sábado, 30 de agosto de 2014

Dependência da Independência

Independência não é apenas uma comemoração cívica, não se refere unicamente à libertação do país e não se restringe a uma a uma data histórica. Independência é um ideal, um alvo de vida, um objetivo maior, quase uma obsessão. Desde a revolução francesa a Independência deixou a esfera do anseio nacionalista e se tornou um ideal humanista que permeado a sociedade e determinado valores. Os pais educam os filhos para serem Independentes (inclusive de Deus). O movimento feminista elegeu a Independência como um valor maior que família, maternidade e casamento. Para elas Independência é sinônimo de dignidade. Enfim, somos incentivados a alcançar todos os tipos de Independência, como a Independência financeira e, até mesmo, a Independência emocional.

A ironia é que, quais adolescentes que se drogam para afirmar a própria liberdade, nos tornamos dependentes da Independência. São homens e mulheres solitários, mas não solteiros, em busca de Independência. Não querem depender emocionalmente de ninguém, são monumentos da autossuficiência viciosa, que escraviza e não liberta. Jovens e adolescentes absorvidos pelos seus projetos de vida egocêntricos e ensimesmados, “predestinados” à escravidão do sucesso que se traduz na Independência. Profissionais workaholics (Trabalhador compulsivo) cujas performances cada vez mais autônomas mascaram a sua dependência das exigências do mercado idólatra. Até a maternidade tornou-se “produção Independência”, e com a possibilidade de clonagem humana a própria maternidade pode tornar Independente de pai e mãe. Esta é a Independência que celebramos, comemoramos e ansiosamente buscamos.

Assim como o nosso país, conquistamos a Independência, mas não da dominação, pois demos o “grito de Independente” das regras, leis, ética, mandamentos e ordens. Abolimos tudo que tem aparência de dominação e nos tornamos dependentes da corrupção, da filosofia, humanista, da idolatria do prazer, da ambição avarenta, enfim, de todos os modelos de felicidade solitária. Todo o que conseguimos com os nossos projetos de Independência foi a alienação de Deus e o afastamento do próximo. “Então, considerei outra vaidade debaixo do sol, isto é, um homem sem ninguém, não tem filho nem irmã; contudo, não cessa de trabalhar, e seus olhos não se fartam de riquezas; e não diz: Para quem trabalho eu...?” (Eclesiastes 4.7-8).

A eficiência não promove a Independência, pelo contrário, requer dependência “para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim” (Colossenses 1.29). A felicidade não é autossuficiente, mas dependência de Deus “... aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar” (Tiago 1.25). Ou não cremos mais que “... o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (II Coríntios 3.17).
Extraído de:
BATISTA, Jôer Correa. Enquanto. Goiânia, 2002, ps. 36-37.

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