Cristo como sumo sacerdote... entrou no Santo dos Santos... tendo obtido eterna redenção. Hebreus 9.11-12
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Será mesmo que Deus ama e deseja a salvação de todos?
Heitor Alves
Se fizermos esta pergunta para todos o evangélicos, a maioria esmagadora responderiam afirmativamente. São vários os motivos para se responder positivamente a pergunta. Existe um sentimento de que o homem é bom e que não merece ser castigado. O interessante é que querem que Deus sinta este mesmo sentimento quando o assunto é condenação. Deus não pode condenar o homem e nem quer fazer isso. O homem tem valor. Ele é bom, não é tão mau a ponto de merecer o inferno.
Este sentimento tem penetrado nas igrejas evangélicas, distorcendo a teologia bíblica. A teologia predominante nos púlpitos é uma teologia humanista, uma teologia agradável ao homem. Se ouve, domingo após domingo, assuntos relacionados ao existencialismo, onde colocam Deus como um super-herói preparado para enfrentar as dificuldades que o homem venha a sofrer. Se Deus procura "evitar" que o homem sofra nesta vida, muito mais Ele fará na alma do homem. Por isso, vemos aquela doutrina satânica de que Deus deseja e quer a salvação de todos os homens!
Esse é o resultado prático de um cristianismo que jogou no lixo as Sagradas Escrituras. Estão pisando na Palavra de Deus. Rasgando suas páginas e jogando-as nas fogueiras de uma "inquisição" construída para não abalar a credibilidade e não desvalorizar o homem. E de que modo é praticada esta moderna "inquisição"? Não é mais com fogueiras literais ou confisco de bens, ou até mesmo de perda da liberdade. Mas esta moderna forma de "inquisição" é praticada quando é negada a autoridade absoluta e suprema das Escrituras sobre a igreja, e se busca novas revelações extrabíblicas, tratando-as como suprema autoridade.
Por isso encontramos uma grande hostilidade quando vamos expor o que de fato as Escrituras afirmam sobre os assuntos abandonados pelos evangélicos atuais, dentre eles o assuntos sobre a expiação limitada.
Deixando de lado todas as emoções ou humanismo, vamos expor aquilo que a Bíblia fala a respeito do desejo de Deus com respeito a salvação do homem. Afinal de contas, Deus quer a salvação de toda a humanidade?
Todos os arminianos, sem exceção, ao começarem uma discussão a respeito do amor de Deus, lembram logo de João 3.16. “Deus amou o mundo”! Todos são alvos do amor de Deus! É injusto lembrarmos apenas do verso 16. Por que não citar até o verso 21?
16 Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18 Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
19 O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.
20 Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras.
21 Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.
O texto não diz que Deus ama todos os homens. Jesus está dizendo que o amor de Deus não se estende apenas aos judeus de sua época, mas o seu amor alcança pessoas além dos limites da Judéia. O seu amor se estende também aos gentios. Interessante que os arminianos não conseguem enxergar que o alvo do amor de Deus são aqueles que crêem em Jesus Cristo, e somente eles. Veja que o verso 18 decreta a condenação daqueles que não crêem "porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus". Deus não pode amar aquele que se mantém rebelde contra Jesus. O amor de Deus não está nele, e sim a sua ira: "Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo 3.36).
O curioso do ensinamento arminiano é que a teologia arminiana diz uma coisa e a bíblia diz outra. Por exemplo: se Deus ama a todos indiscriminadamente (como afirmam os arminianos) a lógica é Cristo orar e desejar a salvação de todos! Mas ele não deseja isso. Podemos notar isso na oração que ele faz em João 17. Cristo ora para que Deus conceda a vida eterna para um grupo seleto de pessoas: "Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. Agora, eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti; porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste" (Jo 17.6-8). Em seguida, Cristo fulmina os arminianos com as seguintes palavras: "É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus" (v.9). Por todo o capítulo 17, Cristo repete sempre as mesmas palavras "aqueles que tu me deste", "homens que me deste do mundo".
Eu não posso acreditar que há um desentendimento entre o Pai e o Filho. Não posso acreditar numa confusão na Trindade! Deus desejando salvar a todos, mas o Filho orando por alguns. O próprio Jesus afirmou que Ele veio fazer a vontade do Pai, esta é a sua comida (Jo 4.34). Deus não ama a todos e não quer a salvação de todos!
Para encerrar, tenho mais uma prova de que Deus não deseja a salvação de todos. A prova está em Mateus 11.20-24.
20 Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido:
21 Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza.
22 E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.
23 Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.
24 Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.
Cristo passa a condenar as cidades que tiveram a oportunidade de presenciar a pregação do evangelho (que naquela época era acompanhada da operação de milagres que testificavam da pregação). Corazim, Betsaida e Cafarnaum foram as cidades onde Cristo pregou o evangelho e mesmo assim estas cidades não se converteram. A partir daí, Cristo nos revela algo que nos incomoda: ele começa a “passar na cara” destas cidades que se ele tivesse pregado (e operado milagres) nas cidades de Tiro, Sidom e Sodoma, elas teriam se arrependido “com pano de saco e cinza” e permanecido “até ao dia de hoje”.
Se Cristo sabia que essas cidades iriam se arrepender com sua pregação, então, porque ele não foi até elas? Porque Cristo abriu mão dessas cidades, sabendo que os seus habitantes seriam convertidos e ingressados no reino dos céus? Deus não ama a todos? Então porque Deus deixou de fora dos céus os homens, as mulheres, os idosos, as crianças, os jovens e os adolescentes de Tiro, Sidom e Sodoma? Não foi o próprio Jesus quem afirmou: “Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lucas 15:10)? Porque Deus evitaria causar uma grande festa no céu por ocasião de três cidades arrependidas? Deus não ama a todos?
Isso me faz lembrar um outro texto: Isaías 6.9-13:
9 Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais.
10 Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.
11 Então, disse eu: até quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de todo assolada,
12 e o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo.
13 Mas, se ainda ficar a décima parte dela, tornará a ser destruída. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco.
Deus envia Isaías para pregar a um povo que não se arrependerá. Não se arrependerá porque Deus tornará insensível o coração desse povo. Não se arrependerá porque Deus endurecerá os ouvidos. Não se arrependerá porque fechará os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo”.
Somente os eleitos de Deus são os alvos do amor salvífico de Deus. Somente os seus eleitos experimentarão a graça de serem participantes do seu reino.
Não cabe a nós imaginarmos quem é o alvo do amor de Deus e quem não é. Não temos esse poder. Não podemos deixar de pregar o evangelho a alguém achando que esse alguém não faça parte dos eleitos. Resta-nos pregar o evangelho ao máximo de pessoas possíveis, sem fazer distinção. Precisamos olhar para as pessoas como um “eleito” em potencial. Todos os homens são passíveis de receberem a Cristo de bom grado e de coração. Por isso precisamos pregar o evangelho a toda criatura. A pregação do evangelho a todos não garante salvação. Precisamos ser o agricultor que joga as sementes em vários tipos de solos; mas isso não garante que todos os solos receberão as sementes e se transformarão em belas plantas e árvores. Deus mesmo fará com que as sementes da Sua palavra caia em corações que Ele mesmo preparou para recebê-las.
Devemos cumprir com nossa obrigação de pregar o evangelho a todos. Inclusive aos nossos parentes. Não sabemos o que Deus planejou para a vida de cada um deles. Não sei o destino eterno da minha esposa, do meu filho, do meu marido, do meu irmão, do meu pai, da minha mãe... Não cabe a mim fazer conjecturas. Cabe a mim pregar o evangelho e orar a Deus e entregar a alma do meu parente nas mãos de Deus.
O próprio Espírito de Deus acalmará nossa ansiedade, acalmará nosso espírito, se estivermos com dúvidas a respeito daquele parente que faleceu. Por mais que seja triste e dolorosa a partida de um ente querido que morreu sem Cristo, Deus mesmo nos dará o consolo necessário e suficiente para nossa dor. A nossa postura diante de Deus deve ser uma postura de honra, louvor, adoração, de submissão, de entrega total de nossas vidas a Ele, reconhecendo que Ele pode fazer o que bem entender com suas criaturas.
Soli Deo Gloria!
Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org/eleicao/sera-mesmo-que-deus-ama-deseja-salvacao-de-todos-heitor-alves.html#ixzz1ZGEmmIih
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
John Piper – Dez Efeitos de Se Crer nos Cinco Pontos do Calvinismo
Estes dez pontos são meu testemunho pessoal dos efeitos de se crer nos cinco pontos do Calvinismo. Eu tinha acabado de completar o ensino num seminário sobre este assunto, quando fui solicitado pelos membros da classe para que publicasse essas reflexões, de forma que eles pudessem ter acesso a elas. Estou muito feliz de assim o fazer. Apesar do conteúdo dessas reflexões estar disponível numa fita do Desiring God Ministries, eu o coloquei aqui para um aproveitamento mais amplo, na esperança de que elas possam motivar outros a investigar, como os Bereanos, para ver se a Bíblia ensina o que eu chamo de “Calvinismo”.
Eu me recordo o tempo quando eu primeiramente observei, enquanto ensinava Efésios no Colégio Betel no final da década de 70, a tripla declaração do objetivo de toda obra de Deus, a saber, “para o louvor da glória de Sua graça” (Efésios 1:6,12,14).
1. Estas verdades me fazem permanecer no temor de Deus e me guiam à profundidade da adoração centrada em Deus.
Eu me recordo o tempo quando eu primeiramente observei, enquanto ensinava Efésios no Colégio Betel no final da década de 70, a tripla declaração do objetivo de toda obra de Deus, a saber, “para o louvor da glória de Sua graça” (Efésios 1:6,12,14).Isto me leva a ver que não podemos enriquecer a Deus e que, portanto, Sua glória brilha mais claramente, não quando tentamos satisfazer Suas necessidades, mas quando estamos satisfeitos nEle, como a essência de nossos feitos. “Porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória pois a Ele eternamente” (Romanos 11:36). A adoração se torna um fim em si mesma.
Isto tem me feito sentir quão fracas e inadequadas são minhas afeições, de forma que os Salmos de desejos tornam-se vivos e fazem a adoração intensa.
2. Essas verdades ajudam a me proteger de brincar com as coisas divinas.
Uma das maldições de nossa cultura é a banalidade, atração, inteligência. A televisão é o principal sustentador de nosso vício à superficialidade e trivialidade.
Deus é varrido nisto. Por conseguinte, a brincadeira com as coisas divinas.
Seriedade não é excessiva em nossos dias. Ela pode alguma vez ter sido. E, sim, há desequilíbrios em certas pessoas hoje, que parecem não ser capazes de relaxar e falar sobre o tempo.
Robertson Nicole disse de Spurgeon, “O evangelismo do tipo humorístico [poderíamos dizer crescimento de igreja do tipo marketing] pode atrair multidões, mas ele reduz a alma a cinzas e destrói os genuínos germes da religião. O Sr. Spurgeon é freqüentemente considerado por aqueles que não conhecem seus sermões, como tendo sido um pregador humorista. Para dizer a verdade, não houve nenhum pregador cujo tom fosse mais informalmente sério, reverente e solene” (Citado na Supremacia de Deus na Pregação, p. 57).
3. Estas verdades fazem com que me maravilhe com minha própria salvação.
Após expor a grande obra de salvação de Deus em Efésios 1, Paulo ora, na última parte deste capítulo, para que o efeito desta teologia seja a iluminação de nossos corações, para que nos maravilhemos na nossa esperança, e nas riquezas da glória de nossa herança, e no poder de Deus que opera em nós – isto é, o poder para ressuscitar os mortos.
Todo motivo de vanglória é removido. Alegria e gratidão de um coração quebrantado abundam.
A piedade de Jonathan Edwards começa a crescer. Deus nos dá uma prova de Sua própria majestade e nossa própria perversidade e então, a vida Cristã se torna uma coisa muito diferente da piedade convencional. Edwards a descreve belamente quando ele diz,
“Os desejos dos santos, embora sérios, são desejos humildes: sua esperança é uma esperança humilde, e sua alegria, mesmo quando ela é indizível, e cheia de glória, é humilde, uma alegria de um coração quebrantado, e deixa o Cristão mais pobre em espírito, e mais semelhante a uma pequena criança, e mais disposto a uma submissão universal de comportamento (Religious Affections, New Haven: Yale University Press, 1959, pp. 339s).
4. Estas verdades me fazem alerta para os substitutos antropocêntricos que se apresentam como boas novas.
Em meu livro, Os Prazeres de Deus (2000), pp. 144-145, eu mostro que no século XVIII, na Nova Inglaterra, o declínio da crença na soberania de Deus levou ao Arminianismo, e então ao universalismo, e então ao Unitarismo. A mesma coisa aconteceu na Inglaterra no século XIX, após Spurgeon.
O livro de Iain Murray, Jonathan Edwards: Uma Nova Biografia (Edinburgh: Banner of Truth, 1987), p. 454, documenta a mesma coisa: “As convicções calvinistas diminuíram na América do Norte. No progresso do declínio que Edwards tinha com razão alertado de antemão, aquelas igrejas Congregacionais da Nova Inglaterra que tinham abraçado o Arminianismo após o Grande Despertamento, gradualmente se moveram para o Unitarismo e universalismo, guiados por Charles Chauncy”.
Você pode ler também no livro de J.I. Packer, Quest for Godliness [1] (Wheaton, IL: Crossway Books, 1990), p. 160, como Richard Baxter abandonou estes ensinamentos e como as gerações seguintes colheram uma colheita amarga na igreja de Baxter, em Kidderminster.
Estas doutrinas são um baluarte contra os ensinamentos antropocêntricos em muitas formas, que gradualmente corrompem a igreja e a fazem fraca internamente, enquanto tudo parece forte ou popular.
1 Timóteo 3:15, “A igreja do Deus vivo [é] o pilar e o baluarte da verdade”.
5. Estas verdades me fazem gemer diante da indescritível doença de nosso século: uma cultura que faz pouco caso de Deus.
Eu dificilmente posso ler o jornal ou ver um anúncio na TV ou na billboard [2] sem sentir o peso de que Deus está ausente.
Quando Deus é a principal realidade no universo e é tratado como uma não-realidade, eu tremo diante da ira que está sendo entesourada. Eu sou capaz de ficar chocado. Muitos cristãos estão sedados com a mesma droga que o mundo está. Mas estes ensinos são um grande antídoto.
E eu oro por despertamento e avivamento.
E tento pregar para criar um povo que são tão saturados de Deus, que eles mostrarão e falaram sobre Deus em tudo lugar, e em todo tempo.
Nós existimos para reafirmar a realidade de Deus e a supremacia de Deus em tudo da vida.
6. Estas verdades me fazem confiar que a obra que Deus planejou e começou, Ele terminará – tanto globalmente como pessoalmente.
Este é o ponto de Romanos 8:28-39.
E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.
7. Estas verdades me fazem ver tudo à luz dos propósitos soberanos de Deus – Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente.
Tudo da vida se relaciona com Deus. Não há compartimento onde Ele não seja todo-importante e Aquele que dá significado à todas as coisas. 1 Coríntios 10:31.
Vendo o soberano propósito de Deus se desenvolvendo na Escritura, e ouvindo Paulo dizer que “Ele faz todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade” (Efésios 1:11) me faz ver o mundo desta maneira.
8. Estas verdades me fazem esperançoso de que Deus tem a vontade, o direito e o poder de responder orações para que as pessoas sejam transformadas.
A garantia de oração é que Deus pode interromper e mudar as coisas – incluindo o coração humano. Ele pode mudar a vontade ao redor. “Santificado seja Teu nome” significa: faça com que as pessoas santifiquem Seu nome. “Possa Sua palavra correr e ser glorificada” significa: faça com que os corações sejam abertos para o evangelho.
Devemos tomar as promessas do Novo Concerto e implorar a Deus para que as cumpra em nossas crianças e em nossos vizinhos, e entre todas os campos missionários do mundo.
“Deus, tire o coração de pedra deles e lhes dê um coração de carne” (Ezequiel 11:19).
“Senhor, circuncide os seus corações, para que eles Te amem” (Deuteronômio 30:6).
“Pai, coloque Teu Espírito dentro deles e faça com que eles andem em Teus estatutos” (Ezequiel 36:27).
“Senhor, conceda-lhes arrependimento e o conhecimento da verdade, para que eles possam espaçar das ciladas do diabo” (2 Timóteo 2:25-26).
“Pai, abras os seus corações, para que eles creiam no evangelho” (Atos 16:14).
9. Estas verdades me fazem lembrar que o evangelismo é absolutamente essencial para que as pessoas venham a Cristo e sejam salvas, e que há grande esperança para o sucesso no conduzir as pessoas à fé, mas que a conversão não é, no final das contas, dependente de mim ou limitada pela dureza do incrédulo.
Assim, isto dá esperança ao evangelismo, especialmente nos lugares difíceis e entre povos duros.
João 10:16, ” Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz”
Isto é obra de Deus. Se arremesse nela com abnegação.
10. Estas verdades me asseguram de que Deus triunfará no fim.
Isaías 46:9-10: “Eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antigüidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade;
Resumindo todos estes pontos: Deus recebe a glória e nós a alegria,
NOTAS DO TRADUTOR
[1] – Publicado no Brasil pela Editora Fiel, com o título “Entre os Gigantes de Deus: Uma Visão Puritana da Vida Cristã”.
[2] – Revista semanal americana dedicada à música e às gravadoras (inclui a colocação semanal das músicas mais pedidas e os álbuns mais vendidos).
Por John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org
Tradução : Felipe Sabino de Araújo Neto. Website: monergismo.com
Pecadores nas mãos de um Deus irado
"Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo que resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e as coisas que lhes hão de suceder, se apressam a chegar." (Deuteronômio 32:35 ACF1)
Neste verso está indicada a vingança de Deus sobre os pecaminosos e descrentes israelitas, que eram o povo visível de Deus, e que viviam sob os meios de graça; mas que, não obstante todas as maravilhas das obras de Deus para com eles, permaneciam (como está no verso 28) faltos de conselho, não havendo neles entendimento. Debaixo de todos os cultivos do céu, eles produziam fruto amargo e venenoso; como está nos dois versos próximos que precedem o texto. - A expressão que escolhi como meu texto, ao tempo que resvalar o seu pé, parece encerrar os seguintes fatos, relativos à punição e destruição a que estes israelitas pecadores estavam sujeitos:Que estavam sempre expostos à destruição; como alguém que se levanta e anda por lugares escorregadios está sempre exposto à queda. Isto está implícito na forma de destruição que vinha sobre eles, sendo representada por seus pés escorregando (resvalando). O mesmo está expresso no Salmo 73:18 "Certamente tu os puseste em lugares escorregadios; tu os lanças em destruição."
Isto implica, que eles sempre estiveram expostos a uma repentina e inesperada destruição. Como aquele que anda por locais escorregadios está a cada instante sujeito à queda; ele não pode prever o momento em que estará de pé ou o próximo em que cairá; e quando cai, cai subitamente, sem aviso. Isto também está expresso no Salmo 73:18-19 "Certamente tu os puseste em lugares escorregadios; tu os lanças em destruição. Como caem na desolação, quase num momento! Ficam totalmente consumidos de terrores."
Outra implicação é, que eles estavam sujeitos a cair por si mesmos, sem serem derrubados pela mão de outro; como aquele que se levanta e anda por um terreno escorregadio não precisa de nada além de seu próprio peso para derrubá-lo.
Que a razão porque eles não haviam ainda caído, e não caíram naquele instante, é apenas que o tempo definido por Deus não havia chegado. Por isto está dito que ao tempo, ou quando o tempo determinado chegar, seus pés irão resvalar (escorregar). Então será permitido que caiam, como estão propensos por seu próprio peso. Deus não irá mais segurá-los nestes lugares escorregadios, mas irá deixá-los cair; e então neste exato instante, cairão em destruição; como aquele que se põe em pé em uma rampa escorregadia e inclinada, à beira de um penhasco, não pode permanecer em pé por si só; quando é solto imediatamente cai e está perdido.
O exame das palavras nas quais eu irei agora insistir é este: - "Não há nada que mantenha pecadores, em momento algum, fora do inferno, a não ser a mera graça de Deus". - Por mera graça de Deus, quero dizer sua soberana graça, sua vontade arbitrária, não se prendendo a qualquer obrigação, não impedida por nenhuma forma de dificuldade, coisa alguma mais que a possibilidade da vontade de Deus tida em seu menor grau, ou em qualquer outra consideração, qualquer que seja, nenhuma outra mão há a preservar os pecadores em momento algum. - A verdade deste exame pode aparecer através das seguintes considerações:
Não há nenhuma falta de poder em Deus para lançar pecadores ao inferno a qualquer instante. As mãos dos homens não têm forças quando Deus se levanta. O mais forte não Lhe pode resistir, nem pode escapar de suas mãos. - Ele não somente é capaz de lançar pecadores ao inferno, mas pode fazê-lo muito facilmente. Algumas vezes um príncipe terreno encontra grande dificuldade para subjugar um rebelde que tenha encontrado meios de se fortificar, e que tenha se feito forte pelo número de seus seguidores. Mas, não é assim com Deus. Não há fortaleza que sirva de defesa contra o poder de Deus. E ainda que mãos se unam a outras mãos, e vastas multidões de inimigos de Deus se combinem e se associem, eles serão facilmente feitos em pedaços. Eles são como um grande monte de finas moinhas diante de um tufão; ou grandes quantidades de restolho seco diante de chamas devoradoras. Nós achamos fácil pisar e esmagar um verme que vejamos a se arrastar pelo chão; assim também nos é fácil cortar ou queimar uma fina linha na qual alguma coisa esteja pendurada: pois é fácil assim para Deus, quando deseja, lançar seus inimigos até ao inferno. O que nós somos, para que pensemos em nos colocar contra Ele, por cuja repreensão a terra treme, e diante de quem as rochas são esmagadas?
Eles merecem ser lançados ao inferno; tanto que a divina justiça nunca se interpõe no caminho, ela não faz nenhuma objeção quanto a Deus usar seu poder no momento de destruí-los. De fato, ao contrário, a justiça clama por uma infinita punição de seus pecados. A justiça divina diz daqueles que geram tais uvas de Sodoma: "Corta o; por que ocupa ainda a terra inutilmente?" Lucas 13.7. A espada da divina justiça está neste momento brandindo sobre suas cabeças, e não há nada além da mão da soberana misericórdia, e da mera vontade de Deus, detendo-a.
Eles já estão sob uma sentença de condenação ao inferno. Eles não somente merecem, justamente, serem lançados lá, mas a sentença da lei de Deus, que é a eterna e imutável regra de justiça que Deus fixou entre Ele e a humanidade, foi contra eles, e permanece contra eles, tanto que já estão suspensos sobre o inferno. João 3:18 "Quem não crê já está condenado". Assim é que cada homem não convertido pertence ao inferno; que é seu lugar; de lá ele é. João 8:23 "Vós sois de baixo." E para lá estar, é levado; é o lugar onde a justiça, e a palavra de Deus, e a sentença da sua imutável lei serão aplicadas sobre este homem.
Eles são agora objeto daquela mesma ira e vingança de Deus, que é expressa pelos tormentos do inferno. E a razão pela qual não vão ao inferno neste mesmo instante, não é porque Deus, em poder de quem estão, não esteja neste momento grandemente irado com eles, da mesma forma como está com as muitas miseráveis criaturas que estão agora em tormentos no inferno, as quais lá sentem e suportam a fúria de sua ira. Na verdade, Deus está irado em um grau muito maior com um grande número dos que estão agora na terra; sim, e sem dúvida, com muitos que estão agora nesta congregação (os quais, é possível, estejam bem à vontade), do que está com muitos daqueles que estão agora nas chamas do inferno.
Tanto que não é porque Deus esteja desatento às suas maldades, e não se ressinta delas, que Ele não deixa sua mão baixar e cortá-los fora. Deus não é de forma alguma como eles próprios, apesar deles O imaginarem como sendo. A Ira de Deus queima contra eles, sua condenação não descansa, o abismo está preparado, o fogo está pronto, a fornalha já está quente, pronta para recebê-los; as chamas estão neste momento intensas e ardentes. A resplandecente espada está afiada, e levantada sobre eles, e o abismo tem aberto sua boca abaixo deles.
O diabo permanece pronto a cair sobre eles, e apanhá-los como seus próprios, no momento em que Deus o permitir. Eles lhe pertencem; ele tem suas almas em possessão, e sob seu domínio. As Escrituras os representam como suas posses, Lucas 11:21. Os demônios os assistem; estão sempre com eles à sua mão direita; os demônios permanecem aguardando por eles, como vorazes leões famintos que vêem sua presa, e esperam conseguí-la, mas que por enquanto são mantidos afastados. Se Deus retirasse sua mão, pela qual os demônios estão sendo contidos, eles iriam imediatamente voar sobre suas pobres almas. A antiga serpente está escancarada para eles; o inferno abre sua enorme boca para recebê-los; e se Deus assim o permitisse, seriam rapidamente engolidos e estariam perdidos.
Há nas almas dos pecadores princípios diabólicos reinando, os quais num instante queimariam e arderiam no fogo do inferno, não fosse pela restrição de Deus. Existe guardada na própria natureza do homem carnal, uma fundação para os tormentos do inferno. Existem neles princípios corrompidos, em reinante poder, e em plena possessão deles, que são as sementes do fogo do inferno. Estes princípios estão ativos e são poderosos, e extremamente violentos em sua natureza, e se não fosse pela restringente mão de Deus sobre eles, rapidamente eles se romperiam e se incendiariam, da mesma forma que estas mesmas corrupções, que o mesmo inimigo cria nos corações das almas em danação no inferno, e produziriam os mesmos tormentos que nelas produzem. As almas dos pecadores são comparadas pelas Escrituras a um mar bravo, Isaias 57:20. No momento, Deus restringe sua maldade através de seu imenso poder, como Ele faz com as furiosas ondas do mar turbulento, dizendo: "Até aqui virás, e não mais adiante"2, mas se Deus retirasse este poder restringente, ele levaria rapidamente todos consigo. O pecado é a ruína e a miséria da alma; é destrutivo em sua natureza; e se Deus o deixasse sem sua restrição, nada mais seria necessário para tornar a alma completamente miserável. A corrupção do coração do homem é sem moderação e não tem limites em sua fúria, e enquanto o pecador aqui viver, é como fogo contido pela restrição de Deus; levando-se em conta que se for deixado solto incendiará o curso da natureza e o coração será então uma fossa de pecado, assim se o pecado não fosse restringido, imediatamente transformaria a alma em um forno ardente, ou em uma fornalha de fogo e enxofre.
Não há segurança para pecadores em momento algum, ainda que não existam meios visíveis de morte à mão. Não há segurança para um homem natural, ainda que agora esteja com saúde, e que não veja de que forma possa já agora sair do mundo por causa de algum acidente, e que não haja qualquer perigo visível em nenhum aspecto de suas condições de vida. A contínua e variada experiência do mundo em todos os tempos, mostra que isto não é evidência de que um homem não esteja à beira da eternidade, ou de que o próximo passo não ocorra em outro mundo. O invisível, os imprevisíveis caminhos e meios pelos quais as pessoas vão subitamente para fora deste mundo são inumeráveis e inimagináveis. Homens inconversos andam sobre o abismo do inferno em uma cobertura podre, e há inúmeros lugares nesta cobertura tão fracos que não suportarão seu peso, e estes lugares não são visíveis. As flechas da morte voam invisíveis mesmo ao meio-dia; a vista mais aguçada não as pode discernir. Deus tem muitos e insondáveis meios de levar pecadores para fora deste mundo e enviá-los ao inferno, e não há nada que mostre isto, de modo que Deus não tem necessidade de ficar à busca de um milagre, ou de alterar o curso normal de sua providência, para destruir qualquer pecador, em um momento qualquer. Todos os meios que existem para que pecadores saiam deste mundo estão nas mãos de Deus, e estão tão universal e absolutamente sujeitos ao seu poder e determinação, que não depende de nada além da mais simples vontade de Deus, para que os pecadores sigam em um instante qualquer para o inferno, mesmo que estes meios jamais tenham sido utilizados, ou que não sejam concernentes ao caso.
A prudência e o cuidado dos homens naturais em preservar suas próprias vidas, ou o cuidado de outros em preservá-las, não lhes dá segurança em tempo algum. Disto, a divina providência e a experiência universal dão também testemunho. Há esta clara evidência de que a sabedoria própria dos homens não lhes é segurança contra a morte; porque se fosse de outra forma nós veríamos alguma diferença entre os homens sábios e políticos do mundo, e os outros, com relação à sua sujeição a uma morte prematura e inesperada: mas como é isto de fato? Eclesiastes 2:16 "E como morre o sábio, assim morre o tolo!"
Todos os esforços e a sagacidade dos pecadores, as quais usam para tentar escapar do inferno, enquanto continuam a rejeitar a Cristo, e portanto, permanecendo pecadores, não lhes garantem contra o inferno em nenhum momento. Praticamente qualquer homem natural que ouve sobre o inferno, ilude a si mesmo de que irá escapar dele; ele depende de si mesmo para sua própria segurança, e se ilude sobre o que já fez, sobre o que tem feito, ou sobre o que pretende fazer. Cada um projeta maneiras em sua própria mente sobre como evitará a danação, e se ilude achando que planejou bem para si mesmo, e que estes esquemas não irão falhar. Eles ouvem, na verdade, que há muito poucos salvos, e que grande parte dos homens que antes morreram foram para o inferno; mas, cada um imagina que projetou maneiras melhores para seu próprio escape do que os outros fizeram. Ele não tem a intenção de ir àquele lugar de tormento; diz a si mesmo, que pretende tomar um cuidado efetivo, e estabelecer fórmulas tais que ele mesmo não venha a falhar.
Mas, os tolos filhos dos homens miseravelmente se iludem a si mesmos com seus próprios esquemas, e certos de sua própria força e sabedoria, confiam em nada mais do que uma sombra. A maior parte daqueles que antes viveram sob estes mesmos meios de graça, e que agora estão mortos, foram indubitavelmente para o inferno; e isto não ocorreu porque eles não foram tão espertos quanto aqueles que agora estão vivos: não aconteceu porque eles não tenham projetado, para si mesmos, maneiras de escapar tão boas que assegurassem seu próprio escape. Se nós pudéssemos falar com eles, e inquirir deles, um por um, se eles esperavam, quando vivos, quando ouviram sobre o inferno, que em algum momento estariam sujeitos àquela miséria, sem dúvida, iríamos ouvir um por um responder: "Não, eu nunca pretendi vir para cá; eu tinha planejado as coisas de outra forma em minha mente; eu pensei que havia planejado bem para mim; - pensei que meu esquema fosse bom. Eu pretendi tomar cuidados efetivos, mas ela veio sobre mim inesperadamente; eu não a procurei naquele instante, ou daquela forma; ela veio como um ladrão: - A morte levou a melhor sobre mim. A Ira de Deus foi rápida demais para mim. Oh, minha amaldiçoada insensatez! Eu estava me iludindo e me agradando com sonhos vãos do que faria na vida futura, ao tempo em que dizia: Paz e segurança, então me sobreveio repentina destruição."
Deus não se tem colocado sob nenhuma obrigação, por qualquer promessa, a manter homens naturais fora do inferno em momento algum. Deus certamente não fez promessas seja de vida eterna, ou de qualquer livramento ou preservação da morte eterna, além das que estão contidas na aliança da graça, as promessas que são dadas em Cristo, no qual todas as promessas estão, de fato e amém. Mas, certamente não têm interesse nas promessas da aliança da graça aqueles que não são filhos da graça, aqueles que não crêem em quaisquer de suas promessas, e não têm interesse no Mediador da aliança.
Assim é que, com relação a tudo o que alguns têm imaginado e aspirado sobre promessas feitas às buscas e batidas honestas de homens naturais, é evidente e manifesto, que a despeito dos esforços que um homem natural tome em religião, a despeito das orações que faça, até o momento em que venha a crer em Cristo, Deus não está de forma alguma obrigado de protegê-lo um momento sequer da destruição eterna.
Assim é que, desta forma estão os homens naturais seguros pela mão de Deus, sobre o abismo do inferno; eles merecem o abismo de fogo, e já estão sentenciados a ele; e Deus está sendo terrivelmente provocado; sua ira é tão grande contra eles quanto para com aqueles que estão agora sofrendo as execuções da ferocidade de sua ira no inferno, e eles não tem feito nada para abrandar ou abater esta ira, nem está Deus ao menos preso por qualquer promessa a mantê-los um instante que seja; o diabo os está esperando, o inferno está escancarado para eles, as chamas juntam-se e flamejam por eles, e irão alegremente envolvê-los, e engoli-los; o fogo contido em seus próprios corações está se debatendo para sair. E eles não têm qualquer interesse em um Mediador, não há meios através dos quais alcancem o que lhes pode ser de segurança. Resumindo, eles não têm refúgio, nada que os mantenha, tudo o que os preserva em cada momento é a mera vontade arbitrária e a não pactuada, não obrigada, clemência de um Deus enfurecido.
Aplicação
O uso para este terrível tema pode ser o de despertar as pessoas não convertidas nesta congregação. Isto que vocês ouviram é o caso de cada um de vocês que não estão em Cristo. - Aquele mundo de miséria, aquele lago de enxofre incandescente, está largamente estendido abaixo de vocês. Há o horrendo abismo de chamas ardentes da Ira de Deus; há a enorme boca do inferno escancaradamente aberta; e você não tem nada para se manter acima deles, nem nada que para se segurar, não há nada entre você e o inferno além de ar; é somente o poder e a mera vontade de Deus que te mantém acima.
Você provavelmente não tem ciência disto; você se percebe sendo mantido fora do inferno, mas não vê a mão de Deus nisto; e busca outras coisas, como o bom estado de sua constituição corporal, você tem cuidado de sua própria vida, e dos meios que você usa para sua própria preservação. Mas, na verdade, estas coisas não são nada, se Deus retirar sua mão, elas não servirão para evitar a sua queda, mais do que o ar rarefeito irá segurar uma pessoa que esteja nele suspensa.
A sua fraqueza faz como se você fosse pesado como chumbo, e dirigindo-se abaixo com grande peso e pressão em direção ao inferno; e se Deus permitir que vá, você imediatamente afundará e prontamente descerá e mergulhará no abismo sem fim, e sua saudável constituição, e seu cuidado próprio e prudência, e melhor habilidade, e toda sua justiça, não terão mais influência para sustentá-lo e mantê-lo fora do inferno, do que a teia de uma aranha tem para parar uma rocha que cai. Se não fosse pela vontade soberana de Deus, a terra não te manteria um momento; porque você é um peso para ela, a criação geme por sua causa; a criação está sujeita ao laço da sua corrupção, mas não de bom grado; o sol não brilha de boa vontade sobre você para lhe dar luz para servir ao pecado e a Satanás; a terra não produz de bom grado sua produção para satisfazer suas luxúrias; nem é a boa vontade um palco para sua maldade atuar; o ar não serve de bom grado para você respirar e manter a chama da vida em seus órgãos vitais, enquanto você passa a vida a serviço dos inimigos de Deus. As criações de Deus são boas, e foram feitas para que com elas os homens servissem a Deus, e não são subservientes de boa vontade a nenhum outro propósito, e gemem quando são maltratadas em propósitos tão diretamente contrários à sua natureza e finalidade. E o mundo iria lhe vomitar, se não fosse a pela soberana mão daquele que o sujeitou em esperança. As nuvens negras da Ira de Deus estão agora pairando diretamente sobre suas cabeças, cheias de horrenda tempestade, e inchadas com trovões, e se não fosse pela restringente mão de Deus, elas iriam imediatamente romper-se sobre você. A vontade soberana de Deus, por enquanto, segura seu vento tempestuoso; caso contrário ele viria com fúria, e sua destruição seria como a de um furacão e você seria como a fina moinha trilhada no chão.
A Ira de Deus é como grandes águas que por enquanto estão represadas; ela cresce mais e mais, sobe mais e mais alto, até que uma passagem é dada; e quanto mais a corrente é interrompida, mais rápido e poderoso é o seu curso, quando por fim é liberada. É verdade, que o julgamento de suas más obras não foi executado até agora; os dilúvios da vingança de Deus têm sido retidos; mas sua culpa neste meio tempo está constantemente aumentando, e você está a cada dia entesourando mais ira; as águas estão constantemente subindo, e tornando-se mais e mais poderosas, e não há nada além da mera vontade de Deus, que segure as águas, as quais não tem boa vontade de serem paradas, e pressionam duramente para seguir adiante. Se Deus somente retirar sua mão da comporta, ela imediatamente se abrirá, e as ardentes correntes da ferocidade e da ira de Deus, irão ser impelidas à frente com inconcebível fúria, e virá sobre você com poder onipotente; e se sua força fosse dez mil vezes maior do que é, ou ainda, dez mil vezes maior que a força do mais robusto, e vigoroso demônio do inferno, nada seria para lhes resistir ou suportar.
O arco da Ira de Deus está esticado, e a flecha está pronta sobre a corda, e a justiça aponta a flecha para seu coração, e estica o arco, e não há nada além da mera vontade de Deus, e de um Deus zangado, sem qualquer promessa ou obrigação que seja, que retenha a flecha por um instante sequer de se embeber em seu sangue. Assim todos vocês que nunca passaram por uma grande mudança de coração, pelo grandioso poder do Espírito de Deus sobre suas almas; todos vocês que não nasceram de novo, e foram feitos novas criaturas, e ressuscitaram da morte em pecados, para um estado de novo, mas, antes estão inteiramente sem experiência de luz e vida, vocês estão nas mãos de um Deus irado. Por mais que vocês possam ter reformado suas vidas em muitas coisas, e possam ter tido sentimentos religiosos, e possam manter uma forma de religião em suas famílias e aposentos, e na casa de Deus, isto não é nada, mas é Sua simples vontade que impede que vocês sejam neste instante engolidos em eterna destruição. Mesmo que vocês agora possam não estar convencidos da verdade do que estão ouvindo, logo estarão plenamente convencidos disto. Aqueles que se foram estando em circunstâncias semelhantes às suas, viram que assim foi com eles; porque a destruição veio sobre a maioria deles repentinamente; quando não a esperavam, e enquanto estavam dizendo, paz e segurança: agora eles vêem, que aquelas coisas das quais dependiam para paz e segurança, não foram mais que ar rarefeito e sombras vazias.
O Deus que te segura acima do abismo do inferno, muito como alguém que segura uma aranha, ou algum inseto repugnante sobre o fogo, tem repulsa de ti, e está sendo terrivelmente provocado: sua ira contra você queima como fogo, ele olha para você merecedor de nada mais, que ser lançado no fogo, Ele tem olhos puros demais para suportar ter você em sua visão; você é dez mil vezes mais abominável aos olhos Dele, que a mais detestável serpente venenosa é aos seus. Você O tem ofendido infinitamente mais que um obstinado rebelde a seu príncipe; e ainda assim é nada além que sua mão o que evita que você a cada momento caia no fogo. E não há outra razão a ser dada, por você não ter ido para o inferno na noite passada; que você tenha sido forçado a acordar novamente neste mundo, depois que você fechou os olhos para dormir. Não há outra razão a ser dada, por você não ter sido lançado no inferno desde a hora em que você se levantou de manhã, além da mão de Deus ter te segurado. Não há outra razão a ser dada para você não ter ido para o inferno, desde que você se sentou aqui na casa de Deus, provocando seus puros olhos com a sua perniciosa e pecaminosa maneira de comparecer ao seu culto solene. Sim, não há nada que seja dado como uma razão para que você não caia neste exato momento no inferno.
Ó pecador! Considere o temível perigo em que você se encontra: é uma grande fornalha de ira, um enorme abismo sem fundo, cheio do fogo da ira, sobre o que você está mantido pela mão daquele Deus, cuja ira é provocada e inflamada desta tal forma contra você, como contra tantos dos amaldiçoados no inferno. Você está pendurado por uma fina linha, com as chamas da ira divina rompendo por ela, e prontas a cada instante a chamuscá-la, e queimá-la fazendo-a em pedaços; e você não tem qualquer interesse no Mediador, e em nada em que se segurar para se salvar, nada para afastar as chamas da ira; nada de você mesmo, nada do que você tenha feito, nada do que você possa fazer, para induzir Deus a poupá-lo por um instante a mais. - E considere aqui mais particularmente:
De quem a ira é: é a ira do Deus infinito. Se ela fosse somente a ira do homem, ainda que fosse do mais poderoso príncipe, ela seria comparativamente muito pequena para ser levada em consideração. A ira dos reis é muito temível, especialmente dos monarcas absolutistas, que têm as possessões e as vidas de seus súditos inteiramente em seu poder, à disposição de suas mera vontade. Provérbios 20:2 "Como o rugido do leão é o terror do rei; o que o provoca à ira peca contra a sua própria alma." O súdito que muito enfurece um arbitrário príncipe, está sujeito a sofrer os mais extremos tormentos que a arte humana é capaz de inventar, ou que o poder humano é capaz de infligir. Mas, os grandes potentados terrenos em suas grandiosas majestades e força, e quando equipados de seus maiores terrores, não são mais que fracos e desprezíveis vermes na areia, em comparação com o grande e Todo-Poderoso Criador e Rei do céu e da terra. É muito pouco o que podem fazer, quando muito enfurecidos, e quando têm mostrado o máximo de sua fúria. Todos os reis da terra, diante de Deus, são como gafanhotos; não são nada, e menos que nada: seu amor e seu ódio são para ser desprezados. A ira do grande Rei dos reis, é muito mais terrível que a deles, do mesmo modo que sua majestade é maior. Lucas 12:4-5 "E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei."
É à ferocidade de sua ira que você está exposto. Nós freqüentemente lemos sobre a fúria de Deus; como em Isaías 59:18 "Conforme forem as obras deles, assim será a sua retribuição, furor aos seus adversários." Assim também Isaías 66:15 "Porque, eis que o SENHOR virá com fogo; e os seus carros como um torvelinho; para tornar a sua ira em furor, e a sua repreensão em chamas de fogo." E em muitos outros lugares. Assim em Apocalipse 19:15, nós lemos sobre "o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso." As palavras são extremamente terríveis. Se estivesse somente sendo dito, "a Ira de Deus", as palavras implicariam o que é infinitamente terrível; mas está dito "o furor e a ira do Deus Todo-Poderoso." A fúria de Deus! A ferocidade de Jeová! Oh, quão terrível ela será! Quem pode exprimir ou conceber o que estas expressões carregam em si! Mas, é também "o furor e a ira do Deus Todo-Poderoso." Como tal haverá uma grande manifestação de seu onipotente poder através do qual o furor de sua ira será infligido, desta forma a onipotência será como se estivesse enfurecida, e manifesta, de um modo que os homens não costumam manifestar sua força e o furor de sua ira. Oh! Então, qual não será a conseqüência! O que acontecerá aos pobres vermes que a sofrerão! As mãos de quem poderão ser fortes? E o coração de quem poderá subsistirá? Em que terrível, inexprimível, inconcebível profundidade de miséria será a pobre criatura mergulhada, aqueles que estarão sujeitos a isto!
Considere isto, você que está aqui presente, e que ainda permanece em um estado de não regeneração: Que Deus executar a ferocidade de sua raiva, implica, que ele infligirá ira sem qualquer piedade. Quando Deus olha para o indescritível extremo de seu caso, Ele vê seu tormento ser tão grandemente desproporcional à sua força, e vê como sua pobre alma está oprimida, e afunda, como se estivesse em uma infinita escuridão; mas, não terá compaixão de você, Ele não irá reprimir as execuções de sua ira, ou mesmo tornará sua mão mais leve; não haverá moderação ou misericórdia, nem reterá Deus de forma alguma seu vento impetuoso; Ele não terá preocupação com seu bem-estar, nem tampouco será cuidadoso de qualquer outro modo a fim de que você não sofra, exceto tão somente que você não sofrerá além do que a estrita justiça requer. Nada será contido, já que é dificílimo para você suportar. Ezequiel 8:18 "Por isso também eu os tratarei com furor; o meu olho não poupará, nem terei piedade; ainda que me gritem aos ouvidos com grande voz, contudo não os ouvirei." Agora Deus está pronto a perdoá-lo; este é um dia de misericórdia, você pode clamar agora com algum alento de obter misericórdia. Mas, uma vez que o dia da misericórdia tenha passado, seu mais lastimoso e doloroso choro e grito será em vão; você estará completamente perdido e posto longe de Deus, assim como qualquer preocupação para com o seu bem-estar. Deus não terá outra forma de tratá-lo, senão em miserável sofrimento, você continuará a existir sem nenhuma outra finalidade; porque você será um vaso de ira cheio de destruição; e não haverá outro uso para este vaso, além de estar cheio de ira. Deus estará tão distante de perdoá-lo quando você clamar por Ele, que está dito que Ele irá somente "rir e zombar", Provérbios 1:25-26 ss.
Quão terríveis são estas palavras, em Isaías 63:3, as quais são palavras do grande Deus: "e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura." Talvez seja impossível conceber palavras que carreguem em si maiores manifestações destas três coisas, quais sejam, o desprezo, e o ódio, e o furor da indignação. Se você clamar ao Senhor que o perdoe, Ele estará tão distante de perdoá-lo em seu caso sombrio, ou de mostrar-lhe ao menos consideração ou favor, que ao invés disto, irá somente esmagá-lo sob o pé. E ainda que Ele saiba que você não pode suportar o peso da onipotência lhe pisando, ainda assim Ele não terá qualquer consideração, mas irá esmagá-lo sob seu pé sem misericórdia. Ele irá espremer o seu sangue, e irá fazê-lo saltar, e salpicará suas vestes, e manchará toda a sua vestidura. Ele irá não somente odiá-lo, mas terá você, no mais profundo desprezo; nenhum outro lugar será cogitado para você estar, a não ser debaixo de seu pé, para ser pisado como a lama das ruas.
A miséria a que você está exposto é aquela que Deus irá infligir até este fim, uma vez que Ele deve mostrar o que é a ira de Jeová. Deus tem tido isto em seu coração para mostrar aos anjos e aos homens, tanto quão excelente é seu amor, quanto quão terrível é sua ira. Algumas vezes reis terrenos tem uma idéia para mostrar quão terrível é sua ira, através de punições extremas eles executarão aqueles que os provocarem. Nabucodonosor, aquele poderoso e orgulhoso monarca do império Caudeu, estava disposto a mostrar sua ira quando se enfureceu contra Sadraque, Mesaque e Abednego, e desta forma deu ordens para que a queima do fogo da fornalha fosse aquecida sete vezes mais que antes; sem dúvida, ela foi aumentada ao maior grau de violência a que a arte humana poderia aumentá-la. Não obstante, o grande Deus está também desejoso de mostrar sua ira, e de magnificar sua tremenda majestade e grandioso poder em sofrimentos extremos aos seus inimigos. Romanos 9:22 "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição?" E vendo isto em seu projeto, e o que havia determinado, ainda para mostrar quão terríveis são a irrestrita ira, a fúria e a ferocidade de Jeová, Ele levará isto a cabo. Será algo efetuado e causado que será horrível para quem o testemunhar. Quando o grande e irado Deus se levanta e executa sua terrível vingança sobre o infeliz pecador, e o miserável está verdadeiramente sofrendo o infinito peso e o poder de sua indignação, então Deus irá evocar todo o universo a ver quão tremenda majestade e grandioso poder pode nisto ser visto. Isaías 33:12-14 ss "E os povos serão como as queimas de cal; como espinhos cortados arderão no fogo. Ouvi, vós os que estais longe, o que tenho feito; e vós que estais vizinhos, conhecei o meu poder. Os pecadores de Sião se assombraram, o tremor surpreendeu os hipócritas. Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? Quem dentre nós habitará com as labaredas eternas?"
Deste modo, estas coisas acontecerão com você que está em um estado de não conversão, se continuar nele; o infinito poder, e a majestade, e o terror do onipotente Deus serão magnificados sobre você, na indescritível força de seus tormentos. Você será atormentado na presença dos santos anjos, e na presença do Cordeiro; e quando você estiver neste estado de sofrimento, os gloriosos habitantes do céu virão adiante e verão o terrível espetáculo, porque poderão ver o que é ira e o furor do Todo-Poderoso; e quando eles tiverem visto, irão se prostrar e adorar aquele grande poder e majestade. Isaías 66:23-24 "E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o SENHOR. E sairão, e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror a toda a carne."
É uma ira eterna. Já seria horrível sofrer esta fúria e ira do Deus Todo-Poderoso por um momento, mas, você a sofrerá por toda a eternidade. Não haverá fim para esta extraordinariamente horrível miséria. Quando você olhar para frente, verá um longo futuro, uma continuação sem fim diante de você, que irá engolir seus pensamentos, e assombrar sua alma; e você se desesperará completamente por ter apenas por um momento algum livramento, algum fim, algum alívio, um descanso qualquer. Você terá plena consciência de que irá se desgastar por longos séculos, milhões e milhões de séculos, lutando e combatendo contra esta vingança onipotente e sem misericórdia; e então quando você estiver assim, quando tantos séculos tenham realmente sido gastos por você desta forma, você saberá que tudo isto é somente um ponto comparado com o que ainda falta. Posto que sua punição será na verdade infinita. Oh, quem pode expressar qual é o estado de uma alma em tais circunstâncias! Tudo que nós possivelmente possamos dizer sobre este assunto, daria apenas uma representação muito fraca e débil; ele é inexprimível e inconcebível: Pois "quem conhece o poder da Ira de Deus?"
Quão horrível é o estado daqueles que estão diariamente e de hora em hora em risco de sofrer esta grande ira e infinita miséria! E este é o sombrio caso de cada alma nesta congregação que não tenha nascido de novo, mesmo que de outro modo possam ser morais e retos, sóbrios e religiosos. Oh, que você considere isto, seja você jovem ou velho! Há razão para pensar, que há muitos agora nesta congregação ouvindo este discurso, que serão realmente os objetos desta mesma miséria por toda a eternidade. Nós não sabemos quem são, ou em quais assentos estão assentados, ou que pensamentos têm agora. Pode ser que agora estejam despreocupados, e ouçam todas estas coisas sem muita perturbação, e que estejam agora se agradando supondo que não são estas pessoas, e prometendo a si mesmos que irão escapar. Se você soubesse que havia uma pessoa, e apenas uma, em toda a congregação, que estava para ser objeto desta miséria, que coisa terrível seria pensar sobre isto! Se nós soubéssemos quem ela é, que horrível visão seria ver tal pessoa! Como poderia todo o resto da congregação se levantar e lastimosa e amargamente chorar sobre ele! Mas, ai meu Deus! Ao invés de um, quantos provavelmente irão se lembrar deste discurso no inferno? E seria um milagre, se alguns dos que agora estão presentes, não estejam no inferno em pouco tempo, mesmo antes de este ano acabar. E não seria milagre algum se algumas pessoas, das que estão agora sentadas aqui, em alguns dos assentos deste local de reunião, com saúde, quietos e seguros, estejam lá antes de amanhã de manhã. Aqueles de vocês que finalmente continuarem em uma condição natural, que os mantenha fora do inferno por mais um pouco, logo estarão lá! Sua danação não descansa; ela virá rapidamente, e, com toda probabilidade, muito repentinamente sobre muitos de vocês. Vocês têm razão para se admirarem por já não estarem no inferno. Este é sem dúvida o caso de alguns que vocês têm visto e conhecido, que nunca mereceram o inferno mais que vocês, e que antes davam a impressão de que provavelmente estariam agora vivos como vocês. O caso deles está além de qualquer esperança; eles estão clamando em extrema miséria e perfeito desespero; mas, aqui vocês estão na terra dos viventes e na casa de Deus, e têm uma oportunidade de obter salvação. O que não dariam aquelas pobres almas condenadas e sem esperança por um dia de oportunidade como o que vocês estão agora desfrutando!
E agora você tem uma extraordinária oportunidade, um dia no qual Cristo abriu largamente a porta da misericórdia, e permanece chamando e clamando com grande voz pelos pobres pecadores; um dia no qual muitos estão reunindo-se a Ele, e apressando-se ao reino de Deus. Muitos estão diariamente vindo do leste, oeste, norte e sul; muitos que estavam até muito recentemente na mesma condição miserável em que você está, e que agora estão em um estado de alegria, com seus corações cheios com amor por aquele que os amou, e os lavou de seus pecados em seu próprio sangue, e jubilosos de esperança pela glória de Deus. Quão terrível é ser deixado para trás em tal dia! Ver tantos outros festejando, enquanto você está definhando e perecendo! Ver tantos jubilosos e cantando pela alegria no coração, enquanto você tem motivos para prantear pela culpa do coração, e urra pela vexação do espírito! Como você pode descansar um momento sequer em tal condição? Não são suas almas tão preciosas quanto as almas das pessoas de Suffield3, onde estão dia a dia se unindo a Cristo?
Não há muitos aqui que tenham vivido muito tempo no mundo, e que não tenham até hoje nascido de novo? E portanto, são estrangeiros na comunidade de Israel, e não têm feito nada durante a vida, além de entesourar ira para o dia da ira? Oh, senhores, seu caso, de uma forma especial, é extremamente perigoso. Sua culpa e dureza de coração são enormes. Vocês não vêem quão comumente pessoas da sua idade passam e se vão, na presente notável e maravilhosa dispensação da misericórdia de Deus? Vocês têm necessidade de considerarem a si mesmos, e acordarem inteiramente deste sono. Vocês não podem suportar a fúria e a ira do Deus infinito. - E vocês, homens jovens, e jovens mulheres, irão negligenciar este precioso momento que vocês estão desfrutando agora, quando tantos outros de sua idade estão renunciando às futilidades da mocidade, e se unindo a Cristo? Vocês especialmente têm agora uma extraordinária oportunidade; mas se vocês a negligenciarem, logo acontecerá com vocês como com aquelas pessoas que gastam todos os preciosos dias da juventude em pecado, e estão agora chegando a esta horrível condição em cegueira e dureza. - E vocês, jovenzinhos, que não são convertidos, não sabem que vocês estão indo para o inferno, para suportar a terrível ira daquele Deus, que está agora zangado com vocês cada dia e cada noite? Vocês estarão contentes por serem jovenzinhos do diabo, quando tantos outros jovenzinhos na terra são convertidos, e se tornaram santos e alegres filhos do Rei dos reis?
E permita que cada um que ainda está sem Cristo, e pendurado sobre o abismo do inferno, sejam eles homens ou mulheres de avançada idade, ou de meia idade, ou jovens, ou ainda crianças, ouça agora com muita atenção aos altos clamores da palavra e da providência de Deus. Este ano aceitável do Senhor, um dia de tão grandes bênçãos a alguns, será sem dúvida um dia de notável vingança para outros. A dureza do coração dos homens, e suas culpas aumentam a passo largo em um dia como este, se negligenciam suas almas; e nunca houve tão grande perigo para estas pessoas que cedem à dureza do coração e à cegueira da mente. Deus agora parece estar apressadamente recolhendo seus eleitos em todas as partes da terra; e provavelmente a maior parte dos adultos que nunca serão salvos, será agora levada em pouco tempo, e que isto será como foi a grande expansão do Espírito sobre os judeus nos dias dos apóstolos; os eleitos irão obter, e o restante terá os olhos tapados. Se este for o seu caso, você amaldiçoará eternamente este dia, e amaldiçoará o dia em que nasceu, por ver tal período de expansão do Espírito de Deus, e desejaria que houvesse morrido e ido para o inferno antes de ter visto isto. Agora indubitavelmente está o machado, como esteve nos dias de João o Batista, colocado de forma extraordinária nas raízes das árvores, e cada árvore que não produzir bons frutos, poderá ser derrubada e lançada ao fogo.
Contudo, permita que cada um que está sem Cristo, acorde agora e afaste-se da ira que virá. A Ira do Deus Todo-Poderoso está, neste momento, sem dúvida pendendo sobre grande parte desta congregação: Permita que cada um se afaste de Sodoma: "Apressem-se e escapem por suas vidas; não olhem para trás; escapem lá para o monte, para que não sejam consumidos."
Pr. Jonathan Edwards - Sermão pregado em 08 de julho de 1741
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Série: Fuja do Pentecostalismo - Parte 30
O pentecostalismo ensina que há duas classes de cristãos: os batizados e os não batizados no Espírito Santo. Os primeiros são poderosos, espirituais e capacitados para a obra do Senhor, os últimos são “meros” crentes.Mas será que é isso que a Bíblia ensina? Há esse tipo de divisão dentro do Corpo de Cristo? Descubra lendo o texto abaixo:
Todos Batizados em um Espírito Leandro Antonio de Lima
Podemos ver os ensinos normativos a respeito do batismo com o Espírito Santo nos escritos do apóstolo Paulo, pois em muitas passagens ele trata doutrinariamente dessas questões. Em 1 Coríntios 12.13, o apóstolo fez uma declaração muito importante para a consideração desse assunto: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. Para entendermos bem o que Paulo está querendo dizer nesse versículo, precisamos considerar todo o capítulo 12 de 1 Coríntios, pois nesse capítulo, Paulo concentra o seu ensino a respeito dos dons espirituais. Seu ponto alto é que, embora os dons sejam variados, manifestando-se de várias maneiras, há apenas um originador deles, que é o Espírito Santo, Paulo diz: “Ora os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo” (v.4). Entre os versículos 8-10 ele exemplifica alguns dons que podem ser dados à igreja visando à edificação, entretanto enfatiza: “Um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente” v.l 1). Ou seja, ele está querendo demonstrar a unidade da igreja em meio à diversidade de dons, exatamente porque todos esses dons são concedidos pelo mesmo Espírito. É isso que ele enfatiza no versículo 13 ao dizer algo como: “Somos diferentes tanto em serviços, como em dons e até mesmo em raça, mas numa coisa todos nós, crentes, somos iguais: todos fomos batizados pelo mesmo Espírito, portanto somos um mesmo corpo”. Certamente a referência do apóstolo ao batismo nessa passagem nada tem a ver com o batismo com água, e nem mesmo com o que aconteceu no dia de Pentecostes, pois nem Paulo nem os coríntios estavam presentes naquele dia. Mas, então, quando Paulo e todos os crentes da cidade de Corinto foram batizados? Nenhuma outra resposta pode ser coerente a não ser: No dia da conversão deles. Não havia duas classes de crentes dentro da igreja de Corinto. Todos os que pertenciam ao corpo de Cristo foram batizados com o Espírito Santo.
A força do “nós”
Na língua original em que o Novo Testamento foi escrito, há uma grande ênfase na palavra “nós”. Paulo poderia ter escrito a mesma passagem sem usá-la, e o significado seria o mesmo, mas ele fez questão de dizer “todos nós fomos batizados em um só Espírito”. Com essa expressão, ele não admite exceções. Todos os verdadeiros crentes foram batizados no Espírito Santo. E esse não é o único lugar em que isso fica claro. Em Romanos 8.9 Paulo escreveu igualmente “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. A passagem é clara: se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo. Paulo não diz que se alguém não tem o Espírito é crente de segunda classe, mas que não é de Cristo, ou seja, não é crente. Não há duas classes de crentes dentro de uma igreja, todos os verdadeiros crentes foram batizados com o Espírito Santo; se alguém ainda não foi batizado, não é crente, não pode fazer parte da igreja, não pertence ao corpo de Cristo, e ainda precisa se converter. Um outro dado que precisa ser comentado é que nenhum escritor do Novo Testamento, em lugar algum, manda que o batismo do Espírito Santo seja buscado. Não há uma única passagem que exorte qualquer cristão a buscar a experiência do batismo com o Espírito Santo depois da conversão. Isso não acontece porque é entendimento comum dos escritores bíblicos que todos os crentes já foram batizados. Devemos considerar seriamente que seria um grande lapso esquecer de mandar os crentes buscarem esse batismo, se de fato ele devesse ser buscado. Porém, não há qualquer método, ordem, ou mesmo sugestão para buscar ou receber o batismo com o Espírito Santo. O motivo é simples: ninguém pede ou busca algo que já possui.
A força do “todos”
Voltando a 1 Coríntios, Paulo enfatiza que todos já puderam beber do mesmo Espírito (1Co 12.13). Observe a conexão entre beber em 1 Coríntios 12.13 e o que foi dito em João 7.37,38: “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem”. Quem fosse até Jesus e bebesse receberia o Espírito Santo quando cresse. Todos os que creram já beberam do Espírito Santo, ou seja, já foram batizados. Isso demonstra que as palavras de Jesus não são um desafio para que os incrédulos busquem o Espírito Santo. Elas são um desafio para que os incrédulos busquem Jesus. Se eles têm sede, Jesus mata a sede, e o que João e Paulo nos acrescentam é que Jesus mata a sede das pessoas com o Espírito. Se Paulo entendesse que nem todos os crentes tinham bebido deste Espírito, não teria usado a palavra todos, pois teria perdido uma incrível oportunidade de mandar os que ainda não tinham bebido de buscar esta água.
A força do “um”
Do mesmo modo que a palavra “todos” traz grande ênfase sobre o batismo como uma experiência comum de todos os crentes, também a palavra “um” fala de uma experiência única. O ponto central de Paulo em 1 Coríntios 12.13 é que o batismo com o Espírito Santo faz a igreja ser um corpo. Se houvesse diferentes batismos com o Espírito Santo, poderia haver mais que uma igreja. E Paulo está usando exatamente a doutrina do batismo com o Espírito Santo para demonstrar a unidade de todos os crentes no mesmo corpo, ainda que sejam membros diferentes, individuais e com funções próprias. Logo, para Paulo, o batismo com o Espírito Santo era um fator unificador na igreja e, em hipótese alguma, um fator diferenciador. Ou seja, em total oposição à noção atual de que existem duas classes de crentes separados pelo batismo com o Espírito Santo, na visão de Paulo há uma única classe, unida justamente pelo batismo. O batismo une ao invés de separar. Não existe uma elite e uma periferia espiritual na igreja. Existe um corpo, que embora possua muitos membros, inclusive com funções diferentes, tem por princípio que nenhum é superior ou inferior. Todos têm a sua importância dentro do corpo (ver 12.14-26), no qual foram ligados pelo batismo do Espírito. Jesus batizou cm um único Espírito todos os crentes num único corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. Nada poderia ser mais enfático. De fato não há classes distintas de crentes. Em um Espírito foi estabelecida uma só igreja. Não há crentes parciais, assim como não há membros parciais do corpo de Cristo. Gálatas 3.26-28 afirma: “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. Todos os crentes em Cristo se tornaram membros plenos do seu corpo, que é a igreja, no exato momento em que foram salvos, pois “há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Ef 4.4-6). Graças a Deus porque a igreja dele não está dividida. Não há divisões ou classes distintas de crentes dentro da igreja, pois todos os crentes já foram batizados no mesmo Espírito.
Buscando o que já tem?
Uma grande confusão tem sido causada nas igrejas por líderes que ensinam a necessidade de uma segunda obra da graça. Por todos os lados, podemos ver a frustração e o desapontamento na vida de muitos que ainda não conseguiram chegar a essa segunda bênção. O problema é que, quando alguém acha que precisa buscar algo que não tem, certamente deixa de dar importância ao que já tem. Ora, todos os crentes já possuem a obra da graça na sua vida e também os meios para alcançar a verdadeira santidade, mas literalmente abandonam o pássaro na mão para perseguir os que estão voando. Deixam de valorizar o que Deus já lhes deu para buscar o que não existe. Assim, rejeitam o maior dom que Jesus nos deu, que foi a vinda do “outro” Consolador.
Fonte: Razão da esperança, Leandro Antonio
de Lima, Cultura Cristã, p. 426-429.
Extraído do site Monergismo.
Este artigo integra a série Fuja do Pentecostalismo.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
A INFLUÊNCIA DO PAI NA CRIAÇÃO DOS FILHOS
Nestes últimos meses a mídia tem divulgado algumas notícias assustadoras sobre a vida em família. Pais que agridem filhos, filhos que atentam contra a vida dos próprios pais só porque estes são contra seu namoro; crianças de 11 anos freqüentando festinhas nada aconselháveis; adolescentes que ficam em rodas de “amigos” durante as madrugadas usando drogas e tendo relacionamentos sexuais promíscuos provocando uma gravidez fora de hora; jovens irresponsáveis que se embriagam nas festas e depois no volante colocam a vida em risco.
Qual a responsabilidade, influência ou participação do pai diante deste quadro caótico?
Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Serviços Humanos e Social dos EUA, concluiu que um pai ausente e que não exerce influência positiva na vida de seus filhos produz o seguinte resultado:
1. Meninas têm 2,5 vezes mais propensão a engravidarem na adolescência e 53% mais chances de cometerem suicídio.
2. Meninos têm 63% mais chances de fugirem de casa e 37% mais chances de utilizarem drogas.
3. Meninos e meninas têm duas vezes mais chances de acabarem na cadeia.
Em outro estudo realizado por uma empresa americana chegou-se às seguintes conclusões:
1. 72% dos adolescentes assassinos cresceram sem a presença do pai.
2. A ausência do pai biológico duplica a probabilidades da criança repetir o ano escolar.
3. 80% das crianças, em idade pré-escolar, admitidas no Hospital Psiquiátrico de Nova Orleans com transtornos psiquiátricos vêm de lares sem o pai.
4. 60% dos estupradores da América cresceram sem seus pais.
Estes dados mostram de maneira muito contundente a importância da figura paterna na estrutura familiar. O pai é (ou pelo menos deveria ser) o líder em sua casa, pois um lar sem cabeça é um convite ao caos. A desordem provocada pela ausência do pai é muito pior do que quando uma nação está sem governo ou quando um exército está sem comando. Foi por excelentes razões que aprouve a Deus determinar ao pai a tarefa de governar sua família (confere Efésios 6.4).
Entretanto, em franca desobediência ao mandato social, muitos homens têm negligenciado a missão de dirigir o lar e de educar os filhos. Como pais, precisamos nos envolver mais na vida dos filhos, o bastante para garantir que nenhuma outra influência tenha proeminência. Se eles estão recebendo influência negativa de outras pessoas, é porque nós pais temos falhado em influenciá-los.
Rev. Gilvan de Oliveira Silva
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