31 de outubro é uma data que se constitui de grande valor para o protestantismo mundial. Amanhã, estaremos comemorando 494 anos da Reforma Protestante.
Historicamente a igreja nasceu no dia de Pentecostes. A princípio, ela era apenas uma seita do judaísmo – At 24.14; 28.22. Mas com o passar do tempo adquiriu identidade própria.
Inicialmente, os cristãos foram violentamente perseguidos pelos judeus e pelos romanos. A perseguição, contudo, ajudava a igreja, pois com isso os cristãos tornaram-se mais ousados, e os falsos crentes não suportavam a pressão e saiam.
Assim, a igreja ia ao mesmo tempo, se fortalecendo e si purificando. Porém, no século IV cessaram as perseguições.
No ano 313, Constantino e Licínio, concorrentes ao trono imperial, se encontraram e assinaram o Edito de Milão, concedendo plena liberdade ao Cristianismo.
Aparentemente, eles fizeram uma boa ação, mas finalmente tal liberdade gerou libertinagem.
Em 323, Constantino finalmente derrotou Licínio, tornando-se o único governante do mundo romano, que se estendia do Atlântico ao Eufrates, e do mar do norte ao deserto africano, com aproximadamente 120 milhões de habitantes.
Com seu tino político, Constantino, sentiu a necessidade de unificar o império.
“havia uma só lei, um só imperador e uma única cidadania para todos os homens livres – era necessário que houvesse também uma só religião”.
Com isso o Cristianismo passou a ter proteção do Império Romano. E a partir daí, a Igreja Cristã passou a receber um grande número de adesões.
Assim, a porta de entrada para a Igreja, já não era a conversão, e sim a conveniência, e muita pessoas, sem a verdadeira conversão entraram para a Igreja.
Entretanto, as atuações de tais pessoas e a influência do mundo pagão levaram a Igreja a adotar doutrinas e práticas que se chocaram brutalmente com os ensinos bíblicos.
Vejamos algumas destas inovações:
® Em 320 adotaram o uso de velas;
® Em 375 instituíram o culto aos santos;
® Em 394 estabeleceram a missa;
® Em 431 constituíram o culto à virgem Maria;
® Em 503 abraçaram a doutrina do purgatório;
® Em 606 idealizaram a universalidade do bispo de Roma;
® Em 709 inventaram a obrigatoriedade do beijo nos pés do papa;
® Em 873 passaram a adorar imagens e relíquias;
® Em 850 inventaram o uso de água benta;
® Em 993 conceberam a idéia de canonizar os santos;
® Em 1090 inventou-se o rosário;
® Em 1190 adotaram a venda de indulgencias;
® Em 1229 proibiram a leitura da Bíblia.
Com tudo isso introduzido no seio e prática da Igreja, esta já não era mais a Igreja dos primeiros Cristãos.
Algumas pessoas afirmam que a Igreja organizada pelos apóstolos é a Igreja Católica Romana. Quanto a isto, devemos esclarecer o seguinte:
1. A igreja dos apóstolos não adotou nenhum nome especifico. Ela é chamada no NT. Simplesmente de IGERJA. Historicamente ela é denominada de Igreja Primitiva por ter sido a primeira.
2. O sistema de governo e a organização da Igreja Primitiva, suas doutrinas e sua liturgia eram bem diferentes do que é praticado pela Igreja Católica Romana.
3. A verdade é que a I.C.R. surgiu das transformações ocorridas na Igreja Primitiva. Transformações que, lamentavelmente, só afastaram a igreja dos ensinos de Jesus Cristo.
As heresias que vimos, aliadas à corrupção e imoralidade do Clero, levaram a Igreja a perder suas principais características de Igreja Cristã.
Contudo, ainda existiam pessoas sinceras, tementes a Deus que clamavam por uma reforma.
A partir da Renascença – por volta de 1350 – o mundo ocidental experimentou um sentimentalismo crescente de nacionalismo.
Os povos não queriam submeter-se a Roma. E havia por toda parte intenso desejo naqueles que eram a Verdadeira Igreja, de se fazer voltar à Igreja Oficial, isto é, voltar aos princípios evangélicos.
Dentre os que lutaram, e até deram a vida pela reforma da Igreja, temos:
Ø JOÃO WYCLIF (1328-1384) – nascido na Inglaterra. Este homem foi chamado “estrela da alva” da reforma.
Foi o mais culto e destacado professor da Universidade de Oxford, escreveu vários livros e traduziu a Bíblia do latim para o inglês, a fim de que seu povo pudesse ler a Palavra de Deus.
Escapando ileso de dois julgamentos, Wyclif morreu em paz, em 1384. Trinta e um anos após sua morte ele foi condenado, seu corpo queimado e suas cinzas lançadas no rio.
Outro precursor da reforma foi:
Ø JOÃO HUSS – natural da boêmia, nascido em 1373, ocupou lugar de destaque na Universidade de Praga. Foi grande pregador e possuidor de uma eloqüência incomum.
Como pregador na capela de Belém, em Praga, começou a estudar as Escrituras e chegou à conclusão de que a Igreja estava divorciada da Bíblia – e assim, pregou contra os desvios da Igreja.
Logo suas idéias provocaram a inimizade do papa e ele recebeu a ordem de comparecer ao Concílio de Constança com um salvo-conduto do imperador.
O salvo-conduto, porém, não foi cumprido e suas idéias, como as de Wyclif foram condenadas. Como recusou a retratar-se, foi queimado na fogueira em 1415, por ordem do concílio.
A verdade é que os perseguidores podem destruir os corpos dos homens, mas não podem destruir idéias, e as idéias de Huss foram disseminadas por seus seguidores.
Outro pré-reformador que devemos fazer menção é:
Ø G. SAVANAROLA (1452-1498) – ele procurou reformar o estado e a Igreja, porém sua pregação contra a vida desregrada do papa provocou sua morte.
Por ordem do papa Alexandre VI, Savanarola foi enforcado e queimado no ano de 1498, em Florença na Itália.
Aqui vale destacar que além dos movimentos liderados pelos precursores da reforma, ocorreram outras tentativas de reformar a Igreja, mas sem êxito.
No século XVI a situação era bastante própria a uma reforma da Igreja. A Europa estava no limiar de uma nova época política e social.
® Gutenberg revolucionara o processo de impressão do livro.
® Colombo descobria a América...
® E o descontentamento com a Igreja persistia.
Tudo isso preparava o terreno para a reforma. E, portanto, Lutero, Zwínglio, G. Farel, Calvino e João Knox foram os homens que Deus levantou para desencadear a movimento que resultou na Reforma Religiosa do Século XVI.
Todavia, os dois expoentes da Reforma foram: Lutero e Calvino
Ø MARTINHO LUTERO – nasceu no dia 10 de novembro de 1483. Sua família era pobre e ele lutou com muita dificuldade para estudar. Preparava-se para ingressar no curso de direito, quando resolveu tornar-se monge.
Lutero entrou para o mosteiro agostiniano de Erfurt antes de completar 22 anos de idade. Dois anos mais tarde foi ordenado sacerdote.
No ano seguinte foi para Wittenberg se preparar para ser professor na recém-criada Universidade daquela cidade. Foi lá que Lutero dedicou-se ao estudo das Escrituras.
E, ao estudar a epistola de Romanos, descobriu que “o justo viverá por fé” – Rm 1.17. Ele já havia feito tudo o que a igreja indicava para alcançar a paz com Deus, mas sua situação interior só piorava.
Ao descobrir a graça redentora, entregou-se a Jesus Cristo, pela fé, e encontrou a paz e a segurança da salvação.
Na véspera do dia de todos os santos, ou seja, 31 de outubro de 1517, dia em que todos os camponeses viriam a Wittenbeg para a missa, Lutero afixou as 95 teses contra as indulgencias, na porta da Igreja do Castelo Wittenbeg.
Era o início da Reforma.
A Reforma luterana se realizou firmada nos seguintes princípios:
1- Supremacia das Escrituras – isto é, toda autoridade da igreja, seja pelo bispo, seja pelo concílio, está sujeita à Bíblia.
2- Justificação pela fé – com isso Lutero cria que ninguém será justificado por obras. “pois o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”.
3- Sacerdócio universal dos crentes – para este reformador, o crente não precisa da virgem Maria como intercessora nem como intermediária. Em Cristo Jesus, pela fé, ele tem acesso à graça de Deus.
Na verdade Lutero tentou reformar a Igreja romana, mas esta não quis ser reformada, antes, o perseguiu violentamente.
Em 1521 ele foi excomungado e nesse mesmo ano Lutero teve que se esconder durante dez meses para não ser morto.
Depois voltou para Wittenbeg, onde comandou a expansão do movimento de Reforma. Finalmente, em 18 de fevereiro de 1546, Lutero partiu para a glória com 63 anos de idade.
Mas, o que dizer de João Calvino?
Calvino nasceu na França, no dia 10 de julho de 1509. Foi o homem responsável pela sistematização doutrinária e pela expansão do protestantismo reformado.
Com 27 anos, Calvino publicou a sua mais importante obra, conhecida ainda hoje como: Institutas de Calvino é a mais completa obra produzida no período da Reforma. Com isso ele se tornou um dos mais importantes líderes da Reforma na França.
A obra de Reforma para a fé cristã, bob a orientação de Calvino tem cinco pontos básico:
- Depravação total – aqui Calvino ressalta que o homem é inteiramente corrompido pelo pecado e incapaz de se salvar.
- Eleição incondicional – Assim, a escolha de alguns homens para a santidade e para a vida eterna não se baseia em nenhum mérito ou virtude humana, mas unicamente no amor e na misericórdia de Deus.
- Expiação limitada – sendo o sacrifício de Cristo suficiente para expiação de todo pecado, só é eficiente para expiação do pecado daquele que o recebe como Senhor e Salvador, pela fé.
- Graça irresistível – isto significa que a operação da graça de Deus é de tal maneira que, embora não haja violência, não poderá ser resistida.
- Perseverança dos santos – por fim, Calvino entende, por meio das Escrituras, que os salvos, são salvos para sempre.
Embora expressos de maneira diferente, os princípios reformadores em Lutero e Calvino são praticamente os mesmos.
O estabelecimento da Reforma se fez à custa de suor, sangue e lagrimas, e isto tanto da parte dos predecessores como da dos executores.
Somente de Deus poderia vir a força de Lutero, por exemplo – para dizer diante da dieta de Worms:
“Se não for convencido por argumentos da Sagrada Escritura ou por razões plausíveis... estará presa a minha consciência pela Palavra de Deus. Retratar-me não posso e não quero... que Deus me ajude. Amém”.
Hoje, nós estamos aqui para dizer que valeu a tenacidade, a constância e a coragem daqueles homens de Deus.
Com a Reforma os pecadores:
v Foram conscientizados para o fato de que podiam encontrar graça e misericórdia em Deus por meio da fé.
v Foram esclarecidos de que a salvação é de graça. Sendo assim, não teriam que fazer penitências intermináveis para conquistá-la.
v Os pecadores tiveram seus ouvidos abertos para o fato de que a Igreja Católica Romana estava, na verdade ludibriando o povo quando designou João Tetzel para dramaticamente persuadir as pessoas a comprar as indulgências para libertar do “purgatório” as almas de seus parente, dizendo:
§ “... logo que uma moeda bater no fundo da caixa, a alma saltará do purgatório e dirigir-se-á em liberdade para o céu...”
v Com a Reforma, os pecadores podiam encontrar na Bíblia que Lutero traduzira para o alemão, as verdades eternas da Palavra de Deus que estavam escondidas do povo.
Como fruto da Reforma, os muitos escritos de Lutero como de Calvino, eram orientações seguras para os crentes.
Com a Reforma Genebra se tornou um modelo de moralidade e de conhecimento, tornando-se também, centro de refúgio para os perseguidos par causa da fé.
Pois bem irmãos: os pré-reformadores – João Wyclif, João Huss e G. Savanarola, juntamente com os executores da reforma – Martinho Lutero, Zwínglio, Guilherme Farel, João Calvino e João Knox, foram instrumentos de Deus na Reforma Religiosa de século XVI.
E de acordo com as Escrituras a Reforma da Igreja é sempre incompleta na terra. O processo de Reforma deve ser contínuo até o fim do mundo.
Em nenhum ponto do presente a Igreja pode dizer: cheguei – ainda temos uma longa jornada até o céu.
Rev. Gilvan de Oliveira Silva – Igreja Presbiteriana do Brasil - Érico Cardoso - Ba, 30/10/11.