Ezequiel 8: 14-15
Uma das
abominações entre o povo de Deus descritas nas visões do profeta Ezequiel, era “mulheres assentadas chorando a Tamuz”, cf. Ez 8.14.
Esse deus
siro-fenício era celebrado como senhor da natureza, dos rebanhos e pastagens.
Segundo
crendices a seu respeito, ele morria no verão e ressuscitava depois, e com ele
nasciam as vegetações.
Por essa razão na estação seca seus adoradores
choravam sua morte, até que posteriormente se alegrassem com folguedos = Folia,
brincadeiras e danças na sua ressurreição, quando a natureza se
refizesse na primavera.
Era uma
divindade tão celebrada que em aproximadamente sete séculos antes de Cristo, os
seus adoradores lhe dedicaram um mês no calendário anual – mês de
Tamuz.
Tamuz - é o décimo mês do calendário
judaico. E por uma não mera coincidência, esse mês antigo corresponde ao
período de Junho-Julho do nosso calendário moderno!
Assim já em épocas
remotas, Tamuz era cultuado na mudança das estações, tal
como séculos mais tarde, nesta mesma época e com os mesmos conceitos essenciais,
os gregos celebrariam a deusa Juno.
Para nós cristãos, as Festas
juninas não são simples folclore. Conhecemos sua essência e comemorações, e
temos um posicionamento contrário as celebrações, das mesmas, pois temos razões
para essa nossa convicção cristã.
A
primeira razão do nosso posicionamento contrário às celebrações das festas
juninas se baseia no fato de que:
I – FESTAS JUNINAS É
RELIGIOSIDADE PAGÃ.
Avaliando as origens das festas
juninas se convence que elas são essencialmente pagãs, são na verdade como
cultos á deusa Hera dos Gregos e à deusa Juno dos romanos, tendo ainda
uma ligação muito forte com o deus Tamuz, mencionados pelo profeta
Ezequiel, como abominação ao Senhor.
A deusa Juno era considerada
como:
§
A responsável pela vida e pela morte;
§
Doadora da fertilidade da terra e dos animais,
como se a vida animal e vegetal estivessem sob sua regência;
§
Era ainda considerada como providente das uniões
conjugais e geradora de descendências futuras.
Sendo assim a deusa Juno era cultuada
com as diversas crendices e manifestações festivas com aspectos gerais da vida
no campo, seja na busca de favores ou expressões de agradecimentos por parte
dos seus adoradores.
E hoje, fazer Festas juninas,
ainda que não especificamente para Juno, mas supostamente para Antônio,
João e Pedro, também é manifestação pagã tal como para a deusa Juno, pois Festas juninas não são devoções a esses “santos”,
mas essencialmente uma crença pagã, com festividades típicas das
celebrações antigas à Juno.
Ora, tudo isso é uma blasfêmia
contra Deus, pois Ele e não Tamuz, Juno, Antônio, João ou Pedro, é o único
doador da vida e o soberano absoluto.
Assim diz a Palavra de Deus:
“Nos
céus estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo.” Salmo
103.19.
“... pois
Ele mesmo é quem a todos dá a vida, respiração e tudo mais... pois n’Ele
vivemos, e nos movemos, e existimos...”Atos 17.25,28.
“Contudo
não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu
chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e alegria.” Atos
14.17.
Ele é quem “faz chover sobre a terra”. Jó 5.10.
É Deus “...
que cobre de nuvens os céus, prepara a chuva para a terra, faz brotar nos
montes a erva e dá alimento aos animais...” Salmo 147.8,9.
Essas maravilhas são obras do
Senhor Deus. Vejam o que diz o profeta Jeremias no cap.10 v. 5: “Os ídolos são como espantalho em pepinal e não podem
falar; necessitam de quem os leve, porquanto não podem andar. Não tenhais
receio deles, pois não podem fazer o mal, e não está neles o fazer o bem”.
Todavia, o profeta Jeremias não
para por aí. Vejam ainda cap. 14 v. 22:
“Acaso haverá
entre os ídolos dos gentios algum que faça chover?... Não és tu somente, ò
Senhor nosso Deus, o que fazes isto? Portanto em ti esperamos, pois tu fazes
essas cousas.”
Nós cristãos cremos e servimos
esse único Deus, soberano e providente, e não o deus Tamuz, a deusa Juno, Santo
Antônio, São João ou São Pedro.
Conhecemos e adoramos ao Senhor
que diz: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha
glória, pois não a darei a outrem...” Isaias 42.8.
Quanto às superstições grotescas
das celebrações juninas, de atribuir à deusa Juno ou a Santo Antônio a realização
conjugal, isso consideramos absurdo.
Só o Senhor Deus é quem pode nos abençoar na vida conjugal:
- “O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a
benevolência do Senhor”. Pv 18.22.
- “A casa e os bens vêm como herança dos pais; mas do
Senhor, a esposa prudente”. Pv 19.14.
Também é do Senhor que procede a nossa descendência:
- “Herança do Senhor são os filhos...” Salmo 127.3
- Veja mais: Gn 33.5; I Sm 1.27.28.
É Deus quem nos dar os animais:
- “Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó
mais do que o primeiro; porque veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil
camelos, mil juntas de bois e mil jumentas”. Jó 42.12.
- “O Senhor tem abençoado muito ao meu senhor, e ele
se tornou grande; deu-lhe ovelhas e bois, e prata e ouro, e servos e
servas, e camelos e jumentos”. Gn 24.35.
Também é Ele quem concede a vida e a produtividade agrícola:
- “Tu visitas a
terra e a regas; tu a enriqueces copiosamente; os ribeiros de Deus são
abundantes de água...”
- “Tu a
amoleces com chuviscos e lhe abençoa a produção.”
- “Coroas o ano
da tua bondade; as tuas pegadas destilam fartura...” Sl 65.9-13.
Portanto, como cristãos que somos
não celebramos as Festas juninas, pois elas são expressões de paganismo.
Considerando suas origens e comemorações antigas, vimos que
são muito mais que um simples costume popular ou manifestação cultural. São essencialmente festejos de homenagens a divindades supostamente
responsáveis pela fertilidade da terra, dos animais e abençoadoras de uniões
conjugais, etc.
Consequentemente, fazer Festa
junina é ignorar sua essência pagã e querer substituir o Deus soberano por
ídolos das crendices populares.
A segunda
razão pela qual nós cristãos não celebramos as Festas juninas se baseia no fato
de que:
II – OS SANTOS DAS FESTAS
JUNINAS NÃO DEVEM SER CULTUADOS.
Nós cristãos, não reconhecemos e
nem cultuamos os santos das Festas juninas nem outros de qualquer natureza. Reconhecemos e cultuamos tão somente a Trindade Santa, na
pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Para muitos, fazer Festas juninas
como manifestação pagã à deusa Juno seria algo grave e inaceitável.
Por
outro lado, os que desconhecem as festas antigas para aquela deusa, pesam que
as Festas juninas são para Antônio, João e Pedro, santos da devoção popular, e
isso lhes parece até recomendável.
No entanto, as duas manifestações
estão erradas. Assim diz o primeiro mandamento: “Não
terás outros deuses diante de mim”. Ex 20.3.
Portanto, qualquer manifestação
de celebração ao deus Tamuz, à deusa Juno, a Antônio, a João ou a Pedro não tem
aval das Escrituras.
Considerando Antônio, João e
Pedro, saberemos que foram expoentes importantes e notórios na história, mas
nem por isso devem ser cultuados.
Estudando suas biografias os
conhecemos como realmente foram e descobrimos que o que se pensa sobre eles ou
lhes atribuem nem sempre corresponde com a realidade.
* O mais festejados de todos é o João Batista, dia 24.
Conhecendo sua vida pelas paginas
das Escrituras o encontramos como servo humilde e simples, que jamais angariou
para si festejos ou condecorações, sendo aquele que regozijava ao ver o Senhor Jesus
ser honrado.
Sua vida ministerial a serviço de
Jesus pode ser resumida por suas próprias palavras: “Convém
que Ele cresça e que eu diminua”. Jo 3-30.
Dessa forma viveu João Batista,
promovendo a glória de Jesus e nada para sua exaltação pessoal.
Portanto, homenageá-lo hoje com
uma festa, inclusive com ingredientes do paganismo antigo do culto ao deus
Tamuz e a deusa Juno é, no mínimo, uma grande ofensa, pois é algo que se lhe fizesse
no seu tempo, lhe traria muito desgosto.
Então,
uma festa junina para João Batista não lhe é uma honra ou homenagem, e sim
desrespeito e desacato!.
* Outro bastante recorrido e homenageado com
festa junina é Antônio, dia 13.
Ele também não
deve ser cultuado ou festejado, pois basta um pequeno conhecimento acerca de
sua vida para se convencer de que ele foi humano como os demais, não buscou
condecorações pessoais, foi humilde e simples.
Muito do que se
fala a seu respeito são lendas ou comentários exagerados sobre sua vida ou
ministério.
Portanto, as
honrarias e as grosseiras simpatias ou crendices vinculadas a Antônio, são
desrespeito e ate abuso pela sua pessoa e obra.
Vale lembrar
que, mesmo que tenha (em vida, obviamente!), interferido em alguma situação
para resolver questões amorosas.
Isso não
autoriza ninguém a torná-lo responsável ou especialista nesses assuntos.
Tal crendice é expressão pagã a Juno, e que quiseram e até
conseguiram transferir para Antônio...
* Por fim consideremos Pedro, o homenageado
com a última festa, dia 29.
Tal festa
também não lhe é conveniente, pois apesar de ter sido um servo de Jesus, um dos
mais íntimos dos seus apóstolos, não deve ser cultuado ou homenageado com
exaltação, pois ele não gostava nem aceitava isso.
Quando Cornélio
prostrou-se a seus pés para adorá-lo ele o interrompeu dizendo: “Ergue-te que eu também sou homem”. Atos 10-26.
Com isso
descobrimos que uma festa junina para Pedro é algo contra a sua aprovação, não
lhe homenageia, nem lhe honra antes contraria sua vontade na Bíblia.
E pior ainda,
fazer-lhe uma festa, com requintes pagãos, tal como para Juno no passado,
agrava mais a ofensa, pois fazê-lo senhor do céu e
doador das chuvas ou águas, é reduzi-lo a Juno, considerada no paganismo
antigo como à senhora dessas coisas...
Sendo assim, a
nossa conduta cristã de não celebração das festas juninas, é uma questão de
coerência.
Não
reconhecemos nem servimos à deusa Juno e nem adoramos ou homenageamos Antônio,
João e Pedro, apesar de os respeitarmos como personagens da historia da Igreja.
Ficamos tristes
ao vermos como costumes pagãos têm perdurado na história ao ponto de se transpor conceitos de uma comemoração para
outra, transferindo o culto de uma divindade pagã, para personagens
eclesiásticos que nada tem em comum com tais comemorações.
Repetimos que,
como cristãos que somos só adoramos e servimos a Deus, como nos ordenou Jesus:
“... ao senhor teu
deus adorarás, e só a ele darás culto”. Mt 4.10.
A terceira
razão do nosso posicionamento contrário às celebrações das festas juninas se
baseia no fato de que:
III
– O CRISTÃO SERVE A JESUS E NÃO PRATICA O PAGANISMO.
Essa é a grande
e sublime razão pela qual não nos envolvemos com as comemorações juninas.
Com
discernimento e maturidade, conhecemos, amamos e servimos só ao Senhor Deus, e
descartamos toda e qualquer outra expressão de culto.
Para quem têm
dúvidas que Festas juninas é uma transferência do culto de uma divindade pagã,
para personagens eclesiásticos considere o que tem de relação entre:
§
João Batista e pipoca,
fogueira, mastros adornados com frutas e flores, roupa e comemoração típica à
vida campestre?...
§
Antônio e a missão de
controlar as questões matrimoniais;
§
Pedro e o comando sobre
as chuvas?...
§
Tudo isso são expressões
pagãs e antigas para a deusa Juno, adaptadas ou transferidas para esses
personagens!.
Se buscarmos
mais longe na história veremos que tais conceitos e práticas pagãs são bem
anteriores aos gregos ou romanos que celebravam a deusa Juno.
Desde épocas remotas já se faziam postes-ídolos para
celebrar divindades pagãs protetoras ou responsáveis por localidades ou ciclos
da natureza.
Isso era algo
bem comum entre os pagãos, mas Deus ordenou a seu povo em Deuteronômio 16.21
que jamais fizessem isso.
Essas divindades
consideradas e cultuadas como responsáveis pela natureza, eram conhecidas com
nomes diferentes, dependendo da localidade ou povo que lhes prestasse adoração,
mas em essência possuem o mesmo conceito.
Vimos que em
épocas remotas, Tamuz era cultuado na mudança das estações, que corresponde ao
período de Junho-Julho do nosso calendário moderno!
Vimos que
séculos mais tarde, nesta mesma época e com os mesmos conceitos essenciais, os
gregos celebravam a deusa Juno.
Portanto, nos
dias atuais, fazer as festas juninas, exatamente na mesma época, com tantas
comemorações alusivas à vida campestre, frutos da natureza, danças e comidas
típicas, crendices relacionadas com a união conjugal ou fertilidade geral, são
superstições grotescas e pagãs.
Tais
celebrações em nada diferem das comemorações pagãs antigas, que se originaram
em tempos tão remotos, e que foram adaptadas no decorrer da história com nomes
e formas diferentes para cada povo e época, porém preservando a mesma essência
primordial.
Nós cristãos
amamos e servimos só a Jesus, e não nos envolvemos com nenhuma forma de
paganismo, mesmo essas disfarçadas de folclores tradicionais.
Cremos em Deus Pai , Deus Filho,
Deus Espírito Santo e temos as Sagradas Escrituras como regra de fé e prática,
onde procuramos pautar nossa conduta prática.
É essa Palavra
divina que nos apresenta a verdade e nos ordena a fugir de toda e qualquer
idolatria, I Co.10.14; I Jo.5.21.
Finalizamos
reafirmando que não celebramos festas juninas porque essas festas, apesar das
aparências religiosas ou folclóricas, são essencialmente pagãs.
Por Rev. Gilvan de Oliveira Silva – IPBEC, 12/06/05.
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