quarta-feira, 20 de maio de 2026

Os Projetos Humanos


OS Projetos Humanos 

Está se aproximando o último dia do ano.
Em algumas horas começaremos um novo ano nas nossas vidas.
Temos planos? Quais são? É legítimo fazê-los?
Nós temos conhecimento dos Planos Eternos de Deus por meio da Bíblia. Mas o que a mesma nos dizem sobre os planos humanos?
O livro de Provérbios que pode ser definido como sabedoria concentrada é especialmente útil neste sentido, o capítulo 16, por exemplo, resume ensinos necessários à vida humana.
Observemos rapidamente estes textos que falam de planos, projetos ou caminhos humanos, em busca de orientação para as nossas vidas.
O que eles nos ensinam? Primeiramente o texto nos fala sobre:
I - A Legitimidade dos Planos Humanos (16.1,9)
Os animais são direcionados pelo instinto, eles não têm planos, são movidos pela satisfação das suas necessidades físicas.
Mas não pode ser assim com os seres humanos racionais. Compete-nos fazer planos, traçar caminhos, estabelecer propósitos e metas na vida.
Jesus ilustra a legitimidade dos projetos humanos com a seguinte pergunta:
"Pois, qual de vós, pretendendo construir uma torre não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançados os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele dizendo: este homem começou a construir e não pode acabar" (Lc 14.28-30.)
»      Por outro lado, a preocupação excessiva pela vida não é lícita.
»      Temos que confiar na fidelidade de Deus.
»      Mas a negligência e ociosidade são igualmente ilícitas.
Ao mesmo tempo em que as Escrituras condenam a preocupação pela vida, nos apresentam a formiga como modelo de prudência, por armazenar no verão o alimento para comer no inverno. (Pv 6.6-11; 30.25).
Tendo em vista a legitimidade e a necessidade de se planejar, as Escrituras nos chama atenção para:
II - O Perigo dos Planos Humanos (16.25)
>     O coração do homem é enganoso e precisamos reconhecer isso.
>     A nossa capacidade de avaliar a retidão e a pureza dos nossos projetos é muito falha.
>     Nós somos tentados a considerar os nossos caminhos sempre retos aos nossos próprios olhos.
>     Entretanto, caminhos que nos parecem retos, são estradas perigosas que levam a abismos mortais.
Portanto, ao planejarmos, devemos levar em consideração alguns perigos:
1 - A avareza
A avareza está intimamente ligada ao desejo de riqueza. Neste sentido o apóstolo Paulo adverte Timóteo dizendo assim:
“Ora, os que querem ficar ricos caem em tentações e ciladas, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nesta cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (I Tm 6.9-10).
Nossos planos de riqueza podem esconder perigosas ciladas para nossa alma. Tenhamos cuidado.
Jesus mesmo advertiu os seus discípulos contra o perigo da avareza dizendo: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância de bens que possui” (Lc 12.15).
Outro perigo que pode estar por trás dos nossos planos é:
2 - A auto-suficiência
Se os nossos planos são absolutos, se eles não dependem da vontade de Deus, é bem provável que se constituam em caminho de morte.
Muitas pessoas administram suas vidas como se tudo dependesse apenas delas, como se fossem senhores absolutos de suas vidas.
Mas nós não podemos contar com o futuro. Nós desconhecemos completamente o que ele nos trará. Agir como se fôssemos senhores de nosso futuro é pecado. Melhor é fazermos bom uso do presente.
Com relação ao perigo da auto-suficiência, o apóstolo Tiago nos adverte:
“Atendei agora voz que dizeis: hoje ou amanhã iremos para cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos e teremos lucro. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: se o Senhor quiser, não só viveremos como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna” (Tg 4.13-16).
O homem não pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida. Ele está inteiramente nas mãos do Todo-Poderoso, e deve reconhecer sua incapacidade para dirigir sua vida à parte de Deus; quanto mais o futuro! Nós não temos nenhum controle sobre ele, e temos de depender inteiramente de Deus.
Por isso, nossos lábios devem aprender a pronunciar com mais freqüência esta pequena frase: “Se o Senhor quiser”.
Mais importante ainda, nossas mentes, vontades, desejos, planos e projetos para o futuro devem estar impregnados desta atitude. Não como nota de rodapé, mas como conteúdo.
Os planos são legítimos, mas cuidado com a avareza e com a arrogância; cuidado com o amor ao dinheiro e com a auto-suficiência.
Em terceiro lugar provérbios nos fala sobre:
III - A Atitude Sábia com Relação aos Planos Humanos (16.3)
Qual então é a atitude sábia com relação ao assunto? Como podemos agir com sabedoria, ao traçarmos nossos planos para o futuro?
1- Confiando nossos planos ao Senhor
Se desejarmos que nossos projetos sejam caminhos de vida, devemos colocá-los diante do Senhor e suplicar que Ele dirija nossos passos.
“Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento, reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas” (Pv 3.5-6).
Nossos planos devem ser traçados com humildade, na dependência de Deus. Não como se fôssemos senhores do nosso futuro, mas como alguém que reconhece que depende inteiramente da vontade de Deus.
Uma segunda atitude sábia com relação aos planos humanos é percebida quando nós estamos:
2- Crendo na soberania absoluta de Deus sobre o universo
  Isto implica em reconhecermos a soberania de Deus sobre as nossas próprias vidas.
  Implica em reconhecermos que o Senhor tem um plano eterno, perfeito e imutável.
  E que Ele faz todas as coisas de acordo com o conselho da Sua própria vontade.
Uma terceira atitude sábia com relação aos planos humanos é constatada quando nós estamos:
3- Planejando de conformidade com a vontade revelada de Deus
Objetivamente falando, este é o pré-requisito fundamental para o sucesso dos nossos planos. Que eles devem ser traçados à luz da revelação bíblica como um todo.
As Escrituras estão repletas de princípios gerais que devem nortear nossas vidas. Se nossos projetos contrariam estes princípios gerais, não podemos esperar a bênção de Deus sobre eles.
E consequentemente eles não serão caminhos de vida e sim de morte. Portanto, precisamos conhecer os princípios bíblicos para sermos bem sucedidos em nossos planos.
Uma quarta atitude sábia com relação aos planos humanos é averiguada quando nós:
4- Não dispensando os conselheiros
Além do que já foi dito, as Escrituras nos ensinam que não podemos dispensar os conselheiros: “Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros, há bom êxito” (Pv 15.22).
  Há pessoas mais idosas com as quais podemos nos aconselhar.
  Os filhos devem recorrer aos pais.
  Em algumas ocasiões os pais também devem recorrer aos filhos.
  O conselho de irmãos em Cristo mais experientes, e de pastores, podem determinar o bom êxito dos nossos projetos.
É espantoso ver como determinadas pessoas nunca solicitam conselhos!
CONCLUSÃO
F  Neste final ano faremos bem em considerar nossas vidas;
F  Devemos fazer um balanço em todas as áreas;
F  Em que temos errado?
F  Do que temos que nos arrepender?
F  Como viver de modo que agrade mais ao nosso Senhor?
F  Como servi-lO melhor?
Neste final de ano devemos também fazer planos para o futuro relacionados aos nossos estudos, profissão, relacionamentos e, especialmente, planos espirituais.
Planejar é lícito, mas temos que estar alertas contra os perigos de nos concentrarmos nas riquezas e da não dependência de Deus.
Ambas as atitudes são tremendamente perigosas e antecedem a queda, a ruína e a perdição.
Nossos planos para o futuro têm que ser feitos no Senhor; temos que reconhecer que Ele é o Senhor absoluto da nossa vida e do nosso futuro.
Temos que pacientemente aguardar que Ele nos dirija os passos, e traçar nossos planos à luz da revelação especial das Escrituras.

Adaptado de Paulo R. B. Anglada
Por Rev. Gilvan de Oliveira Silva – IPBEC, 30/12/07.



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