualidade e realização própria.
6. A ideia de que uma família grande é uma “bênção” é rejeitada por uma noção de que uma família pequena de um ou dois filhos (e para alguns, nenhum filho) é muito melhor.
O conceito de “planejamento familiar” objetivando reduzir o número de crianças num lar é defendido por quase todos. O ensino bíblico de que uma família grande é sinal de bênçãos e da soberania de Deus (Salmo 127; 128) é ignorado por famílias modernas, até mesmo aquelas proclamando serem cristãs. A visão feminista que nós determinamos o número de crianças que nós teremos, e que nós somos soberanos sobre esse assunto é agora aceito sem questionamento. E é claro, essa suposta soberania humana sobre a vida e o nascimento leva a justificação do aborto, que é o maior controle de natalidade de todos.
Sim, a feminização da família foi estabelecida no Ocidente! O conceito cristão de família foi substituído pela ideia feminista de família: divórcio fácil substituiu a visão pactual do casamento; igualitarismo substituiu a liderança masculina; o homem e a mulher como provedores em parceria substituiu o homem como provedor; a esposa e mãe que trabalha fora do lar substituiu a mulher como dona do lar; a mãe como uma empregada profissional substituiu a mãe como cuidadora de suas crianças; “planejamento familiar” e “controle de natalidade” substituíram a grande família.
Dois fatores contribuíram significantemente para o sucesso do feminismo na subversão da estrutura e prática familiar que é baseada na Bíblia.
primeiro fator é a covardia dos homens; sim, até mesmo homens cristãos. Até certo ponto é compreensível (mesmo assim vergonhoso) que homens não-cristãos se acovardassem diante das feministas e seus ataques contra eles e a família tradicional. Mas que homens cristãos, que tem a Palavra de Deus, igualmente tenham se rendido é realmente lamentável. Deus chamou homens para defenderam a Sua verdade no mundo e viverem Seus preceitos. Mas um olhar para o lar evangélico cristão mediano revelará que até mesmos eles foram largamente feminizados. Feministas radicais e anticristãs transformaram nossos lares, e os homens cristãos quase não objetaram contra isso, nem disputaram por esse santo território, que é o padrão familiar bíblico. E ainda, maridos e pais cristãos também demonstraram covardia ao serem incapazes de liderar e assumir a responsabilidade que Deus os entregou. Eles estiveram mais que dispostos a abrir mão da carga total de liderança e provisão para suas famílias; eles estiveram mais que alegres de compartilhar (ou despejar) essas cargas com (ou sobre) suas esposas. A família foi feminizada porque homens cristãos abandonaram seus postos.
segundo fator é o silêncio e a passividade da igreja. A feminização da família ocorreu em boa parte porque a igreja na maior parte do tempo esteve em silêncio sobre a questão. A igreja não resistiu os ataques feministas com a espada da Palavra de Deus. Ao invés disso, e vergonhosamente, a igreja abandonou seu posto diante da investida feminista, e na verdade até absorveu várias ideias feministas. A igreja vem sendo cúmplice ao ensinar coisas como um casamento igualitário, “planejamento familiar”, e por apoiar a ideia de mulheres profissionais e mães trabalhando fora. Muito da culpa deve ser depositada aos pés de pastores e anciãos que ou foram enganados ou se acovardaram de pregar ou se posicionar pela verdade concernente à família como Deus a revelou na Sua Santa Palavra. Feministas tem sido bem sucedidas em alterar a família porque a igreja falhou em viver e ensinar a doutrina bíblica positiva sobre a família e não expôs, denunciou, e respondeu as mentiras das feministas.
Qual deve ser a nossa resposta como cristãos diante da feminização da família? Nossa resposta começa com o reconhecimento de que isso aconteceu. Negar o fato não nos fará bem algum. Então, devemos assumir a tarefa de “desfeminização” da família e da “re-Cristianização” da família. Essa tarefa é o dever de cada família cristã individualmente; mas é principalmente o dever de maridos e pais cristãos que foram escolhidos por Deus como líderes de seu lar. Homens devem liderar através de preceitos e exemplos na erradicação de todos os aspectos da influência feminista da vida e estrutura de suas famílias, e a restaurar segundo o padrão bíblico. Homens devem ser homens e tomar sobre si a carga total da responsabilidade confiada a eles por Deus. Homens devem parar de se intimidar com a retórica feminista e devem promover a ordem de Deus em suas famílias sem receio.
A tarefa de reconstrução da família de acordo com a Palavra de Deus também faz necessário que a igreja ensine fielmente o que a Bíblia diz sobre a família, e em muitos casos, a alterarem a estrutura de suas igrejas e ministérios (que também foram feminizados) para fortalecerem a família em vez de miná-la. Faz-se necessário que pastores e anciãos respeitam a instituição pactual da família, e parem de entregar o senhorio de suas famílias, e parem de perseguir aqueles homens que buscam uma “desfeminização” das suas próprias famílias. Faz-se necessário que pastores e anciãos sejam um exemplo para o rebanho na “desfeminização” das suas próprias famílias. E faz-se necessário que professores e pregadores com a coragem e a convicção de João Knox e João Calvino exponham as mentiras venenosas do dogma feminista e declararem e defendam o padrão bíblico para a família desde o púlpito.
=====================================
Fontes:
1. Citado por Michael Levin em Feminism and Freedom [Feminismo e Liberdade] (New Brunswick, 1988), p. 19.
2. Idem.
3. Idem.
4. Nicholas Davidson, “Prefácio”, em Gender Sanity [Sanidade de Gênero], ed. Nicholas Davidson (New York, 1989), p. vi.
5. Citado por Rita Kramer em “The Establishment of Feminism” [Estabelecendo o Feminismo], em Gender Sanity [Sanidade de Gênero], p. 12 (ênfase acrescentada).
6. Levin, Feminism and Freedom [Feminismo e Liberdade], p. 277.

Fonte: Monergismo
Tradução: Isaac Barcellos
Original: Darash Press