sexta-feira, 18 de abril de 2014

JESUS NO GETSÊMANI – Mc 14.32-42


A semana da Paixão propriamente dita pode ser considerada como o aspecto mais importante do ministério de Jesus. Pelo menos foi esta a impressão que deixou gravada nos discípulos.

Foram os fatos desta última semana da vida de Jesus que impressionaram mais as testemunhas oculares e que, assim, tornaram esta semana como a parte mais essencial da proclamação da Igreja Primitiva.

Este é o coração do Evangelho do qual se originam as doutrinas da redenção e expiação, pregados pela Igreja Primitiva.

A semana da paixão é caracterizada pelos seguintes acontecimentos:

1.       A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém no chamado domingo de Ramos (Mc 11.1-11).
2.    O acerto que Judas faz para trair Jesus (Mc 14.10-11).
3.    A última Ceia (Mc 14.22-26).
4.    Jesus no Getsêmani (Mc 14.32-42).
5.    A traição de Judas e a prisão de Jesus (Mc 14.45-46).
6.    O julgamento de Jesus (Mc 14.53-15.20).
7.    A crucificação (Mc 15.22-32).
8.    A morte de Jesus (Mc 15.33-41).
9.    O sepultamento de Jesus (Mc 15.42-47).
10.              A ressurreição de Jesus (Mc 16).

Logicamente, meu objetivo aqui não é falar sobre estes dez acontecimentos que marcaram a semana da Paixão de Cristo.

No entanto, quero compartilhar com os irmãos sobre o Cálice da Redenção, isto é, Jesus no Getsêmani.

Getsêmani – significa fábrica de óleo ou prensa de azeitonas.

Vale ressaltar que os jardins orientais não eram lugares destinados à cultura de flores e vegetais, mas eram pomares de árvores frutíferas ou bosques de arbustos e árvores de sombra.

É sabido que o Jardim do Getsêmani ficava no Monte das Oliveiras. Naquele lugar solitário Jesus costumava orar longe dos homens e do ruído do mundo.

Na verdade, não podemos alcançar e compreender a intensidade dos sofrimentos de Cristo no Getsêmani. Não podemos tão pouco penetrar no mistério daquela hora, todavia, podemos tirar dela lições de fé com valor inestimável.

Primeiramente veremos que:

I – No Getsêmani Jesus Agoniza.

 Saindo da cena sagrada da última ceia, acompanhado por onze apóstolos – onze porque Judas já havia bandeado com os inimigos de Jesus – nosso Senhor foi ao Getsêmani.

O texto diz que em certo ponto do Jardim Jesus deixa oito dos discípulos e continua com Pedro, Tiago e João.

Uma nota curiosa é que conforme se ver em (Mt 17.1), esses mesmos três homens foram escolhidos para estarem com Jesus na transfiguração. Por que só esses três?

A verdade é que não causa estranheza o fato de Jesus ter levado consigo alguns de Seus discípulos ao Getsêmani.

Sendo Ele mesmo humano, tinha necessidade não só de comida e bebida, de vestes, abrigo e descanso, mas também de companheirismo humano. Afinal de contas, aquele era um momento agonizante.

O (v.34) diz que Jesus começou a encher-se de tristeza e angustia. Irmãos – o que Jesus sentiu aqui não foi simplesmente medo da morte, mas uma experiência mais horrível que a morte, uma tristeza que jamais a alma de homem algum sentiu.

à  Nesta hora Ele experimentou todas as ondas e vagalhões de angústia sendo derramadas sobre Sua alma. É assim que lemos em (Sl 42.7b) “... todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim”.
à Nesta hora Ele sabia que Judas estava chegando a fim de entregá-lo a seus inimigos.
à Neste exato momento Ele estava dolorosamente cônscio de que Pedro o negaria.
à Estava ciente de que o Sinédrio o condenaria.
à Ele já sabia que Pilatos o sentenciaria.
à Nesta hora, Jesus já tinha absoluta certeza que seus inimigos zombariam dele.
à Como Deus presciente, nesta hora Jesus já sabia que os soldados finalmente o crucificariam. 

Naquela hora Jesus experimentou a maldade, a crueldade, o ultraje, os padecimentos físicos e espirituais da crucificação.

À medida que a história avança, ele continuava mais sozinho e isolado. Seus discípulos o iriam abandonar e conforme (Mt 26.56).  “Tudo isto, porém, aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então, os discípulos todos, deixando-o, fugiram”.

Pior de tudo, na Cruz Ele iria gritar: “Meu Deus, por que tu me abandonaste? (Mt 27.46).

Assim ele estava sendo ferido pelas nossas iniquidades e quebrantado pelos nossos crimes. Assim a ira de Deus contra o nosso pecado foi desviada para Cristo Jesus.

@ Eis a razão por que ele fala de tristeza ao ponto de morte.
@ Eis a razão por que ele agoniza.

Em segundo lugar veremos que:

II – No Getsêmani Jesus Agoniza e Ora.

Com o passar das horas, a agonia continua e se intensifica. Todavia, agora a história da oração de Cristo é adicionada à sua agonia.

O (v.35) diz assim – “E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra e orava...” Veja que apesar da companhia desejada, o mestre não quer ser perturbado durante a sua oração, ele agora deixa até mesmo os três para trás. Contudo, não muito para trás, pois quer manter contato com eles.

Tendo chegado a um lugar adequado, se lança de rosto ao chão, num espírito de profunda reverencia e dor diante de seu Pai Celestial, enquanto a tristeza e angustia continuam e crescem a cada momento que passa. 

Então, no (v.36) ele se dirige ao objeto de sua oração na forma mais íntima, dizendo: “... Aba, Pai...” [isto é, Papai]. Expressando assim o estreito relacionamento dele mesmo com Deus Pai.

Na sequência do (v.36) ele continua: “... tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres”.

Irmãos – não devemos esquecer... Aquele que fez este pronunciamento possui duas naturezas distintas em uma só pessoa.

Ele teve uma vontade humana – desejou ser poupado daquela situação desfavorável. Contudo a natureza divina também entrou em ação – “não seja o que eu quero, e sim o que tu queres”.

Observe que Cristo mostra não uma mera submissão às determinações do Pai, mas imponente desejo de cumprir sua Missão e ainda evidencia que estava resoluto a dar sua vida em sacrifício voluntário.

A linguagem de nosso bendito Senhor demonstra exatamente qual deve ser a essência da oração de um cristão em momentos de angústia.

Assim como Jesus, o servo de Deus deve revelar abertamente seus desejos e contar sem reservas os seus anseios diante do Pai Celestial.

Todavia, assim como Jesus, o crente deve fazer tudo manifestando uma completa submissão ao Senhor, dizendo “... não seja o que eu quero, e sim o que tu queres”.

Por fim, veremos que:

III – No Getsêmani Jesus Ora e Vigia.

Observando os (vs.37-41), vemos que quando nosso Senhor estava em agonia, seus discípulos estavam dormindo.

Apesar da exortação para que orassem e da clara advertência contra a tentação, a carne venceu o espírito.

Enquanto o Senhor Jesus suava gotas de sangue, seus apóstolos dormiam. No (v.37) Ele diz: “... Não pudeste vigiar nem uma hora?”

Indubitavelmente, os três estavam em falta com Ele. Contudo, seu amor jamais falhou em relação a eles. Que maravilhosa compaixão!

O Pastor que estava pedindo aos discípulos que vigiassem com ele, agora, de forma terna, mantém vigilância sobre eles.

A sequência do texto mostra que a despeito de os discípulos dormirem, o repouso foi de curta duração. Veja os (vs. 41-42) – “... Basta! Chegou a hora; o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima”.

O fato é que Jesus não desperdiçou seu tempo. Antes o empregou do melhor modo possível. Ele vigiava e orava pela hora do cálice amargo. Quando a hora chegou, Ele estava pronto.

Conclusão

1-      Tenhamos confiança na vontade do Pai Celestial. Mesmo que Ele nos dê um cálice de amargo licor e aflição, confiemos. O cálice se transformará em coroa na hora devida.
2-      Se dormirmos quando a causa do Mestre está em perigo, quem corre maiores riscos não é o Mestre, somos nós mesmos. Portanto, vigiai e orai.
3-      Sendo pecadores nós precisamos do Redentor, pois somos incapazes de fazer o nosso próprio resgate.
4-      Jesus é a única pessoa capaz de fazer o nosso resgate, pois só Ele sorveu o cálice da redenção, preenchendo os requisitos para ser o Redentor.
5-      Jesus bebeu o cálice da redenção, parte por parte, até a última gota para o nosso resgate. Deste modo você deve crer nele para obter a redenção.

Por Rev. Gilvan de Oliveira Silva – IPBEC, 13/04/2014



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