segunda-feira, 18 de junho de 2012

FESTAS JUNINAS – O PROCEDIMENTO CRISTÃOS


Cl 2.6-8

Irmãos, o texto que lemos mostra a preocupação do Apostolo Paulo com a igreja de Colossos. Havia naquela Igreja muitos falsos mestres espalhando uma heresia perniciosa – eles diziam que Cristo era bom até certo ponto, se, todavia os irmãos quisessem experimentar a plenitude verdadeira, seria necessário acrescentar algo mais.

Como se não bastasse, a Igreja de Colossos estava inserida num contexto pagão. Naquela cidade havia uma nojenta adoração à deusa Cibele, um sincretismo filosófico e uma ênfase nos rituais do VT, que influenciou a igreja de Colossos.

Por isso Paulo alerta aqueles irmãos dizendo:
v.6 “Ora, como recebeste a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele,
v.7 nele radicados e edificados e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças.
v.8 Cuidado que ninguém vos venha a enredar = enrolar, embaraçar com sua filosofia e vãs subtilezas, conforme os rudimentos = elementos do mundo e não segundo a Cristo”.

É claro, os irmãos não são membros da Igreja de Colossos, todavia as palavras do apostolo Paulo são relevantes para nós hoje, pois estamos vivendo um mês de festas pagãs e precisamos fazer valer estas orientações bíblicas para nossas vidas.     
   
As festas juninas estão presentes no calendário brasileiro, como festividades religiosas ou folclóricas, celebradas a cada ano no mês de junho.

Cada região realiza essas comemorações a seu estilo, como tradições típicas do evento e, em celebração a Antônio, João e Pedro são feitas as diversas manifestações folclóricas.

Nestas festas são expressos os variados conceitos em relação a tais homenageados, celebrando costumes de crença pessoal ou apenas herdados de outros, bem como oriundos da suposição popular.

Outros realizam eventos pelo gosto da euforia da festa em si, sem se importarem com o significado tradicional das festas.

Alguns apenas aproveitam o ensejo da festa para realizar seus objetivos particulares ou coletivos, como promoções de eventos sociais, festivos ou filantrópicos, mas desconsideram completamente a essência das comemorações juninas.

Dessas misturas de razões conceitos ou tradições, surge o costume de se fazer as festas mas sem a compreensão da natureza das mesmas, e chega-se ao ponto de fazer algo só por fazer, sem saber o que realmente significa.

Muitos estão assim – repetindo ou simplesmente fazendo ou participando dessas festas por mero gosto e costume tradicional, porém desconhecendo a essência real dessas comemorações.
           
Dentre o povo de Deus alguns têm dúvidas sobre esse assunto, ficando indecisos quanto ao posicionamento cristão sobre o mesmo.

Portanto, meu objetivo ao abordar esse assunto é oferecer uma resposta cristã que possa pautar a conduta dos servos de Deus, frente a essas festas tão comuns no meio em que vivemos.

Definição popular – “Festas juninas”, dentro da tradição atual ou costume popular moderno, são os festejos realizados no mês de junho, como celebração aos considerados santos, Antônio, dia 13, São João, dia 24 e São Pedro, dia 29.

Essas festividades hoje são partes viva do folclore, ou seja, da crença nacional, e são realizadas com grande empenho e euforia, segundo as crendices e costumes próprios desses eventos.

Histórico das festas juninas As Festas Juninas possuem uma longa historia, procedem de varias culturas e seus folclores, isto é, crença de um povo.

Por desconhecerem essa diversidade de origens e comemorações é que muitos fazem esses festejos como simples tradições populares ou expressões culturais apenas.

Conhecendo o histórico dessas tradições se compreende a razão ou motivação das mesmas, e assim é possível se posicionar acerca desse assunto.

Portanto, em primeiro lugar, quero conscientizar os irmãos que festa junina é:

I – Festa da fertilidade no mundo antigo.

Desde épocas antigas se tem festejado divindades consideradas guardiãs, protetoras ou mantenedoras da vida ou responsáveis pela natureza.

Na antiguidade muitas eram essas divindades com seus cultos e algumas predominaram como mais influentes.

Uma grande celebração antiga era a Festa da Fertilidade, a qual se comemorava as colheitas e produções dos rebanhos.

No Império Romano se realizava a Festa da Fertilidade, chamada “junônia”, em homenagem à deusa Juno.

Essa deusa era a mesma “Hera” dos gregos, que conforme crendice antiga se uniu incestuosamente com Júpiter, seu irmão, sem que seus pais o soubessem.

Tal divindade veio a ser símbolo da união conjugal, da fertilidade e da maternidade, bem como guardiã da mulher, do nascimento e da própria morte.

Juno era uma deusa tão famosa e cultuada que os romanos lhe dedicaram um mês do ano – Junho.

E como eram festas de celebração da fertilidade, nestas comemorações “junônias” ou “juninas” havia oferendas da vida agrícola e pastoril, alem de folguedos = folias, brincadeiras, divertimentos, danças e várias comidas, bem como expressões folclóricas alusivas à vida no campo. Essas são as origens primarias das Festas Juninas – celebrações à deusa Juno.

E hoje se há um mês chamado Junho e nele essas festas, é porque originalmente Juno era tão cultuada como deusa da Fertilidade que lhe homenagearam com o nome de um mês e a ela celebravam grande festa própria, tributando-lhe honras como deusa responsável pela fertilidade geral.

Resumindo, Festas Juninas, antes de serem simplesmente festas do mês de Junho, eram festas à deusa Juno, celebradas desde o passado remoto, e adaptadas a vários povos e culturas.

Em segundo lugar, quero chamar a atenção dos irmãos para as:

II – Homenagens a personalidades ilustres.

Uma realidade dentro do paganismo é a mistura que se faz dos conceitos religiosos, modificando, substituindo ou apenas adaptando crendices e cultos.

 As comemorações juninas passaram por um processo de adaptação geral, mas preservando-se a essência e formas das comemorações antigas. Mudaram-se nomes e certos conceitos, porém foram preservados o cerne e aspectos fundamentais da crença e cultos antigos.

 Com isso, hoje praticamente ninguém cultua ou faz festas para Juno, pois atualmente festas juninas são em homenagem a St° Antonio, São João, e São Pedro.

Mas se for feita uma avaliação profunda se descobre que predomina mais um folclore pagão do que culto ou louvor a esses personagens.

É conhecido historicamente que a Igreja adaptou a homenagem à deusa Juno para expressões religiosas dedicadas a Antônio, João e Pedro, personagens de alta estima e veneração no Catolicismo Romano.

Vejamos como isso aconteceu:
           
Santo Antônio nasceu em Lisboa, Portugal em 15 de agosto de 1195. Era filho de Martim Bulhão e Tereza Taveira, sendo descendente do quarto rei Friola I da monarquia neo-gótica das Astúrias, na Espanha. Recebeu o nome de Fernando de Bulhão e Taveira de Azevedo, mas optou pelo nome de “Antônio”, o nome mais comum na sua terra, pois preferiu ser humilde e simples. Desde seus quinze anos se tornou missionário pela ordem dos Franciscanos. Servindo em varias localidades, mas foi em Pádua, na Itália, onde foi reconhecido como grande pregador. Faleceu em 13 de Junho de 1231, com trinta e seis anos, sendo declarado “santo” apenas onze meses depois, em 30 de maio de 1232, pelo Papa Gregório IX em Espoleto. É o santo mais elogiado e reconhecido no Catolicismo Romano, considerado solucionador de causas difíceis ou perdidas, e comemorado quase mundialmente como “santo casamenteiro”. Assim, na data da sua morte, 13 de Junho, é homenageado com a primeira das festas juninas, com crendices e celebrações pagãs copiadas do culto á deusa Juno no passado, principalmente no que se refere às questões amorosas ou conjugais.
           
São João é comemorado no dia 24, sendo a maior das Festas juninas. Conforme Mt.14, esse João é o Batista, filho de Zacarias e Izabel, precursor de Jesus, o que pregou e realizou o batismo de arrependimento e encaminhou o mundo para crer no Salvador. No dia 24 de Junho é celebrado no Catolicismo Romano como o dia natalício de João Batista, e isso desde data muito antiga, pois já no século V essa data já era festejada na Igreja Africana. Também essa comemoração esta mais ligada às crendices e culto à deusa Juno do que ao grande profeta João Batista. Ás grandes manifestações alusivas à vida campestre e superstições pagãs são realizadas como homenagens a ele nesta data.

Encerando as festividades juninas está a Festa a São Pedro, no dia 29. Com essa última comemoração homenageia-se Pedro, o apostolo de Jesus. Nesta data celebra-se também homenagem ao apostolo Paulo, mas é Pedro o personagem de destaque na festa. Dia 29 de Junho é considerado no Catolicismo Romano como dia do martírio de Pedro, e essa comemoração é desde o quarto século, pois desde cedo a Igreja Romana já o celebrava liturgicamente. Essa homenagem a Pedro também é nos moldes do culto à deusa Juno, pois esse apóstolo tem sido considerado guardião da vida e da morte, possuidor da chave da porta do céu, além de doador das chuvas para a fertilidade da terra...
           
Observando essa pequena abordagem histórica, se conclui que as Festas juninas têm origens e comemorações vinculadas essencialmente à deusa Juno, e que o que se refere aos três personagens da historia da Igreja não passa de uma grosseira adaptação de crendices oriundas do paganismo.

Por fim, consideraremos:

III – As Festas no contexto brasileiro.

No nosso país celebram-se as Festas juninas desde a chegada dos portugueses.

Aqui elas foram requintadas com várias outras influências, como:
  • As quadrilhas de caráter européias;
  • Os quentões;
  • As pipocas e outros produtos derivados do milho;
  • As fogueiras;
  • Os mastros;
  • Os foguetes;
  • E crenças supersticiosas do paganismo.

Faze-se tamanha euforia em certas festas juninas tradicionais ao ponto da região praticamente parar em função da festa celebrada com bailes, danças ou “forrós”, ou como tradicionalmente chamam de “São João”, “arrasta pé”, ou arraiá...

Em tudo isso fica evidente que nada se relaciona especificamente com Antônio, João e Pedro, e sim são festas para a deusa Juno.

As roupas, os costumes, as comidas e os festejos alusivos à vida no campo, traços característicos dessas festas em nosso país, em nada combinam com esses três personagens da historia da igreja, e sim com a deusa Juno e seu antigo culto onde era celebrada como mãe da natureza.

Assim, no nosso contexto brasileiro, as Festas Juninas são misturas de religiosidade pagã antiga e homenagens a personagens da historia da Igreja, cultuados nos moldes das crenças referentes à deusa Juno, tudo isso mesclado de crendices populares que são superstições grosseiras em nada condizentes com a realidade de Antônio, João e Pedro.

Ou em outras palavras, tudo isso é uma crença que tem suas origens ou razões no paganismo antigo e que hoje é expressa através desses festejos considerados como simples tradição popular.

v.6 “Ora, como recebeste a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele,
v.7 nele radicados e edificados e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças.
v.8 Cuidado que ninguém vos venha a enredar = enrolar, embaraçar com sua filosofia e vãs subtilezas, conforme os rudimentos = elementos do mundo e não segundo a Cristo”.


Por Rev. Gilvan de Oliveira Silva – IPBEC, 05/06/05.

O POSICIONAMENTO CRISTÃO DIANTE DAS FESTAS JUNINAS.


Ezequiel  8: 14-15

Uma das abominações entre o povo de Deus descritas nas visões do profeta Ezequiel, era “mulheres assentadas chorando a Tamuz”, cf. Ez 8.14.
Esse deus siro-fenício era celebrado como senhor da natureza, dos rebanhos e pastagens.
Segundo crendices a seu respeito, ele morria no verão e ressuscitava depois, e com ele nasciam as vegetações.
 Por essa razão na estação seca seus adoradores choravam sua morte, até que posteriormente se alegrassem com folguedos = Folia, brincadeiras e danças na sua ressurreição, quando a natureza se refizesse na primavera.
Era uma divindade tão celebrada que em aproximadamente sete séculos antes de Cristo, os seus adoradores lhe dedicaram um mês no calendário anual – mês de Tamuz.
Tamuz - é o décimo mês do calendário judaico. E por uma não mera coincidência, esse mês antigo corresponde ao período de Junho-Julho do nosso calendário moderno!
Assim já em épocas remotas, Tamuz era cultuado na mudança das estações, tal como séculos mais tarde, nesta mesma época e com os mesmos conceitos essenciais, os gregos celebrariam a deusa Juno.

Para nós cristãos, as Festas juninas não são simples folclore. Conhecemos sua essência e comemorações, e temos um posicionamento contrário as celebrações, das mesmas, pois temos razões para essa nossa convicção cristã.

A primeira razão do nosso posicionamento contrário às celebrações das festas juninas se baseia no fato de que:
           
I – FESTAS JUNINAS É RELIGIOSIDADE PAGÃ.

Avaliando as origens das festas juninas se convence que elas são essencialmente pagãs, são na verdade como cultos á deusa Hera dos Gregos e à deusa Juno dos romanos, tendo ainda uma ligação muito forte com o deus Tamuz, mencionados pelo profeta Ezequiel, como abominação ao Senhor.

A deusa Juno era considerada como:
§  A responsável pela vida e pela morte;
§  Doadora da fertilidade da terra e dos animais, como se a vida animal e vegetal estivessem sob sua regência;
§  Era ainda considerada como providente das uniões conjugais e geradora de descendências futuras.

Sendo assim a deusa Juno era cultuada com as diversas crendices e manifestações festivas com aspectos gerais da vida no campo, seja na busca de favores ou expressões de agradecimentos por parte dos seus adoradores.

E hoje, fazer Festas juninas, ainda que não especificamente para Juno, mas supostamente para Antônio, João e Pedro, também é manifestação pagã tal como para a deusa Juno, pois Festas juninas não são devoções a esses “santos”, mas essencialmente uma crença pagã, com festividades típicas das celebrações antigas à Juno.

Ora, tudo isso é uma blasfêmia contra Deus, pois Ele e não Tamuz, Juno, Antônio, João ou Pedro, é o único doador da vida e o soberano absoluto.
Assim diz a Palavra de Deus:

“Nos céus estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo.” Salmo 103.19.

“... pois Ele mesmo é quem a todos dá a vida, respiração e tudo mais... pois n’Ele vivemos, e nos movemos, e existimos...”Atos 17.25,28.

“Contudo não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e alegria.” Atos 14.17.

Ele é quem “faz chover sobre a terra”. Jó 5.10.

É Deus “... que cobre de nuvens os céus, prepara a chuva para a terra, faz brotar nos montes a erva e dá alimento aos animais...” Salmo 147.8,9.

Essas maravilhas são obras do Senhor Deus. Vejam o que diz o profeta Jeremias no cap.10 v. 5: “Os ídolos são como espantalho em pepinal e não podem falar; necessitam de quem os leve, porquanto não podem andar. Não tenhais receio deles, pois não podem fazer o mal, e não está neles o fazer o bem”. 

Todavia, o profeta Jeremias não para por aí. Vejam ainda cap. 14 v. 22:
 “Acaso haverá entre os ídolos dos gentios algum que faça chover?... Não és tu somente, ò Senhor nosso Deus, o que fazes isto? Portanto em ti esperamos, pois tu fazes essas cousas.”

Nós cristãos cremos e servimos esse único Deus, soberano e providente, e não o deus Tamuz, a deusa Juno, Santo Antônio, São João ou São Pedro.

Conhecemos e adoramos ao Senhor que diz: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois não a darei a outrem...” Isaias 42.8.

Quanto às superstições grotescas das celebrações juninas, de atribuir à deusa Juno ou a Santo Antônio a realização conjugal, isso consideramos absurdo.

Só o Senhor Deus é quem pode nos abençoar na vida conjugal:
  • “O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do Senhor”. Pv 18.22.
  • “A casa e os bens vêm como herança dos pais; mas do Senhor, a esposa prudente”. Pv 19.14.

Também é do Senhor que procede a nossa descendência:
  • “Herança do Senhor são os filhos...” Salmo 127.3
  • Veja mais: Gn 33.5; I Sm 1.27.28.

É Deus quem nos dar os animais:
  • “Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro; porque veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas”. Jó 42.12.
  • “O Senhor tem abençoado muito ao meu senhor, e ele se tornou grande; deu-lhe ovelhas e bois, e prata e ouro, e servos e servas, e camelos e jumentos”. Gn 24.35. 

Também é Ele quem concede a vida e a produtividade agrícola:
  • “Tu visitas a terra e a regas; tu a enriqueces copiosamente; os ribeiros de Deus são abundantes de água...”
  • “Tu a amoleces com chuviscos e lhe abençoa a produção.”
  • “Coroas o ano da tua bondade; as tuas pegadas destilam fartura...” Sl 65.9-13.

Portanto, como cristãos que somos não celebramos as Festas juninas, pois elas são expressões de paganismo.

Considerando suas origens e comemorações antigas, vimos que são muito mais que um simples costume popular ou manifestação cultural. São essencialmente festejos de homenagens a divindades supostamente responsáveis pela fertilidade da terra, dos animais e abençoadoras de uniões conjugais, etc.

Consequentemente, fazer Festa junina é ignorar sua essência pagã e querer substituir o Deus soberano por ídolos das crendices populares.

A segunda razão pela qual nós cristãos não celebramos as Festas juninas se baseia no fato de que:

II – OS SANTOS DAS FESTAS JUNINAS NÃO DEVEM SER CULTUADOS.

Nós cristãos, não reconhecemos e nem cultuamos os santos das Festas juninas nem outros de qualquer natureza. Reconhecemos e cultuamos tão somente a Trindade Santa, na pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Para muitos, fazer Festas juninas como manifestação pagã à deusa Juno seria algo grave e inaceitável.

Por outro lado, os que desconhecem as festas antigas para aquela deusa, pesam que as Festas juninas são para Antônio, João e Pedro, santos da devoção popular, e isso lhes parece até recomendável.

No entanto, as duas manifestações estão erradas. Assim diz o primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim”. Ex 20.3.

Portanto, qualquer manifestação de celebração ao deus Tamuz, à deusa Juno, a Antônio, a João ou a Pedro não tem aval das Escrituras.

Considerando Antônio, João e Pedro, saberemos que foram expoentes importantes e notórios na história, mas nem por isso devem ser cultuados.

Estudando suas biografias os conhecemos como realmente foram e descobrimos que o que se pensa sobre eles ou lhes atribuem nem sempre corresponde com a realidade.


* O mais festejados de todos é o João Batista, dia 24.

Conhecendo sua vida pelas paginas das Escrituras o encontramos como servo humilde e simples, que jamais angariou para si festejos ou condecorações, sendo aquele que regozijava ao ver o Senhor Jesus ser honrado.

Sua vida ministerial a serviço de Jesus pode ser resumida por suas próprias palavras: “Convém que Ele cresça e que eu diminua”. Jo 3-30.

Dessa forma viveu João Batista, promovendo a glória de Jesus e nada para sua exaltação pessoal.

Portanto, homenageá-lo hoje com uma festa, inclusive com ingredientes do paganismo antigo do culto ao deus Tamuz e a deusa Juno é, no mínimo, uma grande ofensa, pois é algo que se lhe fizesse no seu tempo, lhe traria muito desgosto.

Então, uma festa junina para João Batista não lhe é uma honra ou homenagem, e sim desrespeito e desacato!.
* Outro bastante recorrido e homenageado com festa junina é Antônio, dia 13.
Ele também não deve ser cultuado ou festejado, pois basta um pequeno conhecimento acerca de sua vida para se convencer de que ele foi humano como os demais, não buscou condecorações pessoais, foi humilde e simples.
Muito do que se fala a seu respeito são lendas ou comentários exagerados sobre sua vida ou ministério.
Portanto, as honrarias e as grosseiras simpatias ou crendices vinculadas a Antônio, são desrespeito e ate abuso pela sua pessoa e obra.
Vale lembrar que, mesmo que tenha (em vida, obviamente!), interferido em alguma situação para resolver questões amorosas.
Isso não autoriza ninguém a torná-lo responsável ou especialista nesses assuntos.
Tal crendice é expressão pagã a Juno, e que quiseram e até conseguiram transferir para Antônio...
* Por fim consideremos Pedro, o homenageado com a última festa, dia 29.
Tal festa também não lhe é conveniente, pois apesar de ter sido um servo de Jesus, um dos mais íntimos dos seus apóstolos, não deve ser cultuado ou homenageado com exaltação, pois ele não gostava nem aceitava isso.
Quando Cornélio prostrou-se a seus pés para adorá-lo ele o interrompeu dizendo: “Ergue-te que eu também sou homem”. Atos 10-26.
Com isso descobrimos que uma festa junina para Pedro é algo contra a sua aprovação, não lhe homenageia, nem lhe honra antes contraria sua vontade na Bíblia.
E pior ainda, fazer-lhe uma festa, com requintes pagãos, tal como para Juno no passado, agrava mais a ofensa, pois fazê-lo senhor do céu e doador das chuvas ou águas, é reduzi-lo a Juno, considerada no paganismo antigo como à senhora dessas coisas...
Sendo assim, a nossa conduta cristã de não celebração das festas juninas, é uma questão de coerência.
Não reconhecemos nem servimos à deusa Juno e nem adoramos ou homenageamos Antônio, João e Pedro, apesar de os respeitarmos como personagens da historia da Igreja.
Ficamos tristes ao vermos como costumes pagãos têm perdurado na história ao ponto de se transpor conceitos de uma comemoração para outra, transferindo o culto de uma divindade pagã, para personagens eclesiásticos que nada tem em comum com tais comemorações.
Repetimos que, como cristãos que somos só adoramos e servimos a Deus, como nos ordenou Jesus:
 “... ao senhor teu deus adorarás, e só a ele darás culto”. Mt 4.10.

A terceira razão do nosso posicionamento contrário às celebrações das festas juninas se baseia no fato de que:
III – O CRISTÃO SERVE A JESUS E NÃO PRATICA O PAGANISMO.
Essa é a grande e sublime razão pela qual não nos envolvemos com as comemorações juninas.
Com discernimento e maturidade, conhecemos, amamos e servimos só ao Senhor Deus, e descartamos toda e qualquer outra expressão de culto.
Para quem têm dúvidas que Festas juninas é uma transferência do culto de uma divindade pagã, para personagens eclesiásticos considere o que tem de relação entre:
§  João Batista e pipoca, fogueira, mastros adornados com frutas e flores, roupa e comemoração típica à vida campestre?...
§  Antônio e a missão de controlar as questões matrimoniais;
§  Pedro e o comando sobre as chuvas?...
§  Tudo isso são expressões pagãs e antigas para a deusa Juno, adaptadas ou transferidas para esses personagens!.
Se buscarmos mais longe na história veremos que tais conceitos e práticas pagãs são bem anteriores aos gregos ou romanos que celebravam a deusa Juno.
Desde épocas remotas já se faziam postes-ídolos para celebrar divindades pagãs protetoras ou responsáveis por localidades ou ciclos da natureza.
Isso era algo bem comum entre os pagãos, mas Deus ordenou a seu povo em Deuteronômio 16.21 que jamais fizessem isso.
Essas divindades consideradas e cultuadas como responsáveis pela natureza, eram conhecidas com nomes diferentes, dependendo da localidade ou povo que lhes prestasse adoração, mas em essência possuem o mesmo conceito.
Vimos que em épocas remotas, Tamuz era cultuado na mudança das estações, que corresponde ao período de Junho-Julho do nosso calendário moderno!
Vimos que séculos mais tarde, nesta mesma época e com os mesmos conceitos essenciais, os gregos celebravam a deusa Juno.
Portanto, nos dias atuais, fazer as festas juninas, exatamente na mesma época, com tantas comemorações alusivas à vida campestre, frutos da natureza, danças e comidas típicas, crendices relacionadas com a união conjugal ou fertilidade geral, são superstições grotescas e pagãs. 
Tais celebrações em nada diferem das comemorações pagãs antigas, que se originaram em tempos tão remotos, e que foram adaptadas no decorrer da história com nomes e formas diferentes para cada povo e época, porém preservando a mesma essência primordial.
Nós cristãos amamos e servimos só a Jesus, e não nos envolvemos com nenhuma forma de paganismo, mesmo essas disfarçadas de folclores tradicionais.
Cremos em Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo e temos as Sagradas Escrituras como regra de fé e prática, onde procuramos pautar nossa conduta prática.
É essa Palavra divina que nos apresenta a verdade e nos ordena a fugir de toda e qualquer idolatria, I Co.10.14; I Jo.5.21.
Finalizamos reafirmando que não celebramos festas juninas porque essas festas, apesar das aparências religiosas ou folclóricas, são essencialmente pagãs.

Por Rev. Gilvan de Oliveira Silva – IPBEC, 12/06/05.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ilustração: Julgamento Precipitado…


Certo dia quando uma Senhora ia passando pela rua, viu através da janela da casa do Pastor de sua Igreja, uma cena terrível, segundo ela.
Imaginem, o seu Pastor estava correndo atrás de sua esposa com uma vassoura levantada.
Escutava o grito da esposa correndo e via o marido correndo atrás dela. Não teve dúvida! O Pastor estava espancando sua mulher. Espalhou esta notícia pela Cidade.
Foi contando a cada pessoa conhecida que encontrava, e não satisfeita, começou a contar também às pessoas estranhas.
Em pouco tempo toda a cidade sabia da atitude inconveniente do Pastor da Igreja. A liderança da Igreja, diante do fato, reuniu-se e tomou a decisão cabível ao caso. Desligou o pastor do seu ministério e comunicou esta decisão ao mesmo. Este, muito sabiamente, aceitou a decisão sem argumentar nada a seu favor. Apenas fez um pedido. Que no Domingo próximo vindouro fizesse um culto de despedida, convidando a todos quanto pudessem comparecer para sua despedida.
No dia aprazado, depois de uma curta mas edificante mensagem evangélica, convidou sua esposa que fosse até a plataforma e explicasse ao público porque ele estava sendo despedido…
- Disse ela em alto e bom som: Meu marido está sendo desligado da Igreja, por um JUÍZO PRECIPITADO! Estou sabendo que a decisão do desligamento dele é motivada por espancamento à minha pessoa. Eu nunca reclamei a ninguém sobre isto, e nem poderia porque o que realmente aconteceu foi que um determinado dia, quando eu fazia a faxina na casa, apareceu um ratinho, que começou a correr pelo cômodo. Eu, como tenho medo de rato, comecei a gritar e a correr. Meu marido vendo isto, apanhou uma vassoura e começou a correr atrás do rato para o matar. Se este fato é motivo para desligamento da Igreja, iremos embora para outra cidade, se não, gostaria que a pessoa que espalhou a falsa notícia sobre meu espancamento, viesse até aqui, pois estamos (eu e meu marido) prontos a perdoar essa pessoa pelo engano cometido.
Todos os presentes sabiam quem havia espalhado aquela notícia, por isso a “Senhora” não teve outro jeito, senão ir até lá e pedir perdão.
Diante disso, o pastor disse a “Senhora”: Eu te perdôo, mas a irmã terá que cumprir um pedido que vou fazer, tudo bem? Ela respondeu afirmativamente.
Diante desta resposta o Pastor deu-lhe a seguinte incumbência: “A Senhora vai apanhar um travesseiro de penas, vá até o alto do morro num dia de vento forte, e solte todas as penas no ar” (isto é fácil, deve ter pensado a senhora).
Mas o Pastor continuou:
“No dia seguinte volte e recolha todas as penas e recomponha o travesseiro para ficar do jeito que era antes”.
Imediatamente ela retrucou: “Ah… Pastor, isto é impossível! Depois que o vento espalhar as penas eu não conseguirei mais ajuntá-las”.
E o Pastor concluiu: “Pois foi exatamente isto que a Senhora fez com minha vida! Depois que a Senhora espalhou aquela falsa notícia, eu nunca mais terei o mesmo conceito com as pessoas desta cidade”.
Mudaremos para outra cidade, mas deixamos aqui esta lição de vida a todos os presentes:
“Nunca julguem ninguém precipitadamente, e não espalhem o que não pode se recuperar”.
Biblicamente falando: “Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.“ (Mateus 7:2)
“Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados;” (Lucas 6.37)
Pense nisso…

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Por que devo ser um calvinista:


Por que devo ser um calvinista: explicando a soberania de Deus sobre o homem e o pacto com o homem
“Pois, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” —1 Coríntios 9.16
Nosso mundo pós-moderno diz muito sobre “opções”. É dito muito pouco sobreconvicções. Supõe-se que todos sejam felizes com suas próprias “preferências”, e o acordo tácito é que eu não me preocuparei demais com suas preferências (digamos, por exemplo, homossexualidade, cereal matinal, carros antigos, pedofilia, ou Dan Rather) se você não se preocupar demais com as minhas. Nós simplesmente fazemos “escolhas”, e estamos certos que não nos tornamos dogmáticos demais sobre elas. A Bíblia, por outro lado, tem pouco a dizer sobre o que chamaríamos “preferências”. Tem muito que dizer sobre o que definimos como “convicções”. Preferências são escolhas que nos agradam; convicções são crenças que nos compelem.
Paulo estava convencido de que Deus o havia chamado para pregar o Evangelho. Isso não era uma preferência. Era uma convicção. Esse é o porquê ele declarou que “era imposta essa obrigação” sobre ele. Ele era dirigido por uma obrigação interna – uma compulsão que o próprio Deus tinha instilado nele para pregar o Evangelho.
Hoje vou falar sobre por que eu devo ser um calvinista. Não estou falando principalmente por que vocêdeveria ser um calvinista, embora se você não seja um calvinista, espero que se torne um. Não estou abordando o tema “Por que sou um calvinista”. Isso poderia simplesmente terminar sendo uma dissertação desapaixonada. Sobre o que estou falando hoje arde em minha alma e inflama a minha mente. Isso é o que verdadeiras convicções fazem. Não são simplesmente assuntos de discussão vagarosa. São assuntos de convicção apaixonada. Por que eu devo ser um calvinista?

Primeiro, deixe-me discutir razões insuficientes para eu ser um calvinista. Eu não sou um calvinista porque tenho uma visão exaltada de João Calvino. Ele foi um grande homem, piedoso e erudito. Mas era, apesar de tudo, um ser humano como o resto de nós; e ele cometeu alguns enganos – até mesmo sérios enganos. Eu não sou um calvinista porque exalto Calvino, mas antes porque creio que as crenças de Calvino estavam inteiramente próximas do que a Bíblia ensina. Calvino (em minha opinião) basicamente a entendeu direito.
Algumas vezes se pensa que Calvino é o pai das Igrejas Reformadas, e eu uso os termos “calvinista” e “reformado” preferencialmente de maneira sinônima. Menciono as Igrejas Reformadas. Há muitas delas, e frequentemente essas igrejas estão alinhadas com denominações. Eu não sou um calvinista simplesmente sobre a base de que sou um denominacionalista. Muitos calvinistas não são membros de alguma denominação particular, embora todos deveriam ser membros de uma igreja sadia. Há boas denominações e há más denominações; e a verdade do calvinismo não descansa no estado ou visão de algumas denominações (ou alguma igreja particular).
Eu não abraço o calvinismo sobre a base de que nasci em uma família calvinista. Na realidade, eu nasci numa bela família, bíblica e temente a Deus, que não era calvinista. Não sou um calvinista por nascimento, mas por escolha! Calvino o homem, as denominações calvinistas, e o ter nascido numa família calvinista não são (para mim) razões suficientes para abraçar o calvinismo. Finalmente, não abraces o calvinismo porque você meramente o selecionou como uma “opção”. Abrace o calvinismo porque – me atrevo a dizer? – tem que fazer assim. Sua verdade penetra até a medula de teu ser, e não podes fazer outra coisa.

É importante entender primeiro que os calvinistas sustentam, com outros setores da igreja, certos distintivos. Nós os calvinistas concordamos com todos os outros cristãos ortodoxos em abraçar as crenças básicas cristãs resumidas no Credo Apostólico. Sustentamos o Trinitarianismo explicado claramente no Credo Niceno. Afirmamos a Cristologia (visão da Pessoa de Cristo) articulada na fórmula de Calcedônia. Cremos que Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus em carne. Temos fé que ele derramou seu sangue sobre a cruz para expiar nossos pecados; que se levantou corporalmente da tumba ao terceiro dia; e que ele voltará outra vez com visível esplendor e grande glória para julgar as nações. Cremos que o Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Como nossos homólogos ortodoxos, cremos na história redentora – aqueles grandes e milagrosos eventos da obra de Deus em Cristo para salvar os pecadores [1]. Nesses e noutros assuntos fundamentais, concordamos com todos os cristãos ortodoxos. Esses são simplesmente assuntos da fé católica (universal, não Romana) nos quais todos consentimos.

Porém nós calvinistas temos certas crenças e práticas distintivas. Essas nos distinguem do resto da cristandade ortodoxa. Não afirmamos que nossos irmãos e irmãs sejam menos cristãos do que nós. Reivindicamos, contudo, que eles têm um entendimento menos perfeito ou maduro da fé. Se, certamente, crêssemos como eles creem, seríamos membros de suas igrejas. É precisamente porque estamos convencidos da exatidão da crença e prática calvinista que somos membros de Igrejas Reformadas – e, mais importante ainda, abraçamos o calvinismo.
Note que digo “crença e prática”. Como todos os outros setores do cristianismo, o calvinismo não é somente um sistema de crença; é também um sistema de vida. No que você crê influencia como você vive. No final da década de 40, Richard Weaver, o grande historiador do Sul, escreveu um livro intitulado “As Idéias Têm Conseqüências”. Certamente elas têm. O que você crê e pensa modela como você atua e se comporta. Nós calvinistas não somos “doutrinalistas” [2]. Não cremos que a fé esteja limitada à doutrina, ainda que seja essencial, e certamente não está limitada ao tipo de teologia acadêmica que alguém encontra somente nos seminários de torres de marfim que concedem licenciaturas de Doutor em Teologia. Não, o calvinismo é uma crença e uma vida. Na linguagem de Tiago do Novo Testamento, é fé e obras juntas.
Tendo tudo isso em mente, deixe-me dizer-lhe por que devo ser um Calvinista.

Eu devo ser um Calvinista, primeiro, porque eu não posso reconhecer nenhum fato maior no universo do que a soberania de Deus. O que é a “soberania de Deus”? Nas palavras de um sábio ministro, a soberania de Deus significa que Deus é…Deus. Deus não é um homem, e não há ninguém a quem possamos compará-LO (Isaías 40:18). Os antigos deuses pagãos – e os falsos deuses de hoje, com a relação a isto – eram simplesmente extensões da humanidade. Eles eram insignificantes, vingativos, caprichosos e tímidos. Expressavam características exageradas do próprio homem. Este não é o Deus revelado na Bíblia, e não é o Deus dos Calvinistas. Cremos que Deus é absoluto, todo-poderoso, onisciente, onipresente, sempre amoroso, sempre justo, sempre perfeito. Ele é autocontido, auto-suficiente e autodeterminado. Ele não é “contingente” em nenhum sentido. Ele não depende de ninguém ou de algo mais para Seu ser ou ações. Quando Moisés perguntou a este Jeová Deus qual era o Seu nome, Deus respondeu simplesmente, “Eu sou”, ou “Eu sou o que sou”. Não há nenhum fator externo ou derivado com o qual possamos comparar a Deus. Deus simplesmente é. Este é o Deus a quem amamos e servimos.
Cremos que Deus faz o que Lhe agrada. Na realidade, Ele nos diz em Sua Palavra, a Bíblia, que isto é precisamente o que Ele faz (Salmos 115:3). Ele não pede permissão para o homem. Ele é o Criador, e o homem é a criatura (Gênesis 2:7). O homem é a sua mais alta criatura, e foi feito à Sua imagem; mas apesar de tudo o homem é uma criatura. Deus é soberano. Ele conhece o fim desde o princípio porque Ele determina o fim desde o princípio. Ninguém pode frustrar a sua vontade, e ninguém pode deter Sua mão. Não podemos escudrinhar Sua mente, e não podemos conhecer Sua vontade aparte de Sua revelação na Bíblia e na criação e em Seu Filho Jesus Cristo. Em Isaías lemos, “assim como meus pensamentos são mais altos que vossos pensamentos” (Isaías 55:9-10). Como o resto de Sua criação, o próprio homem é uma criatura; e Deus faz com o homem o que Ele quer. Romanos 9 faz isto abundantemente claro. Deus é soberano, e isto significa que o homem não é soberano.
É bastante claro como Deus exerce esta soberania. Ele o faz por meio de Seu Filho, Jesus Cristo. Jesus Cristo é o grande Rei. [3] Como resultado de Sua morte e ressurreição, o Pai concedeu a Cristo o domínio universal (Daniel 7:13-14; Mateus 28:18-20; Filipenses 2:5-11). Ele está governando hoje desde os céus (Atos 2:29-36). O grande centro da fé para os Cristãos primitivos era o Senhorio do Cristo elevado e exaltado. [4] Na realidade, a fé Cristã pode ser resumida em três palavras:

A soberania de Deus é vista na criação e muito mais, porém alcança sua plena expressão no governo de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor, Salvador e Rei.
A morte de Cristo na cruz e sua ressurreição da tumba asseguram a salvação dos homens, e você pode estar seguro que nosso Deus é soberano na salvação do homem, da mesma forma como é soberano em qualquer outro aspecto do universo. Este é o princípio dominante da crença Calvinista na soberania de Deus. Deus salva homens; Ele não os ajuda a se salvarem. Deus não está no negócio de fazer com que os homens que andam dando tombos voltem a afirmar seus pés com segurança. Os pecadores estão mortos em delitos e pecados (Efésios 2:1). Eles não são homens enfermos que necessitem de um remédio: são homens mortos que necessitam de uma ressurreição. Isto é exatamente o que o Espírito Santo dá aos eleitos, os escolhidos de Deus. A salvação de acordo com os Calvinistas não é um esforço cooperativo. Deus enviou a Seu Filho, Jesus Cristo, à terra para salvar pecadores que Ele amou (João 3:16). Sua morte não faz simplesmente a salvação disponível; sua morte na realidade assegurou a salvação dos pecadores. Este é o porque o escritos de Hebreus nos diz, “Não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue [de Jesus Cristo], entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção” (Hebreus 9:12, ênfase adicionada). Ele realmente obteve salvação. Deus salva pecadores; Ele não os ajuda a se salvarem. [5]
Nenhuma destas coisas significa que o homem é uma máquina ou um autômato. Deus certamente deu uma vontade e uma escolha ao homem. Repetidamente, Deus apela à vontade do homem. Para o Israel do Antigo Testamento, Jeová disse, “Vê que hoje te pus diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal” (Deuteronômio 30:15). No Novo Testamento, o próprio Jesus declara, “Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). As escolhas do homem são escolhas reais, e sua vontade é uma vontade real.
Porém – este é um ponto crucial – acima de toda a vontade e escolhas do homem está a soberana e eterna vontade de Deus (Efésios 1:11).
Como nós, os Calvinistas, explicamos isto? Como a soberania de Deus e a vontade do homem se harmonizam? Uma resposta simples é: nós não sabemos. De fato, é precisamente porque Deus é soberano e nós não, que não professamos entender a relação entre a soberania de Deus e vontade do homem. Sabemos que Deus é soberano em todas as coisas, e sabemos que o homem tem uma vontade e uma capacidade de escolha que tem um significado real; e deixamos isto nesse ponto. Se Deus é soberano, Ele é tão soberano que pode criar um ser como o homem com uma vontade cujas ações não são coagidas por Deus, e não obstante, cumpre de maneira perfeita a vontade de Deus. Como pode ser isto? Eu não sei. Deus é soberano e nós não o somos.

Há uma segunda razão pela qual eu devo ser um Calvinista. Os Calvinistas crêem que o pacto se acha no centro dos relacionamentos de Deus com o homem, e creio que isto é exatamente o que a Bíblia ensina. Este é o segundo grande distintivo do Calvinismo. [6] É um distintivo cuja importância é freqüentemente não reconhecida. Parte da razão para esta falta de reconhecimento é devido à uma época na qual se perdeu a noção total de pacto. Um pacto é um vínculo sagrado. É uma relação na qual o amor e a legalidade se harmonizam da forma mais bela. Nós freqüentemente tendemos a ver estes dois fenômenos de uma maneira antitética: a lei e o amor são opostos. O amor é espontâneo e emocional, enquanto a lei é calculada e racional. Mas a doutrina Bíblica do pacto destrói esta falsa antítese. Nos pactos bíblicos (e eu estou falando dos pactos entre Deus e os homens), Deus entra em uma relação obrigatória com o homem. Não é menos obrigatória porque ela é cheia de amor, e não é menos amorosa porque é obrigatória. Deus ama tanto o homem que está disposto a comprometer a Si mesmo para com o homem. Como resultado do prévio amor de Deus para com o homem, o homem está disposto a se obrigar para com Deus por causa de seu amor por Deus. Ele é tanto espontâneo como calculado, tanto emocional como racional. Deus ama o homem e faz um compromisso para com o homem; o homem ama a Deus e faz um compromisso para com Deus. Esta é a base do pacto bíblico.
O pacto é um tema dominante na Bíblia – desde o pacto de Deus com Noé de que nunca destruiria novamente a terra com um dilúvio, Seu pacto com Abraão de que Ele seria Deus para ele e para sua descendência depois dele e que abençoaria a todas as famílias da terra através daquela semente, Seu pacto com Israel como nação de que lhes abençoaria tanto que eles guardariam Sua lei, Seu pacto com Davi de que levantaria um rei para sempre no trono de Israel do fruto dos lombos de Davi, até o “novo pacto” que Deus colocaria Sua lei nos corações de Seu povo. [7] Jesus ratificou seu novo pacto com o derramamento de Seu sangue na cruz, da qual Sua última refeição com os discípulos, ou a Ceia do Senhor, é um poderoso sinal ou selo. Paulo, o grande apóstolo do Novo Testamento, definiu seu ministério em termos do novo pacto (2 Coríntios 3:6).
O fato é: o pacto é a maneira como Deus se relaciona com o homem. Ele poderia ter escolhido outra maneira, mas Ele não o fez. Ele escolheu entrar em um vínculo sagrado e bilateral com os homens no tempo e na história. Ele amorosamente Se comprometeu para com os homens, e eles respondem por um comprometimento amoroso para com Ele.
Deus nos deu Sua Palavra em revelação como uma palavra pactual. Tem duas partes, o Antigo e o Novo Testamento, ou o antigo e o novo pacto. Esta Palavra, as sagradas Escrituras, confirmam a relação pactual com Seu povo; e esta Palavra, uma palavra infalível, apresenta Seus termos para Suas criaturas. Esta Palavra é a forma escrita do vínculo pactual. [8]
O pacto necessita fé inter-geracional. Somos membros do pacto Abraâmico, únicos a Cristo, a semente prometida. Porém nossos filhos, também, estão no pacto com o Senhor (Genêsis 17:7-14; Atos 2:38-39; 1 Coríntios. 7:14). Como Andrew Murray certa vez observou, Deus deu a Isaque as mesmas promessas que Ele deu a Abraão. [9] Deus é o mesmo Deus, e Suas promessas são as mesmas promessas. Confiamos que Deus salvará nossos filhos e os trará para Si mesmo e que eles O seguirão. Eles são Sua propriedade especial. Eles permanecem no pacto com Ele. E nós permanecemos nas promessas do pacto de Deus na criação de nossos filhos.
Eu devo ser um Calvinista porque creio que o pacto é o meio pelo qual Deus se relaciona com Seu povo.

Terceiro, e finalmente, devo ser um Calvinista porque estou convencido que a Fé Cristã deve dominar a totalidade da vida e da existência do homem. Não há expressão do Cristianismo ortodoxo que haja reconhecido este fato tanto como o Calvinismo o fez. Os Calvinistas crêem que Jesus Cristo é Senhor, não somente do serviço de adoração da igreja nos Domingos, mas também das salas de reuniões ou seminários nas Segundas. [10]
Tudo pertence a Cristo e tudo o que presentemente se encontra debaixo do domínio do pecado deve ser reorientado para a justiça bíblica. Os Calvinistas concordam com Francis Schaeffer quando ele declarou que um dos grandes problemas com os Cristãos hoje é que eles vêem as coisas em pequenos pedaços, em vez de vê-las como um todo. [11] Estas boas pessoas vêem os males na sociedade aqui e ali, mas não reconhecem que estes males são parte de um “sistema de vida” particular, ou cosmovisão. No Ocidente, esta cosmovisão é o humanismo secular. Porém pior ainda, os Cristãos não entendem que o mesmo Cristianismo requer seu próprio “sistema de vida” distintivo. Por quase dois mil anos o Cristianismo dominou as vidas dos devotos, e hoje esta necessidade é ainda mais premente. Diferentemente de muitos de nossos antepassados na Europa e nos Estados Unidos, já na vivemos dentro de uma cultura Cristã. Portanto, devemos estar especialmente vigilantes para enfatizar o Senhorio de Cristo em todas as áreas da vida, a fim de que não venhamos simplesmente a afirmar a visão humanista secular das coisas, por falta de outra opção.
A Bíblia declara que o que quer que comamos ou bebamos, devemos fazer tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10:31). Isto significa que todas as áreas da vida devem estar debaixo da autoridade de Cristo. A arte, ciência, tecnologia, vocação, mídia, políticas, economias – todas estas e mais – se encontram debaixo da autoridade de Cristo. O Calvinista não crê que haja áreas “neutras” da vida e que tanto o crente como o não crente possam concordar nos princípios básicos destas áreas. [12] Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele não é simplesmente um caminho, uma verdade e uma vida para alguma parte de nossa existência. O próprio Jesus nos diz que vamos ao Pai somente por Cristo; e se não vamos ao Pai, somos espiritualmente cegos (1 Coríntios 2:14). Necessitamos interpretar as coisas desde a “perspectiva” de Deus para interpretá-las apropriadamente. Se Jesus Cristo não é o Senhor da vida de alguém, o homem não pode esperar interpretar (inclusive a si mesmo) o mundo com exatidão.
Se o conhecimento de Cristo domina nosso próprio ser, devemos, como as Escrituras dizem, trazer todo pensamento cativo a Cristo (2 Coríntios 10:5). Simplesmente não podemos ser Cristãos de “meio tempo”. [13] O Cristianismo se estende muito além da esfera entre nossas duas orelhas – ele deve dominar a totalidade da cultura, a totalidade da vida.

Deus é soberano. Deus se relaciona com o homem por meio de pacto. E a fé é abrangente, não limitada à poucas áreas. Há muito mais que poderia ser dito, mas isto é o porque eu devo ser um Calvinista. Oro para que você também se torne um.

[1] Oscar Cullman, Salvação na História (New York: Harper, 1967)
[2] Richard J. Mouw, “A Bíblia no Protestantimos do Século Vinte: Uma Taxonomia Prelimiar”, A Bíblia na América, eds., National O. Hath e Mark A. Noll (New York: Oxford, 1982), 142-143.
[3] William Symington, O Messias, o Príncipe (Edmonton: Still Waters Revival Books, [1884] 1990).
[4] Oscar Cullmann, “O Reinado de Cristo e a Igreja no Novo Testamento”, A Igreja Primitiva (Philadelphia: Westminster, 1956), 105.
[5] David N. Steele e Curtis C. Thomas, Os Cinco Pontos do Calvinismo Definidos, Defendidos, Documentados (Phillipsburg: P&R, 1971).
[6] Geerhardus Vos, “A Doutrina do Pacto na Teologia Reformada”, História Redentora e Interpretação Bíblica, ed. Richard B. Gaffin Jr. (Phillipsburg,; P&R, 1971), Cap. 7.
[7] O. Palmer Robertson, O Cristo dos Pactos (Phillipsburg: P&R, 1980).
[8] John M. Frame, “A Escritura Fala por Si Mesma”, A Palavra Inerrante de Deus, ed., John Warwick Montgomery (Minneapolis: Bethany, 1973), 178-200.
[9] Andrew Murray, Como Criar Teus Filhos para Cristo (Minneapolis: Bethany, 1975), 35-39 and passim.
[10] Abraham Kuyper, Conferências sobre o Calvinismo (Grand Rapids: Eerdmans, 1931).
[11] Francis Schaeffer, Um Manifesto Cristão nas Obras Completas de Francis A. Schaeffer (Westchester: Crossway, 1982), 423-425.
[12] Cornelius Van Til, A Defesa da Fé (Phillipsburg: P&R, 1967).
[13] P. Andrew Sandlin, Totalismo (Vallecito: Chalcedon, 2001).
 
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 20 de Janeiro de 2004.


P. Andrew Sandlin
P. Andrew Sandlin, ministro do Evangelho há anos, possui bacharel em Inglês, História e Ciência Política (University of the State of New York); mestrado em Literatura Inglesa (University of South Africa); doutorado em Inglês (Kent State University) e em Teologia Sagrada (Edinburg Theological Seminary). Andrew é um comunicador talentoso e já escreveu inúmeros livros e monógrafos.