terça-feira, 8 de maio de 2012

Neo-Puritanismo ou Neo-Presbiterianismo?


Dr. Manoel Canuto
Recentemente, irmãos de várias denominações e entre eles alguns presbiterianos, um inexpressivo grupo, sem organização definida, começaram a identificar distorções doutrinárias na sua própria prática cristã e no seio da igreja brasileira. Aos poucos sérias distorções foram percebidas após um despertamento causado pela chama da Reformada acesa em seus corações pela pregação fiel das doutrinas da graça e pela literatura Reformada, inclusive dos Puritanos; literatura retirada dos escombros em que se encontrava.

Confrontados com o ensino Reformado, logo perceberam que até então labutavam em terreno movediço, em águas turvas, acomodados num cesto de frutos variados onde havia sabor para todo gosto. Isso os fez dizer como Daniel: “Deus grande e temível… temos pecado e cometido iniqüidades… apartando-nos dos teus mandamentos… e não demos ouvidos aos teus servos os profetas, que em teu nome falaram aos nossos pais. A ti, ó Senhor pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha, como hoje se vê”.
Esses servos de Deus fazem parte de uma geração que sempre desconheceu os grandes feitos de Deus no passado quando homens e mulheres se levantaram contra os erros de uma igreja em trevas para mudar o rumo do povo de Deus e do mundo — a Reforma Protestante do século dezesseis. Aos poucos se aperceberam do que os reformadores ensinavam, pregavam e viviam — um tesouro escondido. Enquanto escondido este tesouro levou à ignorância, à cegueira e deformação da fé cristã e bíblica. Na verdade, o arraial protestante não era Reformado e sim arminiano, antropocêntrico, dispensacionalista, “pentecostalizado”, carismático, pluralista, contextualizado, “moderado”, “cauteloso”.
Com a descoberta das doutrinas basais da Reforma, surgiu o “primeiro amor”, a alegria indizível. Como era de se esperar, com esta descoberta e mudança de perspectiva e de vida, logo surgiu a oposição lutando para que status quo fosse mantido. Faz parte do processo para se manter o status quo o surgimento da intolerância e a luta contra os que buscam uma reforma profunda e séria, uma volta às antigas veredas, uma volta às Escrituras, aos ensinos da Reforma.
À guisa de ilustração descrevo um episódio por mim vivenciado. Em uma igreja tradicional do arraial Presbiteriano certo pastor presbiteriano prega as doutrinas da graça com o coração incendiado pela verdade. Em seu peito bate forte a soberania de Deus na salvação de pecadores. Enquanto fala, a força de suas convicções o faz exultar na soberania, justiça e amor eletivo de um Deus que faz tudo quanto lhe apraz. Ao término de sua mensagem um presbítero local aproxima-se, e, austero, o repreende dizendo: “Pastor, desculpe, mas o senhor foi extremamente infeliz no que falou”. Naquela mesma noite um experiente pastor não brasileiro, mas que vive no Brasil há muitos anos, ao ouvir o colega também o adverte, mas de forma amorosa e sábia: “Pastor, o irmão está preparado para enfrentar e suportar dificuldades?”. Palavras sábias de quem prenuncia uma realidade que se avista, de quem já diagnosticara um presbiterianismo brasileiro diferente do vivenciado por John Knox e os delegados de Westminster; um presbiterianismo distanciado dos pensamentos bíblicos do calvinismo experimental, longe dos padrões reformados praticado pelos Puritanos da Grã-Bretanha e da Nova Inglaterra; longe do destemor reformado dos protestantes calvinistas Huguenotes da França, dos reformados da Segunda Reforma Holandesa, afastados dos ensinos dos apóstolos e de Cristo — coluna e baluarte da verdade.
Os corações daqueles evangélicos foram mudados e, como conseqüência, suas convicções agora eram mais fortes, pois suas mentes e corações estavam profundamente enraizadas na Palavra de Deus. Pessoas fracas, mas com fortes convicções se transformam em soldados valorosos e imbatíveis. Logo seus ensinos e práticas tornaram-se uma ameaça ao falso equilíbrio da práxis da igreja contemporânea com seu culto “Frameano”[1], disforme, que não glorifica a Deus; tornaram-se uma ameaça à prática cúltica de grande número das igrejas no Brasil; ameaça à evangelização antropocêntrica apelante ao livre arbítrio humano; ameaça ao protestantismo manipulativo, dirigido pelo sucesso, auto-indulgente, subjetivo, experimentalista (mas) não experimental, com uma espiritualidade que “mede cinco mil quilômetros de largura e um centímetro de profundidade”; ameaça ao protestantismo espiritualmente anão, asceta, místico, instável em suas famílias, sem desejos de reforma e renovação da igreja; ameaça a um cristianismo influenciado pelo secularismo, sem santificação, irreverente, que despreza o Dia do Senhor, sem visão da glória de Deus e sem viver para ela; um protestantismo que despreza sua garbosa, rica, linda e bíblica herança Reformada, suas raízes.
A igreja de hoje não quer obedecer ao slogan reformado: Ecclesia reformata reformanda est (“A igreja, tendo sido reformada, ainda é para ser reformada”). Mas não para se inovar (como pensam os liberais) e sim, sempre para voltar ao seu caminho, o caminho das Escrituras. Sempre se reformando porque a tendência é sempre esquecer sua herança, seu passado, suas raízes, inovando a doutrina e a prática. O coração do homem é desesperadamente corrupto! Dr. J. G. Vos disse:
“A doutrina, adoração, governo, disciplina, atividades missionárias, instituições educacionais, publicações e a vida prática da igreja — todas estas coisas devem ser progressivamente reformadas de acordo com a Escritura. Nossos antepassados reformaram a Igreja no seu tempo; Deus nos chamou para reformá-la no nosso tempo. Não podemos descansar sobre os nossos lauréis. Devemos batalhar por nós mesmos, pela fé, sobre a base da Palavra de Deus”[2].
Não podemos imaginar, como muitos desejam, um “equilíbrio” entre o teocêntrico e o antropocêntrico, entre o Calvinismo e o Arminianismo, entre o Presbiterianismo e o Episcopalismo, entre o presbiterianismo e o independentismo; entre o princípio do culto calvinista e o luterano, ou seja, entre o Princípio Regulador do Culto (Puritano) e o Princípio Normativo do Culto (anglicano).
Princípio Normativo: o que não for diretamente proibido nas Escrituras é permitido.
Princípio Regulador: o que não for diretamente ensinado nas Escrituras ou necessariamente inferido do seu ensino, ou evidenciado em um exemplo bíblico-histórico, é proibido no culto.
Há hoje uma idéia de que existem diversas formas de Presbiterianismo (e até diversas formas de Reformados[3]): O Escocês, o Brasileiro, o tupiniquim, o Puritano, o Americano, etc. Mas estas coisas nunca passaram pelas mentes dos teólogos de Westminster. A Confissão de Fé da Igreja Presbiteriana do Brasil é a de Westminster, fruto de mais de cinco anos e meio de cessões conciliares, sérias, piedosas, que fez o grande teólogo puritano e participante, Robert Baillie, afirmar: “Outra assembléia igual eu nunca vi, e nem é provável que venha e existir”. Quem subscreve os Padrões de Westminster subscreve o que os teólogos puritanos do século XVII redigiram — uma fiel exposição das Escrituras. Na verdade os presbiterianos são assim chamados em virtude de adotarem a forma de governo presbiteriano — governo de presbyteros. A liderança que governa uma Igreja Presbiteriana (os presbíteros) subscreve os padrões reformados de Westminster (assim é dito na Constituição da IPB). Caso isso não aconteça estaremos diante de uma nova igreja Presbiteriana, de um novo presbiterianismo e uma reforma urgente se faz necessária.
Nesse novo presbiterianismo, muitos lutam para a manutenção de um presbiterianismo brasileiro, hierárquico, secularizado, onde se luta pela perpetuação em cargos e funções [4] ; que procura conciliar a doutrina da suficiência das Escrituras com a “possibilidade ainda hoje” de profecias e línguas extáticas; presbiterianismo que procura conciliar os ensinos apostólicos, especialmente os de Paulo (e de Calvino) que claramente são opostos à participação feminina no culto, na pregação e ensino, com as invenções feministas do Dr. J. B. Hurley [5] ; um novo presbiterianismo que procura conciliar o princípio de sola scriptura e o segundo mandamento com o uso de imagens (figuras) de Jesus com fins didáticos (pensamento católico); um novo presbiterianismo que tenta conciliar o sola fide e sola gracia com o evangelismo de cruzadas onde o apelo ao decisionismo é imprescindível; um presbiterianismo que tenta conciliar o culto reformado, simples, com o culto celebrativo, arminiano-carismático; um presbiterianismo que busca conciliar o velho presbiterianismo confessional com o não confessional; conciliar a doutrina reformada com o ensino dispensacionalista; conciliar a guarda do Dia do Senhor com os negócios e o entretenimento praticados neste dia.
Recentemente estes presbiterianos defensores da subscrição estrita da Confissão de Fé e catecismos de Westminster e de um culto reformado segundo o Princípio Regulador do Culto têm sido chamados de neopuritanos e considerados perniciosos para a Igreja Presbiteriana.[6]
Questionamos a expressão neopuritanos pelas seguintes razões:
  1. Usar esta expressão de forma pejorativa, zombeteira com intuito de denegrir a fé e convicção de irmãos, que com zelo lutam também pela fé reformada.
  2. Achar que se pretende inventar um puritanismo novo e mais radical, diferente do período áureo da Igreja na Inglaterra, Escócia, Nova Inglaterra, etc.
  3. Imaginar que se pretende restaurar o Puritanismo como movimento do século XVII com seus usos e costumes. Quando na verdade o que estes irmãos desejam é fazer como os puritanos fizeram e para isso são um referencial para nós, pois procuravam aplicar verdades da Bíblia às circunstâncias de sua época. Os que desejam manter a verdadeira tradição puritana terão de aplicar os princípios bíblicos às circunstâncias de seus dias. Contentar-nos em apenas imitar os puritanos representaria um retrocesso, falta de espiritualidade e uma atitude irrealista. Deus requer de nós vivermos para Sua glória e o Seu Espírito nos ensina a viver para o Senhor no contexto dos nossos dias e não no contexto em que viveram santos homens de Deus. Se eles souberam aplicar as Escrituras tão zelosa e sabiamente a si mesmos em sua época, que saibamos aplicá-las em nossa época perguntando sempre: Estamos vivendo como a Bíblia diz ou precisamos ser corrigidos e enriquecidos mediante a mais antiga tradição evangélica e reformada? Falo isso, e me demoro aqui, porque nos acomodamos a um tradicionalismo doutrinário, ético, eclesiástico e evangelístico de um período decadente da história evangélica — século XIX. Temos de recuar mais na história e reabrir os poços ricos do ensino evangélico, mas aplicando os mesmos princípios que fizeram de nossos antepassados homens e mulheres do futuro.
  4. Achar que o Puritanismo tem uma “doutrina especial”, diferente da doutrina bíblica e da Confissão de Fé de Westminster e seus Catecismos.
  5. Considerar a atitude de resgatar a fé Presbiteriana-Reformada, suas raízes como algo errado.
  6. Considerar a tentativa de se subscrever e vivenciar Os Padrões de Fé de Westminster como algo estreito, limitado, minimalista, intolerante — lembrar que foram os Puritanos que confeccionaram este documento.
  7. Considerar o esforço por doutrina pura, governo puro, liturgia pura, igreja pura e vidas puras, como algo antiquado, obsoleto.
  8. Jogar lama com palavras satíricas de censura contra irmãos confessionais que vêem nos reformados e puritanos um exemplo de maturidade cristã, luta por santidade, equilíbrio entre ortodoxia e ortopraxia.
  9. Usar de uma ignorância “voluntária” para disseminar uma idéia distorcida do que era um puritano: um fanático religioso, feroz, extremista, fundamentalista, hipócrita em lugar de sóbrio, erudito, disciplinado, virtuoso no lar, na igreja; que toda sua vida a “tinha como uma guerra onde Cristo era seu capitão; suas armas, orações e lágrimas. A cruz, seu estandarte; seu lema, Vincit qui patitur [o que sofre, conquista]” (John Geree).
  10. Procurar criar uma caricatura indesejável sobre estes irmãos como se tivessem convicções ultra-radicais próprias, antibíblicas, e diferentes do que os reformados do passado tinham; diferentes do que os puritanos tinham.
Quão bom seria se pudéssemos ser como os puritanos foram. Mas o puritanismo foi o que, afinal? Dr. J. I. Packer responde:
“O Puritanismo, em seu cerne, foi um movimento espiritual, apaixonadamente preocupado com Deus e com a piedade cristã. Começou na Inglaterra com William Tyndale, o tradutor da Bíblia, contemporâneo de Lutero, uma geração antes de haver sido cunhada a palavra ‘Puritano’, e continuou até o final do século XVII, algumas décadas depois que o termo ‘Puritano’ caíra em desuso. Para sua formação contribuíram o biblicismo reformista de Tyndale; a piedade de coração e consciência de John Bradford; o zelo de John Knox pela honra de Deus nas igrejas nacionais; a paixão pela competência pastoral evangélica, que se via em John Hooper, Edward Dering e Richard Greenhan; a visão das Sagradas Escrituras como o ‘princípio regulador’ do culto e da boa ordem da igreja o qual incendiava Thomas Cartwright [7] ; o anti-romanismo, o anti-arminianismo, o anti-socianismo e o anti-calvinismo antinomiano desmascarados por John Owen e pelos padrões da declaração de Westminster; o interesse ético abrangente que atingiu o seu apogeu na monumental obra de Richard Baxter, Christian Directory; e o propósito de popularizar e tornar práticos os ensinos da Bíblia, os quais tomaram conta de Perkins e Bunyan, além de outros. O Puritanismo foi, essencialmente, um movimento em prol da reforma eclesiástica, da renovação pastoral e do evangelismo, bem como em prol do avivamento espiritual; além disto — de fato, como uma expressão direta de seu zelo pela honra de Deus — também foi uma visão global, uma filosofia cristã; em termos intelectuais foi um medievalismo renovado segundo moldes protestantes, e, em termos de espiritualidade, um monasticismo reformado, totalmente desligado dos mosteiros e dos votos monásticos.
O alvo dos Puritanos era completar aquilo que fora iniciado pela Reforma inglesa: terminar de reformar a adoração anglicana, introduzir uma disciplina eclesiástica eficaz nas paróquias anglicanas, estabelecer a retidão nos campos político, doméstico e sócio-econômico, e converter todos os cidadãos ingleses a uma vigorosa fé evangélica. Por meio da pregação e do ensino do evangelho, bem como da santificação de todas as artes, ciências e habilidades, a Inglaterra teria de tornar-se uma terra de santos, um modelo e protótipo de piedade coletiva, e, como tal, um meio para toda a humanidade ser abençoada”[8].
O termo Neo-Puritano é uma tentativa de mais uma vez colocar lama sobre um grupo de irmãos reformados, que amam a Cristo e lutam por uma reforma na igreja do Senhor, uma volta às raízes reformadas; a expressão Neo-Puritano é uma demonstração de intolerância por irmãos zelosos, sinceros e cheios de convicção — com suas fraquezas naturais. A palavra neo do grego significa novo em tempo e ou origem. Isso falaria de uma estrutura puritana diferente em sua origem ou tempo? Seria isso? Ou em sua natureza ou qualidade? Para isso seria melhor a palavra kainos. Bem, o que conseguimos identificar é a insinuação de que o Puritanismo do passado foi excelente e que o pseudopuritanismo de hoje é um arremedo. Acredito que assim o seja, visto que está longe de ter alcançado as firmes e radicais posições doutrinárias e práticas dos puritanos do século 16 e 17. Os puritanos naquela época defendiam a salmodia exclusiva no culto, o não uso de instrumentos na adoração, a guarda do primeiro dia da semana como o dia do Senhor, sem a prática de entretenimento, negócios ou qualquer outra coisa não essencial neste dia; a mulher não participava da adoração dirigindo a igreja nas orações congregacionais, muito menos pregando ou ensinando à congregação — mantinha-se calada em público “como em todas as igrejas dos santos… como a lei o determina” (I Co 14:33-34). A idéia de que a mulher pode, com autorização e supervisão do pastor ou do Conselho de Presbíteros, pregar ou ensinar à congregação, nunca foi ventilada por Calvino e muito menos pelos puritanos. O ensino e pregação são atividades do ofício pastoral, supervisionado pelos presbíteros. Mas as mulheres ensinavam às crianças e a outras mulheres, reservadamente. Então, o que estes irmãos presbiterianos desejam é lutar por uma volta aos princípios bíblicos vividos pelos puritanos e reformados, lutar por uma prática reformada ortodoxa e prática.
Finalizo com um sério questionamento. O que dizer daqueles que vivem um presbiterianismo brasileiro, desvinculado da fé Reformada, da herança Reformada, das suas raízes? Presbiterianismo que defendem a participação da mulher na liturgia (até pregando); a contemporaneidade dos dons extraordinários; um culto cheio de entretenimento com apresentação de corais e solos, bandas, dramatizações, ministros de música, momento especial de oração pelas criancinhas no culto corporativo, culto para criancinhas; a prática hierárquica no governo da igreja; concílio permanente por 4 anos com direito a reeleição para presidente; inobservância aos votos de subscrição estrita aos Símbolos de Fé; manutenção no rol de membros das igrejas ou em sua liderança, de filiados à maçonaria; o uso intransigente de imagens (figuras de Jesus e do Espírito Santo) com fins didáticos e religiosos para as crianças ou para os ignorantes e extensivo a todos os crentes; programações de entretenimento no Dia do Senhor; ausência quase completa do cântico dos Salmos na adoração nas congregações e igrejas locais; culto da páscoa, culto de pentecostes, culto da ressurreição às seis da manhã, culto da Reforma, culto de Natal…
Como nossos pais presbiterianos do passado, à semelhança de John Knox, não praticavam tais coisas, não poderíamos chamar com precisão os que tais coisas praticam de Neo-Presbiterianos?
O movimento (dos Puritanos) já passou há séculos, mas ainda os princípios bíblicos vivenciados por nossos pais são o que interessa à igreja moribunda e desconhecedora da Palavra, hoje.
O Senhor julgue tudo.
Amém.
Recife, 06 de outubro de 2004


[1] Dr. John Frame é Professor de Teologia Sistemática e Filosofia no Reformed Theological Seminary, Orlando, Flórida, USA.
[2] Um Chamado à Reforma – J. G. Vos, Blue Banner Faith and Life
[3] “… é por isso, que no meio REFORMADO NÓS TEMOS MAIS DE 50 (CINQUENTA) CORRENTES TEOLÓGICAS DIFERENTES, COM ÊNFASES DIFERENTES, por isso, eu, pastor… leio todas elas, não só algumas, ou só as que me agradam, mas todas, sem falar nas correntes teológicas que não são reformadas. Espero que TODOS façam o mesmo, PORQUE O PIOR IGNORANTE É AQUELE QUE LEU APENAS UM LIVRO E ACHA QUE É A ÚLTIMA AUTORIDADE NO ASSUNTO!” — mensagem de um pastor presbiteriano, pelo Messenger, aos jovens de sua igreja manifestando a sua oposição às verdades ensinadas e pregadas por reformados.
[4] Resistindo a Secularização, pg 14, Pr. Arival Dias Casimiro, Editora SOCEP.
[5] O Dr. James Hurley é professor de Matrimônio e Terapia da Família no Reformed Theological Seminary, Jackson Mississippi, USA.
[6] “… eu gostaria de lhe convocar para, em amor, darmos um basta também nos neopuritanos que são mais perniciosos do que qualquer outro movimento nesta igreja, e eu lhe digo isto COMO PASTOR! Posso contar com você?” — convocação feita através do Messenger por ministro presbiteriano aos jovens de sua igreja.
[7] O grande Presbiteriano inglês.
[8] Entre Gigantes de Deus, pp 24-25, Editora FIEL

35 Razões para não Pecar


 


 

Jim Elliff


Pr. Jim Elliff é o fundador e presidente da organização Christian Comunicators Worldwide (CCW). Obteve seu mestrado pelo Southwestern Baptist Theological Seminary. É membro da diretoria da FIRE (Fellowship of Independent Reformed Evangelicals) e é fundador do ministério Christ Fellowship, uma igreja constituída de congregações nos lares; é autor de vários livros, alguns deles publicados em português pela Editora Fiel. Jim é casado com Pam e o casal tem três filhos.

1 - Porque um pequeno pecado leva a mais pecados.

2 - Porque o meu pecado evoca a disciplina de Deus.

3 - Porque o tempo gasto no pecado é desperdiçado para sempre.

4 - Porque o meu pecado nunca agrada a Deus; pelo contrário, sempre O entristece.

5 - Porque o meu pecado coloca um fardo imenso sobre os meus líderes espirituais.

6 - Porque, no devido tempo, o meu pecado produz tristeza em meu coração.

7 - Porque estou fazendo o que não devo fazer.

8 - Porque o meu pecado sempre me torna menor do que eu poderia ser.

9 - Porque os outros, incluindo a minha família, sofrem conseqüências por causa do meu pecado.

10 - Porque o meu pecado entristece os santos.

11 - Porque o meu pecado causa regozijo nos inimigos de Deus.

12 - Porque o meu pecado me engana, fazendo-me acreditar que ganhei, quando, na realidade, eu perdi.

13 - Porque o pecado pode impedir que eu me qualifique para a liderança espiritual.

14 - Porque os supostos benefícios de meu pecado nunca superam as conseqüências da desobediência.

15 - Porque o arrepender-me do meu pecado é um processo doloroso, mas eu tenho de arrepender-me.

16 - Porque o pecado é um prazer momentâneo em troca de uma perda eterna.

17 - Porque o meu pecado pode influenciar outros a pecar.

18 - Porque o meu pecado pode impedir que outros conheçam a Cristo.

19 - Porque o pecado menospreza a cruz, sobre a qual Cristo morreu com o objetivo específico de remover o meu pecado.

20 - Porque é impossível pecar e seguir o Espírito Santo, ao mesmo tempo.

21 - Porque Deus escolheu não ouvir as orações daqueles que cedem ao pecado.

22 - Porque o pecado rouba a minha reputação e destrói o meu testemunho.

23 - Porque outros, mais sinceros do que eu, são prejudicados por causa do meu pecado.

24 - Porque todos os habitantes do céu e do inferno testemunharão sobre a tolice deste pecado.

25 - Porque a culpa e o pecado podem afligir minha mente e causar danos ao meu corpo.

26 - Porque o pecado misturado com a adoração torna insípidas as coisas de Deus.

27 - Porque o sofrer por causa do pecado não tem alegria nem recompensa, ao passo que sofrer por causa da justiça tem ambas as coisas.

28 - Porque o meu pecado constitui adultério com o mundo.

29 - Porque, embora perdoado, eu contemplarei novamente o pecado no Tribunal do Juízo, onde a perda e o ganho das recompensas eternas serão aplicados.

30 - Porque eu nunca sei por antecipação quão severa poderá ser a disciplina para o meu pecado.

31 - Porque o meu pecado pode indicar que ainda estou na condição de uma pessoa perdida.

32 - Porque pecar significa não amar a Cristo.

33 - Porque minha indisposição em rejeitar este pecado lhe dá autoridade sobre mim, mais do que estou disposto a acreditar.

34 - Porque o pecado glorifica a Deus somente quando Ele o julga e o transforma em uma coisa útil; nunca porque o pecado é digno em si mesmo.

35 - Porque eu prometi a Deus que Ele seria o Senhor de minha vida.

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A Heresia do Egocentrismo


 


 

John MacArthur

John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master's College and Seminary e do ministério "Grace to You"; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos.


"Não negligencieis a prática do bem e a mútua cooperação [koinonia]"


Hebreus 13.16

O egocentrismo não tem lugar na igreja. Nem devíamos dizer isso, mas, desde o alvorecer da era apostólica até hoje, o amor próprio em todas as suas formas tem prejudicado incessantemente a comunhão dos santos. Um exemplo clássico e antigo de egocentrismo fora de controle é visto no caso de Diótrefes. Ele é mencionado em 3 João 9-10, onde o apóstolo diz: "Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja".
Diótrefes anelava ser o preeminente em sua congregação (talvez até mais do que isso). Portanto, ele via qualquer outra pessoa que tinha autoridade de ensino – incluindo o apóstolo amado – como uma ameaça ao seu poder. João havia escrito uma carta de instrução e encorajamento à igreja, mas, por causa do desejo de Diótrefes por glória pessoal, ele rejeitou o que o apóstolo tinha a dizer. Evidentemente, ele reteve da igreja a carta de João. Parece que ele manteve em segredo a própria existência da carta. Talvez ele a destruiu. Por isso, João escreveu sua terceira epístola inspirada para, em parte, falar a Gaio sobre a existência da carta anterior.
Na verdade, o egoísmo de Diótrefes o tornou culpado do mais pernicioso tipo de heresia: ele rejeitou ativamente e se opôs à doutrina apostólica. Por isso, João condenou Diótrefes em quatro atitudes: ele rejeitou o ensino apostólico; fez acusações injustas contra um apóstolo; foi inóspito para com os irmãos e excluiu aqueles que não concordavam com seu desafio a autoridade de João. Em todo sentido imaginável, Diótrefes era culpado da mais obscura heresia, e todos os seus erros eram frutos de egocentrismo.
Em nosso estado caído, estado de carnalidade, somos todos assediados por uma tendência para o egocentrismo. Isto não é uma ofensa insignificante, nem um pequeno defeito de caráter, nem uma ameaça irrelevante à saúde de nossa fé. Diótrefes ilustra a verdade de que o amor próprio é a mãe de todas as heresias. Todo falso ensino e toda rebelião contra a autoridade de Deus estão, em última análise, arraigados em um desejo carnal de ter a preeminência – de fato, um desejo de reivindicar para si mesmo aquela glória que pertence legitimamente a Cristo. Toda igreja herética que já vimos tem procurado suplantar a verdade e a autoridade de Deus com seu próprio ego pretensioso.
De fato, o egocentrismo é herético porque é a própria antítese de tudo que Jesus ensinou ou exemplificou. E produz sementes que dão origem a todas as outras heresias imagináveis.
Portanto, não há lugar para egocentrismo na igreja. Tudo no evangelho, tudo que igreja tem de ser e tudo que aprendemos do exemplo de Cristo golpeia a raiz do orgulho e do egocentrismo humano.
Koinonia
As descrições bíblicas de comunhão na igreja do Novo Testamento usam a palavra grega koinonia. O espírito gracioso que essa palavra descreve é o extremo oposto do egocentrismo. Traduzida diferentemente por "comunhão", "compartilhamento", "cooperação" e "contribuição", esta palavra é derivada dekoinos, a palavra grega que significa "comum". Ela denota as ideias de compartilhamento, comunidade, participação conjunta, sacrifício em favor de outros e dar de si para o bem comum.
Koinonia era uma das quatro atividades essenciais que mantinha os primeiros cristãos juntos: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão [koinonia], no partir do pão e nas orações" (At 2.42). O âmago da "comunhão" na igreja do Novo Testamento era culto e sacrifício uns pelos outros, e não festividade ou funções sociais. A palavra em si mesma deixava isso claro nas culturas de fala grega. Ela foi usada em Romanos 15.26 para falar de "uma coleta em benefício dos pobres" (ver também 2 Co 9.3). Em 2 Coríntios 8.4, Paulo elogiou as igrejas da Macedônia por "participarem [koinonia] da assistência aos santos". Hebreus 13.16 diz: "Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação [koinonia]". Claramente, o egocentrismo é hostil à noção bíblica de comunhão cristã.
Uns aos outros
Esse fato é ressaltado também pelos muitos "uns aos outros" que lemos no Novo Testamento. Somos ordenados: a amar "uns aos outros" (Jo 13.34-35; 15.12, 17); a não julgar "uns aos outros" e ter o propósito de não por tropeço ou escândalo ao irmão (Rm 14.13); a seguir "as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros" (Rm 14.19); a ter "o mesmo sentir de uns para com os outros" e acolher "uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus" (Rm 15.5, 7). Somos instruídos a levar "as cargas uns dos outros" (Gl 6.2); a sermos benignos uns para com os outros, "perdoando... uns aos outros" (Ef 4.32); e a sujeitar-nos "uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5.21). Em resumo, "Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo" (Fp 2.3).
No Novo Testamento, há muitos mandamentos semelhantes que governam nossos relacionamentos mútuos na igreja. Todos eles exigem altruísmo, sacrifício e serviço aos outros. Combinados, eles excluem definitivamente toda expressão de egocentrismo na comunhão de crentes.
Cristo como cabeça de seu corpo, a igreja
No entanto, isso não é tudo. O apóstolo Paulo comparou a igreja com um corpo que tem muitas partes, mas uma só cabeça: Cristo. Logo depois de afirmar, enfaticamente, a deidade, a eternidade e a proeminência absoluta de Cristo, Paulo escreveu: "Ele é a cabeça do corpo, da igreja" (Cl 1.18). Deus "pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo" (Cl 1.22-23). Cristãos individuais são como partes do corpo, existem não para si mesmos, mas para o bem de todo o corpo: "Todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor" (Ef 4.16).
Além disso, cada parte é dependente de todas as outras, e todas estão sujeitas à Cabeça. Somente a Cabeça é preeminente, e, além disso, "se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam" (1 Co 12.26).
Até aquelas partes do corpo aparentemente insignificantes são importantes (vv. 12-20). "Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo?" (vv. 18-19).
Qualquer evidência de egoísmo é uma traição de não somente o resto do corpo, mas também da Cabeça. Essa figura torna o altruísmo humilde em virtude elevada na igreja – e exclui completamente qualquer tipo de egocentrismo.
Escravos de Cristo
A linguagem de escravo do Novo Testamento enfatiza, igualmente, esta verdade. Os cristãos não são apenas membros de um corpo, sujeitos uns aos outros e chamados à comunhão de sacrifício. Somos também escravos de Cristo, comprados com seu sangue, propriedade dele e, por isso, sujeitos ao seu senhorio.
Escrevi um livro inteiro sobre este assunto. Há uma tendência, eu receio, de tentarmos abrandar a terminologia que a Escritura usa porque – sejamos honestos – a figura de escravo é ofensiva. Ela não era menos inquietante na época do Novo Testamento. Ninguém queria ser escravo, e a instituição da escravidão romana era notoriamente abusiva.
No entanto, em todo o Novo Testamento, o relacionamento do crente com Cristo é retratado como uma relação de senhor e escravo. Isso envolve total submissão ao senhorio dele, é claro. Também exclui toda sugestão de orgulho, egoísmo, independência ou egocentrismo. Está é simplesmente mais uma razão por que nenhum tipo de egocentrismo tem lugar na vida da igreja.
O próprio senhor Jesus ensinou claramente este princípio. Seu convite a possíveis discípulos foi uma chamada à total autorrenúncia: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me" (Lc 9.23).
Os doze não foram rápidos para aprender essa lição, e a interação deles uns com os outros foi apimentada com disputas a respeito de quem era o maior, quem poderia ocupar os principais assentos no reino e expressões semelhantes de disputas egocêntricas. Por isso, na noite de sua traição, Jesus tomou uma toalha e uma bacia e lavou os pés dos discípulos. Sua admoestação para eles, na ocasião, é um poderoso argumento contra qualquer sussurro de egocentrismo no coração de qualquer discípulo: "Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13.14-15).
Foi um argumento do maior para o menor. Se o eterno Senhor da glória se mostrou disposto a tomar uma toalha e lavar os pés sujos de seus discípulos, então, aqueles que se chamam discípulos de Cristo não devem, de maneira alguma, buscar preeminência para si mesmos. Cristo é nosso modelo, e não Diótrefes.
Não posso terminar sem ressaltar que este princípio tem uma aplicação específica para aqueles que estão em posições de liderança na igreja. É um lembrete especialmente vital nesta era de líderes religiosos que são superestrelas e pastores jovens que agem como estrelas de rock. Se Deus chamou você para ser um presbítero ou mestre na igreja, ele o chamou não para sua própria celebridade ou engrandecimento. Deus o chamou a fazer isso para a glória dele mesmo. Nossa comissão é pregar não "a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos [escravos], por amor de Jesus" (2 Co 4.5).

Traduzido por: Francisco Wellington Ferreira
Editor: Tiago Santos
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Publicado originalmente na Revista Tabletalk, nº 3, Vol. 36, do ministérioLigonier.
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