Independência não é apenas uma comemoração cívica, não se refere
unicamente à libertação do país e não se restringe a uma a uma data histórica. Independência
é um ideal, um alvo de vida, um objetivo maior, quase uma obsessão. Desde a
revolução francesa a Independência deixou a esfera do
anseio nacionalista e se tornou um ideal humanista que permeado a sociedade e
determinado valores. Os pais educam os filhos para serem Independentes
(inclusive de Deus). O movimento feminista elegeu a Independência como um
valor maior que família, maternidade e casamento. Para elas Independência
é sinônimo de dignidade. Enfim, somos incentivados a alcançar todos os
tipos de Independência, como a Independência financeira e, até mesmo, a
Independência emocional.
A ironia é que,
quais adolescentes que se drogam para afirmar a própria liberdade, nos tornamos
dependentes da Independência. São homens e mulheres solitários, mas não solteiros,
em busca de Independência. Não querem depender emocionalmente de ninguém,
são monumentos da autossuficiência viciosa, que escraviza e não liberta. Jovens
e adolescentes absorvidos pelos seus projetos de vida egocêntricos e
ensimesmados, “predestinados” à
escravidão do sucesso que se traduz na Independência. Profissionais workaholics
(Trabalhador compulsivo) cujas performances cada vez mais
autônomas mascaram a sua dependência das exigências do
mercado idólatra. Até a maternidade tornou-se “produção Independência”, e com a possibilidade de clonagem humana
a própria maternidade pode tornar Independente
de pai e mãe. Esta é a Independência que celebramos, comemoramos e
ansiosamente buscamos.
Assim como o nosso país, conquistamos a Independência,
mas não da dominação, pois demos o “grito
de Independente” das regras, leis, ética, mandamentos e ordens. Abolimos
tudo que tem aparência de dominação e nos tornamos dependentes da corrupção, da
filosofia, humanista, da idolatria do prazer, da ambição avarenta, enfim, de
todos os modelos de felicidade solitária. Todo o que conseguimos com os nossos
projetos de Independência foi a alienação de Deus e o afastamento do
próximo. “Então, considerei outra vaidade
debaixo do sol, isto é, um homem sem ninguém, não tem filho nem irmã; contudo,
não cessa de trabalhar, e seus olhos não se fartam de riquezas; e não diz: Para
quem trabalho eu...?” (Eclesiastes 4.7-8).
A eficiência não promove a Independência, pelo
contrário, requer dependência “para isso
é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua
eficácia que opera eficientemente em mim” (Colossenses 1.29). A felicidade
não é autossuficiente, mas dependência
de Deus “... aquele que considera,
atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo
ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que
realizar” (Tiago 1.25). Ou não cremos mais que “... o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há
liberdade” (II Coríntios 3.17).
Extraído de:
BATISTA, Jôer
Correa. Enquanto. Goiânia, 2002, ps. 36-37.

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