Cl 2.6-8
Irmãos,
o texto que lemos mostra a preocupação do Apostolo Paulo com a igreja de
Colossos. Havia
naquela Igreja muitos falsos mestres espalhando uma heresia perniciosa – eles diziam que Cristo era bom até certo
ponto, se, todavia os irmãos quisessem
experimentar a plenitude verdadeira, seria necessário acrescentar algo mais.
Como
se não bastasse, a Igreja de Colossos estava inserida num contexto pagão. Naquela cidade havia uma
nojenta adoração à deusa Cibele, um sincretismo filosófico e uma ênfase nos
rituais do VT, que influenciou a igreja de Colossos.
Por
isso Paulo alerta aqueles irmãos dizendo:
v.6 “Ora, como recebeste a
Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele,
v.7 nele radicados e
edificados e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações
de graças.
v.8 Cuidado que ninguém
vos venha a enredar = enrolar, embaraçar com sua filosofia e vãs subtilezas,
conforme os rudimentos = elementos do mundo e não segundo a Cristo”.
É
claro, os irmãos não são membros da Igreja de Colossos, todavia as palavras do
apostolo Paulo são relevantes para nós hoje, pois estamos vivendo um mês de
festas pagãs e precisamos fazer valer estas orientações bíblicas para nossas
vidas.
As festas juninas estão presentes
no calendário brasileiro, como festividades religiosas ou folclóricas,
celebradas a cada ano no mês de junho.
Cada região realiza essas
comemorações a seu estilo, como tradições típicas do evento e, em celebração a Antônio,
João e Pedro são feitas as diversas manifestações folclóricas.
Nestas festas são expressos os
variados conceitos em relação a tais homenageados, celebrando costumes de
crença pessoal ou apenas herdados de outros, bem como oriundos da suposição
popular.
Outros realizam eventos pelo
gosto da euforia da festa em si, sem se importarem com o significado
tradicional das festas.
Alguns apenas aproveitam o ensejo
da festa para realizar seus objetivos particulares ou coletivos, como promoções de
eventos sociais, festivos ou filantrópicos, mas desconsideram
completamente a essência das comemorações juninas.
Dessas misturas de razões
conceitos ou tradições, surge o costume de se fazer as festas mas sem a
compreensão da natureza das mesmas, e chega-se ao ponto de fazer algo só por
fazer, sem saber o que realmente significa.
Muitos estão assim – repetindo ou
simplesmente fazendo ou participando dessas festas por mero gosto e costume
tradicional, porém desconhecendo a essência real dessas comemorações.
Dentre o povo de Deus alguns têm
dúvidas sobre esse assunto, ficando indecisos quanto ao posicionamento cristão
sobre o mesmo.
Portanto, meu objetivo ao abordar
esse assunto é oferecer uma resposta cristã que possa pautar a conduta dos
servos de Deus, frente a essas festas tão comuns no meio em que vivemos.
Definição popular – “Festas
juninas”, dentro da tradição atual ou costume popular moderno, são os festejos
realizados no mês de junho, como celebração aos considerados santos, Antônio,
dia 13, São João, dia 24 e São Pedro, dia 29.
Essas festividades hoje são
partes viva do folclore, ou seja, da crença nacional, e são realizadas com
grande empenho e euforia, segundo as crendices e costumes próprios desses
eventos.
Histórico das festas juninas –
As Festas Juninas possuem uma longa historia, procedem de varias culturas e
seus folclores, isto é, crença de um povo.
Por desconhecerem essa
diversidade de origens e comemorações é que muitos fazem esses festejos como
simples tradições populares ou expressões culturais apenas.
Conhecendo o histórico dessas
tradições se compreende a razão ou motivação das mesmas, e assim é possível se
posicionar acerca desse assunto.
Portanto,
em primeiro lugar, quero conscientizar os irmãos que festa junina é:
I – Festa da fertilidade no mundo antigo.
Desde épocas antigas se tem
festejado divindades consideradas guardiãs, protetoras ou mantenedoras da vida
ou responsáveis pela natureza.
Na antiguidade muitas eram essas
divindades com seus cultos e algumas predominaram como mais influentes.
Uma grande celebração antiga era
a Festa da Fertilidade, a qual se
comemorava as colheitas e produções dos rebanhos.
No Império Romano se realizava a
Festa da Fertilidade, chamada “junônia”, em homenagem à deusa Juno.
Essa deusa era a mesma “Hera”
dos gregos, que conforme crendice antiga se uniu incestuosamente com Júpiter,
seu irmão, sem que seus pais o soubessem.
Tal divindade veio a ser símbolo
da união conjugal, da fertilidade e da maternidade, bem como guardiã da mulher,
do nascimento e da própria morte.
Juno era
uma deusa tão famosa e cultuada que os romanos lhe dedicaram um mês do ano –
Junho.
E como eram festas de celebração
da fertilidade, nestas comemorações “junônias” ou “juninas” havia oferendas da
vida agrícola e pastoril, alem de folguedos = folias, brincadeiras, divertimentos, danças e várias comidas, bem como expressões folclóricas alusivas à
vida no campo. Essas são as origens primarias das
Festas Juninas – celebrações à deusa Juno.
E hoje se há um mês chamado Junho
e nele essas festas, é porque originalmente Juno era
tão cultuada como deusa da Fertilidade que lhe homenagearam com o nome de um
mês e a ela celebravam grande festa própria, tributando-lhe honras como
deusa responsável pela fertilidade geral.
Resumindo, Festas Juninas, antes de serem simplesmente festas do mês de Junho,
eram festas à deusa Juno, celebradas desde o passado remoto, e adaptadas a
vários povos e culturas.
Em
segundo lugar, quero chamar a atenção dos irmãos para as:
II – Homenagens a personalidades ilustres.
Uma
realidade dentro do paganismo é a mistura que se faz dos conceitos religiosos,
modificando, substituindo ou apenas adaptando crendices e cultos.
As comemorações juninas passaram por um
processo de adaptação geral, mas preservando-se a essência e formas das
comemorações antigas. Mudaram-se nomes e certos
conceitos, porém foram preservados o cerne e aspectos fundamentais da crença e
cultos antigos.
Com isso, hoje praticamente ninguém cultua ou
faz festas para Juno, pois atualmente festas juninas são em homenagem a St°
Antonio, São João, e São Pedro.
Mas se for feita uma avaliação
profunda se descobre que predomina mais um folclore pagão do que culto ou
louvor a esses personagens.
É conhecido historicamente que a
Igreja adaptou a homenagem à deusa Juno para expressões religiosas dedicadas a Antônio,
João e Pedro, personagens de alta estima e veneração no Catolicismo
Romano.
Vejamos como isso aconteceu:
Santo
Antônio nasceu em Lisboa, Portugal em 15 de agosto de 1195. Era filho de
Martim Bulhão e Tereza Taveira, sendo descendente do quarto rei Friola I da
monarquia neo-gótica das Astúrias, na Espanha. Recebeu
o nome de Fernando de Bulhão e Taveira de Azevedo, mas optou pelo nome de
“Antônio”, o nome mais comum na sua terra, pois preferiu ser humilde e simples.
Desde seus quinze anos se tornou missionário pela ordem dos Franciscanos. Servindo em varias localidades, mas foi em Pádua, na
Itália, onde foi reconhecido como grande pregador. Faleceu em 13 de Junho de 1231, com trinta e seis anos, sendo
declarado “santo” apenas onze meses depois, em 30 de maio de 1232, pelo Papa
Gregório IX em Espoleto. É o santo mais elogiado e reconhecido no
Catolicismo Romano, considerado solucionador de causas difíceis ou perdidas, e
comemorado quase mundialmente como “santo casamenteiro”. Assim, na data da sua morte, 13 de Junho, é homenageado com
a primeira das festas juninas, com crendices e celebrações pagãs copiadas do
culto á deusa Juno no passado, principalmente no que se refere às questões
amorosas ou conjugais.
São João é comemorado no dia 24,
sendo a maior das Festas juninas. Conforme Mt.14,
esse João é o Batista, filho de Zacarias e Izabel, precursor de Jesus, o que
pregou e realizou o batismo de arrependimento e encaminhou o mundo para crer no
Salvador. No dia 24 de Junho é celebrado no Catolicismo Romano como o
dia natalício de João Batista, e isso desde data muito antiga, pois já no
século V essa data já era festejada na Igreja Africana.
Também essa comemoração esta mais ligada às crendices e culto à deusa Juno do
que ao grande profeta João Batista. Ás grandes manifestações alusivas à
vida campestre e superstições pagãs são realizadas como homenagens a ele nesta
data.
Encerando
as festividades juninas está a Festa a São Pedro, no dia 29. Com essa última comemoração homenageia-se Pedro, o
apostolo de Jesus. Nesta data celebra-se também
homenagem ao apostolo Paulo, mas é Pedro o personagem de destaque na festa. Dia 29 de Junho é considerado no Catolicismo Romano como
dia do martírio de Pedro, e essa comemoração é desde o quarto século, pois
desde cedo a Igreja Romana já o celebrava liturgicamente. Essa homenagem a Pedro também é nos moldes do culto à deusa
Juno, pois esse apóstolo tem sido considerado guardião da vida e da morte,
possuidor da chave da porta do céu, além de doador das chuvas para a
fertilidade da terra...
Observando essa pequena abordagem
histórica, se conclui que as Festas juninas têm origens e comemorações
vinculadas essencialmente à deusa Juno, e que o que se refere aos três personagens
da historia da Igreja não passa de uma grosseira adaptação de crendices
oriundas do paganismo.
Por
fim, consideraremos:
III – As Festas no contexto brasileiro.
No nosso país celebram-se as
Festas juninas desde a chegada dos portugueses.
Aqui elas foram requintadas com
várias outras influências, como:
- As quadrilhas de caráter européias;
- Os quentões;
- As pipocas e outros produtos derivados do milho;
- As fogueiras;
- Os mastros;
- Os foguetes;
- E crenças supersticiosas do paganismo.
Faze-se tamanha euforia em certas
festas juninas tradicionais ao ponto da região praticamente parar em função da
festa celebrada com bailes, danças ou “forrós”, ou
como tradicionalmente chamam de “São João”, “arrasta pé”, ou arraiá...
Em tudo isso fica evidente que
nada se relaciona especificamente com Antônio, João e Pedro, e sim são festas
para a deusa Juno.
As roupas, os costumes, as
comidas e os festejos alusivos à vida no campo, traços característicos dessas festas em nosso
país, em nada combinam com esses três personagens da historia da
igreja, e sim com a deusa Juno e seu antigo culto onde era celebrada como mãe
da natureza.
Assim, no nosso contexto
brasileiro, as Festas Juninas são misturas de religiosidade pagã antiga e
homenagens a personagens da historia da Igreja, cultuados
nos moldes das crenças referentes à deusa Juno, tudo isso mesclado de
crendices populares que são superstições grosseiras em nada condizentes com a
realidade de Antônio, João e Pedro.
Ou em outras palavras, tudo isso
é uma crença que tem suas origens ou razões no paganismo antigo e que hoje é
expressa através desses festejos considerados como simples tradição popular.
v.6 “Ora, como recebeste a Cristo Jesus, o
Senhor, assim andai nele,
v.7 nele radicados e edificados e
confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças.
v.8 Cuidado que ninguém vos venha a enredar
= enrolar, embaraçar com sua filosofia e vãs subtilezas, conforme os rudimentos
= elementos do mundo e não segundo a Cristo”.
Por Rev. Gilvan de Oliveira Silva – IPBEC, 05/06/05.
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